Sheridan Le Fanu - Carmilla (tradução: Jossi Borges)



NOS PRIMÓRDIOS DA LITERATURA VAMPÍRICA

O conto longo ou novela de Sheridan Le Fanu foi um marco na literatura gótica, no século XIX. 
Quando li o conto pela primeira vez, foi em um livro emprestado na Biblioteca Pública do Paraná, lembro-me de ter encontrado nas prateleiras de "Literatura Estrangeira - Contos". Procurava, como sempre, um livro com contos sobrenaturais ou pelo menos, com muito suspense.

Marcilla ataca a adormecida Bertha, Ilustração do The Dark Blue de D. H. Friston (1872)

Deparei-me com uma coleção de grossos e antigos livros de capa dura, bem manuseados, em cujas lombadas eu li: "Os melhores contos de suspense da literatura mundial", "Os melhores contos de Natal da literatura mundial" e assim por diante. Até encontrar um título mágico, que brilhou diante dos meus olhos jovens: "Os melhores contos de terror da literatura mundial". Passei a mão no livro, de páginas amareladas e percorri o índice com olhos ávidos. Um dos títulos da coletânea era "Carmilla" e eu fiquei ansiosa para ler aquilo. Bastou um lance de olhos no primeiro capítulo para eu me render: "Excelente", eu pensei. "Uma história que se passa em regiões longínquas da Europa, entre castelos velhos e com clima de terror gótico".


Está no meu sangue, esse amor ao Romantismo e ao suspense, à Literatura Gótica, a tudo que remete ao sombrio mundo europeu -- ou semelhante a esse -- com suas florestas escuras e frias, suas cidades  antigas, suas igrejas de arquitetura intrincada e beleza austera e, principalmente, seus magníficos castelos. Alguns, assombrados.

O livro que me caiu em mãos me trouxe o primeiro contato com a Literatura Gótica (chamada 'terrorífica' até os idos da década de 1970), nascida pelas mãos de Sir Horace Walpole e seu insosso "O Castelo de Otranto" (1764), cheio de personagens inverossímeis, fantasmas bizarros e meio bobinhos, passagens secretas e afins.  Mas deixemos de lado Walpole, e lembremos de bons autores góticos, como Charles Robert Maturin, com "Melmoth, o Peregrino", Mary Shelley ("Frankestein ou o Moderno Prometeu"), Gustav Meyrink ("O Golem"), Oscar Wilde ("O Retrato de Dorian Gray" e "O Fantasma de Canterville"), Henry James ("A Outra volta do parafuso"), Bram Stoker ("Drácula", "A Toca do Verme Branco", "The Jewel of Seven Stars", "O Hóspede de Drácula"), etc.


O conto "Carmilla" era instigante, principalmente porque eu já lera "Drácula" e, quando soube que aquele foi inspiração para este último, fiquei encantada. 

Mais tarde, adquiri o livro "O vampiro de Karnstein e outras histórias", publicado em 1997, pelo Círculo do Livro. Desde então, Le Fanu está entre meus autores favoritos, junto com Bram Stoker.

Agora, apresento a vocês minha própria tradução de "Carmilla", a partir do original, com notas e ilustrações. Enfim, bebi da fonte do grande autor e trouxe mais uma opção em e-book, hoje na Amazon, para os amantes do terror gótico - uma vez que essa literatura é praticamente desdenhada no Brasil (digo, a literatura do século XIX). 

Querem conhecer a história de mistério, sensualidade maligna e terror, que inspiraram Bram Stoker? Conheçam Carmilla na Amazon!


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