Gillian Flynn - O Adulto


Gillian Flynn - O Adulto
Ano: 2016 / Páginas: 64
Idioma: português
Editora: Intrínseca


Sinopse: "Uma jovem ganha a vida praticando pequenas fraudes. Seu principal talento é a capacidade de dizer às pessoas exatamente o que elas querem ouvir, e sua mais recente ocupação consiste em se passar por vidente, oferecendo o serviço de leitura de aura para donas de casa ricas e tristes.

Certo dia, ela atende Susan Burkes, que se mudou há pouco tempo para a cidade com o marido, o filho pequeno e o enteado adolescente. Experiente observadora do comportamento humano, a falsa sensitiva logo enxerga em Susan uma mulher desesperada por injetar um pouco de emoção em sua vida monótona e planeja tirar vantagem da situação.

No entanto, quando visita a impressionante mansão dos Burke, que Susan acredita ser a causa de seus problemas, e se depara com acontecimentos aterrorizantes, a jovem se convence de que há algo tenebroso à espreita. Agora, ela precisa descobrir onde o mal se esconde, e como escapar dele. Se é que há alguma chance.

Em seu estilo inconfundível que arrebatou milhares de fãs, Gillian Flynn traça surpreendentes e intrigantes perfis psicológicos dos personagens e tece uma narrativa repleta de suspense ao mesmo tempo em que brinca com elementos clássicos do sobrenatural." -- meu grifo acima, explico: que estilo? Inconfundível? Só se for no quesito imoral, ridículo e rasteiro.
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Eu li a resenha de outro livro dessa péssima autora de bestsellers, feita pela amiga Pat Kovacs AQUI e nunca passou-me pela cabeça ler nada dessa mulher.

Esse conto, entretanto, se lida a sinopse, parecia diferente: uma "história que é uma homenagem às clássicas histórias de terror." Ora, está aí o que eu gosto, histórias clássicas de terror, como as de Henry James, Peter Straub, Edward Bulwer-Litton, Lovecraft... mas, saindo da cabeça dessa 'autora exemplar', será que presta?

Fui em frente e comecei a ler (ebook). Uma protagonista que é uma... bem, não existe palavra em português (e talvez nem em inglês) para descrever a profissão dela... digamos apenas que era uma mulher que vivia de 'pequenas fraudes' (para mim, fraude é fraude, não existem pequenas ou grandes). Uma vigarista. Uma mentirosa. Uma trapaceira. E de quebra, uma expert em bater punhetas para homens solitários... é bem grotesco isso, mas nada que se compare à moral e aos objetivos intrínsecos que ela acalenta.

Imagem: Pixabay

Surge uma cliente diferente, que a paranormal fake, dona do estabelecimento onde a moçoila trabalha, lhe empurra. "Vire-se e trate de engambelar bem essa dona, ricaça e problemática", mais ou menos isso o que se imagina diante da cena.

E lá vai a picaretona, tentar embromar a mulher rica e com uma suposta "casa assombrada". Quase tudo o que os 'clássicos' livros sobre fantasmas tem, esse continho chinfrin tem -- no diminutivo mesmo. Uma protagonistinha bancando a detetive paranormal, um enredinho que envolve crianças, um fantasminha, uma mulherzinha assustadinha. Só que não tem o essencial: a verdade, um estilo decente, uma protagonista inesquecível, um mistério assustador e um final fantástico.

Para quem vai se aventurar e ler essa grotesca paródia de história sobrenatural, fique sabendo apenas que: não, não é um conto clássico de fantasmas. É uma subversão, isso sim, das histórias clássicas, já que tem tudo ao contrário. A protagonista é uma farsante do início ao fim, a vítima dos 'seres do além' é rasa, quase sem personalidade. O outro personagem, o menino mau, é uma confusa versão pós-moderna do garoto (esse sim, um personagem inesquecível) Miles, de "A Volta do Parafuso" de Henry James. Um tipo confuso, uma massa amorfa, do qual se apreende apenas o básico: sua inteligência adulta. E só.

Um conto que não tem sequer a serventia básica desses livrecos modernos: o de entreter ou passar uma mensagem positiva, otimista, de alegria ou esperança. Além disso, o final pareceu desmanchar tudo o que o suspense anterior havia criado. Um super "NÃO RECOMENDO" para esse besteirol.



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