Stephen King - O cemitério


Ano: 2001
Páginas: 243
Idioma: português
Editora: Objetiva

Sinopse: Louis Creed, jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. Uma casa boa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos. Num dos primeiros passeios para explorar a região, conhece um cemitério no bosque próximo à sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras. Um universo dominado por forças estranhas capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível. A princípio, Louis se diverte com as histórias fantasmagóricas do velho vizinho Crandall. Só aos poucos começa a perceber que o poder de sua ciência tem limites. Prepare-se para páginas de puro pavor. Em uma de suas mais terríveis histórias, Stephen King mostra como a dor e a loucura, muitas vezes, dividem a mesma estrada. 

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O horror psicológico e certa depressão...

Esta obra de S. King talvez seja - junto com 'A Coisa', 'A Hora do Vampiro' e 'Carrie', uma das que mais me prenderam, me acorrentaram à leitura. Por quê? Justamente pelo seu ingrediente quase asfixiante, quase venenoso que mistura: personagens cativantes, identificação do leitor com algum dos personagens, um suspense crescente que, devagarinho,  despencará para os limites entre a sanidade e a loucura e - principalmente - do mais absoluto e abjeto horror.


Você iniciará o livro através da história de uma família típica da classe média baixa americana: um casal de jovens (Louis e Rachel) e seus dois lindos e fofíssimos filhos: A menina Eileen - de seis anos - e o gracioso Gage, ainda bebê de colo, com pouco mais de um ano. Eles estão se mudando para uma cidadezinha do Maine, rodeada por lindo gramado, terreno grande e nos fundos, um enorme bosque a perder de vista...



Tudo na família é encantador, mas o que nos envolve mais é o grande amor entre eles: O casal que se respeita e se ama profundamente e o amor desesperado pelos filhos.

O que assusta e vai se tornando como um laço frouxo de corda no pescoço do leitor, e que aos poucos irá começar a apertar, apertar cada vez mais, é o suspense e uma tensão que começará -- com exatidão -- após uma caminhada por uma trilha no mato. Quem os leverá a conhecer a tal trilha será o seu vizinho, o simpático idoso Jud Crandall, que mora apenas com a esposa adoentada, do outro lado da avenida.

O livro todo tem um centro: o terror sobrenatural do 'cemitério de animais', que fica ao final da trilha... Porém, além deste cemitério aparentemente inofensivo, há outro, outro cemitério... o cemitério Micmac, que estava dentro de umas terras antiguíssimas, pertencentes aos índios.


Arrepios nos percorrem, se dermos tento às reflexões e ao exagerado detalhamento que King faz de certas cenas, e que eu considerei exageradas. