Stephen King - O Iluminado


Stephen King - O Iluminado
Ano: 2005
Páginas: 581
Idioma: português 
Editora: Objetiva

Danny Torrance não é um menino comum. É capaz de ouvir pensamentos e transportar-se no tempo. Danny é iluminado. Será uma maldição ou uma bênção? A resposta pode estar guardada na imponência assustadora do hotel Overlook.
Em 'O iluminado', quando Jack Torrance consegue o emprego de zelador no velho hotel, todos os problemas da família parecem estar solucionados. Não mais o desemprego e as noites de bebedeiras. Não mais o sofrimento da esposa, Wendy. Tranquilidade e ar puro para o pequeno Danny livrar-se das convulsões que assustam a família.
Só que o Overlook não é um hotel comum. O tempo esqueceu-se de enterrar velhos ódios e de cicatrizar antigas feridas, e espíritos malignos ainda residem nos corredores. O hotel é uma chaga aberta de ressentimento e desejo de vingança. É uma sentença de morte. E somente os poderes de Danny podem fazer frente à disseminação do mal.

ANÁLISE...
Um livro que tive que ler duas vezes, porque é tanta coisa a ser absorvida, tantos pequeninos detalhes a se encaixarem no mosaico imenso que compõe o drama Overlock x Iluminado, que uma só leitura nos deixa ainda meio perdidos, algumas coisa podem ficar obscurecidas (embora importantes no todo) por outras, algumas cenas podem ser esquecidas (quando mais para frente, no livro-continuação, Doutor Sono) serão relembradas. Muito bem, é um baita livro de terror.

Danny Torrance é uma criança adorável, um menino por quem sentimos empatia imediata: doce, gentil, de uma graciosidade e obediência aos pais, que nos toca o coração. O fato de ele ser praticamente o protagonista e um dos que mais sofrem (nesse livro e no próximo, como já disse: Doutor Sono), é muito compreensível.
Dan Lloyd, quando criança, interpretando Danny Torrance, e hoje, adulto

O pai, Jack (interpretado no filme O Iluminado de Stanley Kubrick, por Jack Nicholson) não causa empatia, de início e são vários os motivos: é uma pessoa complexa, com temperamento instável, ex-alcoólatra, embora esteja em fase de recuperação e seja sinceramente apaixonado pela família. Esse fato, aliado ao seu empenho em conseguir um emprego bom, que garanta a segurança e futuro de seu pequeno Danny e sua amada Wendy, é ponto a seu favor: no livro há toda uma ênfase nesse lado generoso e dedicado de Jack, em que ele se esforça para esquecer a bebida. Ao seu parecer, trabalhar num grande hotel na temporada de inverno, em que o mesmo fica isolado entre as montanhas e totalmente sozinho com a esposa e o filho, é uma maneira de ganhar seu dinheiro, dar tempo a si mesmo - principalmente para esquecer o maldito vício - e se dedicar a escrever um livro.
Jack Nicholson, como Jack Torrance no filme 'O Iluminado'

Wendy é uma personagem mais neutra que os dois primeiros, embora todas nós, mulheres, mães e esposas, nos identifiquemos com ela. É uma mãe que adora seu pequeno menino, que tem "aquele dom": Dom este que Jack, mais frio, mais calculista, menos sensível, não percebe. Mas mãe é mãe, e Wendy sente mais do que nunca o cordão umbilical da sensibilidade materna, sussurrando-lhe ao ouvido sobre os dons paranormais de Danny. Ela sabe que Danny é especial, lê pensamentos, sabe coisas, prevê coisas. E quando o hotel e toda a sua carga maligna de fantasmas, de terrores passados que retornam, se ergue diante deles, ela também sabe que só Danny poderá enfrentar tudo aquilo.

O personagem do Sr. Hallorann também é empatia imediata: adorei essa personagem é o cozinheiro do hotel, um homem negro, alto e simpático, que imediatamente sente que o pequeno Danny, afinal, é como ele: outro "iluminado".
"Hallorann observava com seu largo sorriso aos poucos murchando.
Não creio que haja alguma coisa aqui que o possa ferir.
Não creio.
Mas, e se ele estivesse errado? Sabia que esta fora sua última temporada no Overlook, desde que vira aquela coisa na banheira do quarto 217. Fora pior do que qualquer desenho em qualquer livro, e, olhando daqui, o menino correndo parecia tão pequeno...
Não creio.
Seus olhos voltaram-se para os arbustos em forma de animais. Ligou o carro bruscamente, engrenou-o e saiu, tentando não olhar para trás. E é claro que o fez, e naturalmente a porta estava fechada. Tinham entrado. Era como se o Overlook os tivesse engolido."
Entretanto, havia sim, algo que poderia feri-los no terrível hotel, com um passado sangrento. 
O estilo de King, na descrição da lenta, muito lenta e muito assustadora mudança de personalidade de Jack, das visões de Danny, dos fantasmas e da 'maldição' que habitava aqueles corredores suntuosos, os quartos e suítes de luxo, os jardins com seus animais de topiaria -- vivos? E a violência insuflada por "aquelas coisas".

Durante todo o desenrolar da história ficamos na dúvida: Afinal, o que seriam aquelas "coisas" todas? Gente viva, gente morta? Fantasmas perdidos por causa de sua maldição e sua miserável vida na terra e que agora queriam uma desforra? Ou o próprio edifício -- paredes, argamassa, tijolos, lajotas, móveis, chão, telhados -- enfim, aquela entidade física que se tornara quase viva?


O final é aterrador, como todos os livros de King. E vale a pena cada linha!

Detalhe: O filme que já citei acima, de Stanley Kubrick (1980) não chega aos pés do livro. Comecei a assistir e fiquei desalentada com a interpretação de Jack Nicholson, com aqueles olhos de drogado psicopata e aquelas cenas nonsense, em que ele abraça sem nenhuma ternura o filho. 

Detestei a atriz Shelley Duvall, nesse filme aparece como uma típica modelo anoréxica dos anos 70, desengonçada e com uns dentões que hoje, assustariam o mais compreensivo dos dentistas... 
Aliás, ela parece mais assustadora que o próprio psicótico Jack, principalmente quando abre os olhões de jabuticaba gigante e sorri com aquela dentadura de cavalo, ooops... perdão pela má palavra, mas a atriz foi o detalhe mais desalentador de todo o filme. Sem entrar no mérito de que, enfim, quase toda a história foi modificada no filme. 

O pequeno ator Danny Lloyd foi a salvação e a beleza que compensava todo o resto: Um rosto de anjo.
Mas, em todo caso... Fiquem com o livro!


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2 comentários:

Maurilei Teodoro disse...

O Iluminado não é um dos meus preferidos do King, mas não deixa de ser uma ótima leitura !! O melhor do livro ao meu ver é a "mudança" aos poucos de Jack Torrance !!

Jossi disse...

Nem é dos meus favoritos também... mas é realmente assustador. Jack Torrance tinha tudo para se regenerar, uma pena o que ocorre com ele.