Robin Cook - Coma [releitura e comentários]



Robin Cook em um de seus primeiros suspenses impactantes

COMA
Ano: 1996
Páginas: 250
Idioma: português 
Editora: Record

Sinopse:
Todos os dias, em todos os países do mundo, os hospitais efetuam pequenas intervenções cirúrgicas de rotina. Os pacientes se recuperam rapidamente e podem voltar à sua vida habitual.

Nancy Greenly, Sean Berman e uma dúzia de outros doentes deram entrada no Memorial Hospital para uma pequena cirurgia. Mas estas intervenções de rotina acabaram transformando-os em vítimas da mesma tragédia horrível e inexplicável na mesa de operações… nunca voltaram a acordar. Um erro não identificado, ocorrido durante a anestesia, provocou a morte irreversível do cérebro, deixando-os num coma profundo.
Mas algo de estranho se passa… algo de muito errado. E Susan Wheeler, uma bela, dinâmica e jovem estudante de Medicina, arrisca a própria vida para descobrir a explicação aterradora; uma maquinação tão assombrosa, tão elaborada e, no entanto, tão possível que nos deixa suspensos no próprio medo…
Coma, o mais famoso livro de Robin Cook, aquele que o tornou conhecido em todo o mundo, foi já adaptado ao cinema. Dr. Robin Cook é um prestigiado médico norte-americano especializado em Oftalmologia, doutorado em Harvard. É reconhecido como o fundador do gênero literário "thriller médico".

MINHA OPINIÃO:

Esta foi minha releitura de um dos maiores thrillhers de Robin Cook. Como todo bom livro, há sempre a possibilidade de uma releitura. E eu o faço sempre que começo a esquecer de alguns detalhes, dos finais, de trechos impactantes, de emoções ou das implicações da temática. 

Em "Coma", escrito nos anos 1970, Cook narra um thriller de tirar o fôlego, com uma mocinha, uma estudante de medicina (segundo ano!) que tem mais inteligência que todos os médicos velhos e experientes do hospital. 

A narrativa é ágil, rápida talvez até demais, o que faz com que percamos o fôlego durante a leitura. O autor aborda um tema que era comum nos anos 1970 -- o machismo dos médicos, que viam com maus olhos as "mulheres médicas" --  embora hoje isso não seja relevante. É curioso ler um livro contemporâneo, mas que é ao mesmo tempo ambientado em locais, com tecnologias e pontos de vista obsoletos (como esse dos médicos 'machistas').

A tramóia que vai envolver Susan Wheeler, pacientes relativamente jovens e saudáveis que, sem mais nem menos, entram em coma e mais um punhado de personagens que orbitam em torno do Hospital -- incluindo um possível namorado -- vai nos levar aos subterrâneos dos grandes centros médicos, a corridas através da noite, a salas de cirurgia frias e assustadoras, etc. E a um lugar fantástico, na época compondo um cenário de ficção científica: hoje nem tanto.



Mesmo para quem não é afeito a terminologia técnica da medicina, o livro tem uma narração simples, desenvolta e uma ação que converge rapidamente para um final totalmente inesperado.

Muitos leitores reclamam desse final, e eu não discordo deles... O livro é ótimo, o suspense nos mantém acesos e curiosos. 

O final é ótimo, mas o desenlace da personagem, suponho, deveria ter tido mais atenção. A impressão que dá é de um corte abrupto -- uma cirurgia, se preferirem. Ficamos ali, lendo e relendo os últimos parágrafos e remoendo todas as possíveis implicações daquelas cenas finais... mas fica a nosso critério. Um final sem um FINAL, da maneira como todos os leitores teriam preferido, com certeza. Nossa imaginação é a responsável por tudo o que poderia  ter acontecido depois.

Numa nota final, Robin Cook fala a respeito do mercado negro de órgãos humanos. Isso me fez lembrar de uma notícia recente, da famosa clínica abortista, patrocinada pelo governo Obama, Planned Parenthood, cujas últimas notícias foram totalmente absurdas e revoltantes. 

Vídeos feitos pelo grupo pró-vida Centro para o Progresso Médico, mostram médicas abortistas conversando animadamente enquanto almoçam, falando sobre os preços dos 'órgãos'. Até fazem piadinhas, como se falassem de peças de carnes a serem vendidas num açougue.



De modo geral, o livro é interessante e uma reflexão final sobre a ética médica nos convida a pesquisar mais sobre esse assunto delicado.


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5 comentários:

Pat Kovacs disse...

Nos subterrâneos da medicina moderna há ainda mais horrores do que podemos imaginar, como o tráfico de órgãos. Se um jovem der entrada desacordado num hospital depois de um acidente, pode ter certeza de que ele não sairá vivo dali, ainda mais se ele for um "doador de órgãos".
http://entrementes.com.br/2014/10/trafico-de-orgaos/

Pat Kovacs disse...

http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/114350/Tr%C3%A1fico-de-%C3%B3rg%C3%A3os-humanos-Um-mercado-negro-em-expans%C3%A3o.htm

Jossi Slavic Genius disse...

É verdade, Pat! Se na época em que esse livro foi escrito (há décadas) já havia muita coisa suja sob os panos, imagino hoje em dia... Nunca fui a favor dessa coisa de ser 'doador de órgãos', jamais!!! Quando saiu essa lei, lembro que discutimos sobre isso, eu e minha família, e chegamos à mesma conclusão que você: isso era um método infalível para o tráfico de órgãos e assassinatos (tudo bem mascarado e disfarçado).

É algo que nos faz tremer... e nada tem de ficção!

Pat Kovacs disse...

Quando meu tio foi colocado na cti, apenas um dia depois de ele dar entrada no hospital, andando, pois o problema dele estava apenas no dedo do pé, já imaginei que ele não sairia vivo de lá. Não deu outra: mataram ele com 15 dias internado, com septicemia, isto é, infecção hospitalar introduzida pelo cateter - o pé estava ótimo, amputado, mas ótimo.

Pat Kovacs disse...

E também sou contra essa coisa de se colocar como doador de órgãos.