Stephen King - Sob a Redoma



Stephen King - Sob a Redoma

Ano: 2012 / Páginas: 960
Idioma: português
Editora: Suma de Letras

Na trama, em um dia como outro qualquer em Chester’s Mill, no Maine, a pequena cidade é subitamente isolada do resto do mundo por um campo de força invisível. Aviões explodem quando tentam atravessá-lo e pessoas trabalhando em cidades vizinhas são separadas de suas famílias. Ninguém consegue entender o que é esta barreira, de onde ela veio e quando — ou se — ela irá desaparecer.
Os moradores de Chester’s Mill percebem que terão de lutar por sua sobrevivência. Pessoas morrem, aparelhos eletrônicos entram em pane ao se aproximar da redoma e a situação fica ainda mais grave quando a cidade se vê exposta às graves consequências ecológicas da barreira. Para piorar a situação, James “Big Jim” Rennie, político dissimulado e um dos três membros do conselho executivo da cidade, usa a redoma como um meio de dominar a cidade.
Enquanto isso, o veterano da guerra do Iraque, Dale Barbara, é reincorporado ao serviço militar e promovido à posição de coronel. Big Jim, insatisfeito com a perda de autoridade que tal manobra poderia significar, encoraja um sentimento local de pânico para aumentar seu poder de influência. O veterano se une a um grupo de moradores para manter a situação sob controle e impedir que o caos se instaure. Junto a ele estão a proprietária do jornal local, uma enfermeira, uma vereadora e três crianças destemidas.
O isolamento sob a redoma expõe os medos e as ambições de cada um, até os sentimentos mais reprimidos. Assim, enquanto correm contra o pouco tempo que têm para descobrir a origem da redoma e uma forma de desfazê-la, ainda terão de combater a crueldade humana em sua forma mais primitiva.

SOB A REDOMA E SOB AS BOTAS DA TIRANIA...

O fato de Stephen King ser um consagrado autor de bestsellers de terror -- tanto naturais quanto sobrenaturais -- não o exime de algumas faltas e alguns abusos que ele cometeu ao escrever Sob a Redoma.

É desnecessário falar novamente da redoma (um campo de força invisível e inexplicável) e todo o caos que ela provocou a partir do momento que desceu sobre a pequena Chesters Mill, isolando-a do mundo. O problema maior, conforme nos enfronhamos na história e ansiamos por saber o que é a redoma, ou por que ela está ali, vai se revelando... nas pessoas da pequena cidade. Principalmente no seu vilão-mor, Big Jim Rennie.


Estou achando que Stephen King usou esse romance de terror para fazer um tipo de crítica social, voltada é claro, contra os homens que nos governam... nesse sentido, não pude notar nele nenhuma queda -- para a chamada 'direita conservadora' norte-americana, tampouco para a tal da 'esquerda progressista' que, convenhamos, está mais para bizarra do que qualquer outra denominação. Mas no que se refere ao autor: sim, ele foi bem isento. Não há nenhum traço de crítica contra uma determinada ideologia. Embora eu tenha me sentido na pele dos moradores de Chester's Mill, sob a batuta de um tiranete chamado Jim Rennie (e que me lembrou um determinado político brasileiro que, é mais do que notório hoje, é um bandidaço tal e qual Big Jim).


Voltando à história: Jim Rennie é mau, muito mau. É um dos piores vilões de S. King, atrevo-me a dizer. Talvez perdendo apenas para a Coisa do livro de mesmo nome, embora aquela 'Coisa' fosse sobre-humana e, portanto, tivesse poderes e maldades inigualáveis. E Jim Rennie me fez relembrar por várias vezes o livro de Andrew Lobaczewski, "Ponerologia - Psicopatas no Poder". Na verdade, esse personagem é um estudo literário de psicopatia, fantástico em todas as suas características e ações. O que o povo de Chester's Mill sofrerá nas mãos desse psicopata (e de seu filho, outro psicopata, Junior Rennie) é de arrepiar até o último fio de cabelo...


Não é a redoma o MAL em si, é aquele senhor gordo, de rosto balofo, grandes papadas, sorriso de raposa e cérebro de gênio demoníaco. Ele não se preocupará com o bem-estar do povo - embora alegue isso o tempo todo, e convença meio mundo - mas com o fato de que terá esse povo todo, toda aquela cidadezinha nas suas mãos. É o poder, não exatamente o dinheiro, que ele ama. É o poder de comandar, de pisotear os inimigos (ou pessoas que não se submetem a ele): o prazer de comandar, de exercer sua força bruta, de tiranizar e, claro, maltratar as pessoas que odeia: eis o supremo êxtase para Jim Rennie.

Personagens que são os protagonistas - os mocinhos e mocinhas: Dale Barbara ou Barbie (ex-tenente do Exército americano), que cairá na desgraça de ser odiado por Junior Rennie. Este é outro personagem macabro. Tão psicopata e psicótico -- ambas as coisas, sendo a primeira um distúrbio da personalidade [1] e a segunda, uma doença mental, quanto o pai, Junior será o tormento dos leitores mais sensíveis... cuidado, se você não for muito afeito a cenas nojentas, violentas, de uma insanidade brutal (a marca de Stephen King), cuidado com Junior Rennie.


Temos ainda a simpática jornalista conservadora (republicana, que paradoxalmente tem um jornal chamado "O Democrata"), Julia Shumway. Torceremos por ela do começo ao fim, por sua personalidade forte, inteligência aguçada e têmpera guerreira. E muitas crianças... a lista delas é grande, pois este livraço tem personagens para três novelas brasileiras e ainda sobram. Destaque para os lindos e inteligentes Joe e Norrie, que parecem mais antenados com a redoma do que os adultos. Outros personagens, por quem os leitores provavelmente irão torcer, são: Andrea Grinnell, as policiais Jackie Wettington e Linda Everett, bem como o marido desta última, Rusty.


Entretanto, apesar de um bom cenário meio apocalíptico, um vilão-super-mauzão, vários personagens cativantes (e outros terrivelmente desprezíveis) e uma temática original -- uma redoma que isola uma cidade inteira do mundo! -- Stephen King abusou de palavrões, expressões chulas, cenas que podiam ter sido cortadas (para o bem psicológico do leitor), um desenrolar lento... muito, muito lento... da história. Aliás, além de todos os palavrões, cenas dantescas (como as da necrofilia, do estupro, das inúmeras mortes e... por aí afora), ele podia também ter podado vários personagens inúteis. Não direi quais, apenas que serviram como "poluição literária", nada mais.

Fora isso, é um suspense e tanto. O final é meio... assim, assim... Não muito grandioso, mas tudo bem. Valeu pelo suspense.


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