David Zurdo e Ángel Gutiérrez - 616 - Tudo é inferno



David Zurdo e Ángel Gutiérrez - Tudo é inferno

Ano: 2007 / Páginas: 302
Idioma: português 
Editora: Planeta do Brasil


Sinopse:
Não se engane. O Diabo pode ter muitas formas e números, mas o original é 616, atribuído ainda antes dos Evangelhos... Desde "O Exorcista" não se via um romance tão assustador como este. Tudo começa com a exumação do corpo de um padre: todos os seus ossos estão quebrados. Gravada a unha na parede interna de seu caixão a frase enigmática 'TUDO É INFERNO'. O que o santo padre quis dizer? Por via das dúvidas, é melhor prestar atenção ao que o velho Daniel sussurra com voz grossa e bafo quente... O próprio Maligno parece falar por estas páginas. Com 616: Tudo é Inferno, David Zurdo e Ángel Gutiérrez elevam o terror e o suspense a sua melhor forma. Boa sorte. 

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ATENÇÃO, CONTÉM SPOILERS ONDE ANOTO EM VERMELHO

David Zurdo e seus abZurdos...

A primeira coisa que notei no e-book (claro que eu não compraria um bestseller sem antes conferir se valia a pena...), foi a escrita bastante simplista, o roteiro que mistura aventura, ação, investigação (no caso aqui, de um padre) e um suspense. 

Imaginei, ao ler a sinopse, que fosse o caso de outro livro no estilo de "O Exorcista" -- outra tentativa de descreditar a fé católica, como alguns críticos literários mais conservadores notam nesse tipo de literatura de horror. De fato: eu li "O Exorcista" e, embora aquilo mexa com nossos nervos de forma negativa e ponha em cheque a fé de qualquer pessoa normal, o livro parece ter um objetivo implícito no papel 'fraco' desempenhado pelo personagem do padre exorcista. Esse objetivo (e isso se repete ad nauseam em toda literatura moderna que tenha a Igreja Católica como componente da trama) parece ser o de desacreditar toda forma de fé em Deus, em seus sacerdotes, nos ritos sagrados e no poder de tudo o que santo e puro.

Com o livro aqui ("Tudo é inferno") não foi diferente. Há a mesma tentativa de desacreditar o que é santo, o que é caro ao cristão, e isso não se restringe ao Catolicismo, mas a todas as religiões embasadas nos ensinamentos de Jesus Cristo.


Não é uma leitura que valha a pena, mas eu comecei a ler porque alguns skoobers (leitores membros da comunidade Skoob) fizeram alusão a livros tomados de empréstimo à bibliotecas públicas e rabiscados com a palavra "blasfêmia" e outras do gênero. 

Naturalmente isso espicaçou minha curiosidade: quero ler essa bagaça e ver o que sai daí... depois, vou falar tudo o que é isso, de verdade.

O estilo é fraquíssimo (se é que aquela narrativa plana, insossa, pode ter algum estilo); os personagens rasos, rasíssimos (até os de "O Exorcista" são superiores). O que salva a coisa toda é apenas o mistério que cerca o tema central, sendo esse uma frase, especialmente desagradável, capaz de suscitar o medo nas almas mais empedernidas: "Tudo é inferno". De início, se imagina tratar-se de alguma história apocalíptica, mas não. É coisa pior, muito pior.


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E AGORA VEM SPOILERS, se você ainda pretende ler a porcariada toda, pare por aqui...
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Não se trata de nenhum livro das dimensões (negativas, aliás) de "O Exorcista", como alguns ingênuos chegam a supor. Tem muita negatividade, isso lá tem. Mas não é obra literária, coisíssima nenhuma, é um bestseller muito chinfrim, cujo autor teve a (péssima) idéia de colocar Cristo e o Deus cristão, não como seres plenos de poderes e pureza sacrossanta, mas como "perdedores" na luta contra Lúcifer. Uns escritores bem atrevidos esses dois, façam-me o favor! A gente começa a ler, e depois de uma altura, resolve continuar para ver até onde chegaria o atrevimento dos autores. Atrevimento bobo, mas que pode até, de certa forma, agir como desagradável balde de água gelada sobre almas mais fracas. 

