Neil Gaiman - A Bela e a adormecida



A bela rainha e o belo beijinho...

Ano: 2015
Páginas: 72
Idioma: português 
Editora: Rocco

Em uma sombria e fascinante história, as mais queridas princesas dos contos de fadas são reinventadas de maneira brilhante pelo inglês Neil Gaiman e o ilustrador Chis Riddell. Em A Bela e a Adormecida, uma jovem rainha é informada, na véspera de seu casamento, sobre uma estranha praga que assola as fronteiras do seu reino, um sono mágico que se espalha pelo território vizinho e ameaça os seus domínios. Na companhia de três anões, a rainha abandona o fino vestido da festa, pega sua espada e armadura e parte pelos túneis dos anões para o reino adormecido. 


RESENHA
...e o belo beijinho.

O livro foi escrito para ser politicamente correto, como tudo -- com raras exceções -- hoje em dia. 

Esse livro parece ter causado certo 'frisson' entre gays e lésbicas, porque aparentemente deveria ser um livro com um 'beijo lésbico', ou seja, Neil Gaiman, para ficar bonitinho e corretinho, queria entrar na onda de 'recontar contos de fadas opressores, patriarcais, heteronormativos, românticos e conservadores' para histórias mais 'progressistas'. Ou seja, começar a mudar as coisas para as crianças... afinal, as menininhas (coitadas!) precisam 'aprender que nem só de príncipes encantados-opressores-machistas-patriarcais vive a sociedade pós-moderna'... Ops. 


E por quê os príncipes dos contos de fadas deveriam deixar de existir, seu Neil Gaiman? Para seguir a política imposta pela ONU e entrar na linha dura do esquerdismo dominante? Cotas para rainhas e princesas lésbicas. E para príncipes gays. Essa história de cotas é algo simplesmente absurdo, rasteiro, humilhante. Principalmente para quem recebe as tais 'cotas'. Sem falar que os gays e as lésbicas que não compartilham do movimento político (ou melhor, do modelo político imposto), também discordam que as tradicionais histórias infantis devam mudar seu enredo, apenas porque alguns políticos idiotas resolveram que "tem que ser assim".



Só que não: ele fez tudo 'de acordo com o figurino da ONU', mas o continho recontado não deu conta do recado. Ou melhor: A história foi fraca, fraquíssima. Para enfeitar mais o pavão do seu Neil Gaiman, as editoras capricharam no visual externo (já que o conteúdo é pra lá de pobre) e gastaram um monte com capas, ilustrações belas e diagramação de primeira. 

Não gostei em absoluto, o politicamente correto está batendo em cheio até na literatura infantil. Contos de fadas são contos de FADAS. O ingênuo, o inocente, o delicado, o romântico. E também a vilania, a maldade e as traições, que no final do enredo, devem ser desmascaradas e destruídas. Nesse livreco, que foi caprichado na encadernação e nas ilustrações, Gaiman segue a agenda da esquerda, ultrapassando os limites do tolerável. Ah, mas 'o beijo da rainha não foi de amor', 'o livro é lindo, fala de respeito, bravura, um mundo com respeito ao próximo, blablablabla". Todos os contos de fadas acabam assim, falando de bravura, amor ao próximo, etc, etc. Só que esse aqui quer colocar o FEMINISMO como pano de fundo.

Sou antifeminista, sou sim conservadora. Crianças devem continuar sendo crianças. Na insossa história de amor ao inverso (onde uma mulher bondosa beija sensualmente uma mulher maldosa) há muitas pitadas de más intenções. Insinuações e situações falam que as mulheres não precisam de homens, que a família é algo 'obsoleto' (já que a rainha desdenha seu futuro marido), que as histórias antigas (os contos tradicionais) são falsos e tolos.

Um livro que não precisaria ter sido escrito. Não faria nenhuma falta. Nota zero para essa historinha feminista e nada como a linda e graciosa história da Disney, com o beijo do príncipe. Nada como o normal e o natural.



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2 comentários:

Arismeire Kümmer Silva disse...

Dei uma folheada na livraria, mas não me interessou. A arte é linda, mas eu prefiro as obras originais do Gaiman e, se for quadrinhos, ele tem de sobra coisas fantásticas :-)
Bj, Aris.

Jossi Slavic Genius disse...

De fato, a arte foi primorosa... mas o conteúdo é bem insosso, sem entrar no mérito da questão "incentivo" ao sexo precoce. Li alguma coisa do Gaiman, mas nada tão politicamente correta e sem graça, como essa.
Bjos! :)