Mikel Santiago - A Última Noite em Tremore Beach




Ano: 2017
Páginas: 272
Idioma: português
Editora: Suma de Letras

Sinopse:
Recém-divorciado e no meio de um bloqueio criativo, Peter Harper decide tirar férias na bela e isolada Tremore Beach, na Irlanda. Tudo parecia correr bem, mas, depois de ser atingido por um raio durante uma tempestade, ele começa a ter terríveis dores de cabeça e sonhos cada vez mais estranhos. Conforme a linha que separa sonho e realidade fica cada vez mais difusa, Peter percebe que talvez seus sonhos sejam um aviso do horror que está por vir... Envolvente e eletrizante, 'A última noite em Tremore Beach' é um thriller arrebatador, perfeito para fãs do gênero.

UM GÓTICO MODERNO

A sinopse já dá pistas sobre o conteúdo -- muito interessante -- do livro. 

Primeira pista: 
Artista com bloqueio criativo e recém-divorciado = vem suspense psicológico aí, mas não é o bastante para criar o verdadeiro suspense, aquele que nos tira o fôlego e faz o leitor sentir empatia com o protagonista: Certos suspenses 'psicológicos' nada mais são do que uma constante, repetitiva e incômoda exposição de ideias mórbidas do protagonista.

Segunda Pista:
Férias numa ilha bela e isolada da IRLANDA. Ponto positivo, já que a Irlanda é um dos países do mundo com as paisagens mais encantadoras e mágicas, cenários perfeitos tanto para uma aventura pitoresca, quanto para um romance de suspense mais ou menos gótico. Um local isolado? Melhor ainda. 

Terceira Pista:
O protagonista, Peter Harper, músico famoso, se isola na ilha traumatizado com um divórcio. O rapaz está ainda preso às preocupações com sua vida, tentando juntar os cacos de um casamento que acabou, de uma família dispersa. Como se não bastasse tudo isso, está numa pequena localidade, que apesar de bonita e idílica, também é nostálgica. E ainda, para cúmulo de tantas desventuras, ele é atingido por um raio.


Com todos esses ingredientes à mão, o criativo escritor espanhol Mikel Santiago -- que alguns críticos já estão aclamando como um futuro Stephen King -- moldou um enrendo bastante denso, com pitadas de drama familiar, terror psicológico e/ou físico (resultado de sequelas do raio), clima gótico em várias cenas (a da primeira tempestade, a da segunda tempestade, das cenas em que 'alguém' bate à porta, dos sonhos/visões/realidades paralelas. 

O músico vai relembrar de sua família irlandesa, principalmente da mãe: são pessoas com dons paranormais, que preveem o futuro e que, às vezes, podem evitar catástrofes. Aqui está o toque da magia irlandesa, que nos remete aos contos de fadas, à mitologia celta, aos "deuses" e "deusas" que inspiraram autoras como Marion Zimmer Bradley e Juliet Marillier, por exemplo. 


O livro, porém, é suspense puro. Desde as primeiras páginas, o enredo é bem costurado, os personagens, amigos ou vizinhos de Peter, como Leo e Marie Kogan, Judie - namorada -, os filhos Beatrice e Jip, todos são razoavelmente bem trabalhados e tem um envolvimento profundo com o enredo. Nenhum personagem é supérfluo ou espúrio. Todos vão desempenhar um papel na trama, sendo esse papel parte do quebra-cabeças que irá delinear o enigma, para finalmente depois, resolvê-lo.



Não vou dizer se tem fantasmas ou não, fiquem os futuros leitores com a curiosidade sobre o que - ou quem - representam as "visões" de Peter. Não é, nem de longe, um livro com a estrutura narrativa tão maciça, ou até, por que não dizer, pesada, de Stephen King: não chega a tanto. Porém é um bom livro para leitores que apreciam tramas leves e criativas, onde o sobrenatural é muito bem explorado. 

Esse livro é uma viagem até as praias encantadoras ou assustadoras da Irlanda, com ventos arrepiantes de um enigma sobrenatural. Vale a pena. 


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