Decerto que os cristãos mais fervorosos parariam no ponto em que ele se comunica via "gravador" com o demônio, e este dá as "pistas". O pobre padre cai na maior depressão ao descobrir que "todas as almas humanas, puras ou impuras, vão para o inferno"... que tudo é inferno... que Deus, o Ser Supremo, na verdade perdeu a "Guerra dos Céus" e Lúcifer, o "filho rebelde" é desde sempre, quem guia a humanidade. Sim, isso mesmo. Parece uma piada de mau gosto, mas essa foi a "grande ideia" desse autor...

Pois bem, o supra-sumo da idiotice chega quando, no final da história, o padre está à beira do miserê mais profundo. Mas, como homem destinado por... por quem, mesmo? Já que Deus aqui no livro não tem mais poder, quem o predestinou a ser o novo 'redentor'? Pois não sei.




Mas eis que o padre perdido e desolado tem, nos últimos anos de sua vida, um ato de "bravura e amor incondicional" ao salvar uma garotinha de um acidente. Muito bonito, sim, de fato... E, graças a esse ato de bondade profunda, o "poderoso" Inimigo, Satã, se sente comovido, chora, se redime... e volta às boas com o Pai Celestial, acabando desta forma, com o inferno eterno e total.

Um final feliz. Menos mal, porém não torna por isso o livro mais feliz. 

É uma nova tentativa de desarraigar a fé cristã, mais uma tentativa de desiludir as pessoas e, de quebra, ainda ganhar algum dinheiro com esse best-seller "de terror" e sua temática absurda, sua trama água-com-açúcar e seus personagens rasos e fracos. 

Como eu já mencionei anteriormente, é um livro deprimente (com cenas onde abundam acidentes, personagens doentes, quase à morte, crianças abusadas e maltratadas horrivelmente, gente que luta contra mazelas em vão), com uma narrativa pobre, cenários descritos com a maestria de uma criança em suas primeiras redações e uma trama de mistério frágil. 

E que leva do nada a lugar nenhum.

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2 comentários:

Pat Kovacs disse...

Inventaram um número novo, 616? Se bem que a soma simplificada desse número chega ao 6.
Continua sendo a velha história do homem que faz todas as merdas e espera que Deus intervenha para limpar a cagada toda. A cegueira da arrogância da criatura que acha que deve ser servida por seu Criador.
Aí vem aquele argumento, por que Deus deixa criancinhas sofrerem, ou invés de questionar por que tem gente tão ruim que faz os outros sofrerem.
Ou, o que seria o melhor de tudo, por que não seguem todos os Mandamentos e os Ensinamentos? Se seguissem, não haveria mais dor nem sofrimento.
Resumindo o livro, não passa de mais uma visão de cunho esquerdista em que os fins justificam os meios, com uma visão puramente material da religiosidade e da Fé.

Jossi disse...

Exatamente! Esse livro é tão ruim, que só valeu a pena ler para poder "meter o pau" nesses autores. Teve gente que gostou (lá no Skoob vi umas resenhas), mas pessoas com gosto mais apurado já perceberam de cara o engodo.

O que me chocou, nisso tudo, é a arrogância do autor! E pensando bem, esse clichê que vc citou ("se Deus existe, porque ele deixa o Mal tomar conta de tudo? Porque tanta gente sofre?") é realmente esquerdista e ateísta. A resposta é tão óbvia... Jesus fez tudo e deu a própria vida, ensinou, mostrou o caminho... Mas como nem todos são filhos de Deus (todos são 'criaturas', mas poucos são 'filhos'), fica claro porque o Mal impera. Porque os 'filhos da serpente' fazem os demais sofrerem.
Obrigado pela presença, Pat!

:)