Jay Anson - 666, no limiar do inferno

Sinopse:
O casal Keith e Jennifer volta pra casa após curtas férias e, atrás de seu quintal percebe uma casa que não estava lá antes: um casarão vitoriano que foi transportado até lá enquanto viajavam. Acontece que a casa não é necessariamente abençoada: ao investigá-la, Keith descobre que o antigo morador assassinou a amante e o cunhado lá dentro. Mas a casa causa certas sensações estranhas nele, justificadas conforme o desenrolar da história. Uma série de acontecimentos estranhos se inicia.

Resenhando...
O livro é de terror, o clássico terror à la anos 80. Notei alguns comentários pela internet, aqui e ali, reclamando que o livro de Jay Anson "666" não era "tão bom quanto Horror em Amityville", ou que o autor segue um caminho muito bonitinho, retinho, que leva a um final brusco e previsível, lembrando os velhos filmes de terror dos anos 80. Oras, mas se o livro FOI ESCRITO na década de 70, como poderia ser diferente? O que querem os leitores, se o autor, além disso, era roteirista de cinema? É natural que sua escrita seja homogênea, simples, rápida, sem estilo mesmo, exatamente como um roteiro de filme. Aliás, nem tão "simplista" assim, porque o livro é bastante agradável de ser lido, justamente porque lembra -- ou nos faz imaginar as cenas de -- um filme. 


Outra característica que os leitores atuais depreciam, é a temática do livro (que julgam ser muito 'batida'): a história de uma casa assombrada, famílias sofrendo com o assédio demoníaco, um mistério, crimes, tudo isso envolto por uma atmosfera 'cine-terror', do tipo que mete medo, mas a conta-gotas. 

Pois justamente por tudo isso é que a história é facilmente compreendida, daí tornando a leitura fluída, rápida e viciante: você começa a ler e de repente, está às voltas com uma casa, um chalé estilo vitoriano (bem igual aos dos filmes clássicos de terror) e que é transportando, ou seja, tirado de uma cidade e levado em cima de algum gigantesco veículo, para outra cidade. O número 666 é o número da casa fatídica. Quando Keith entra no tal chalé, começam os incidentes, o mistério se adensa; outros personagens começam a participar da história. Em pouco tempo, o leitor "desliza" pela trama com tal facilidade, com tal leveza, que é impossível não se sentir na pele dos protagonistas.


O que posso resumir da escrita de Jay Anson? Ótima para quem gosta de terror, principalmente para quem prefere o terror clássico e a linguagem simples, direta, porém sem perder o tom sombrio e os arrepios típicos desse tipo de literatura, que eu classificaria como bestseller gótico. 


Nenhuma das sofisticadas reviravoltas de Stephen King aqui, nada do old gothic de Edgar Allan Poe ou dos terrores ancestrais de Lovecraft: Mas não deixa de ser um prato cheio para quem gosta de um bom terror, com direito a casa assombrada, casal ou família simpática como protagonistas, um bom padre que quer ajudar e um tremendo, horrendo, Mal que supera a todas as expectativas.
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2 comentários:

Maurilei Teodoro disse...

Tenho este livro na estante faz uns 2 anos já e ainda não li. Esta resenha me animou !!

Jossi disse...

Maurilei Teodoro, não deixe ele lá esperando, rss... se você gosta de suspense com um terror à moda antiga, pode ler. O livro é bom e viciante. :)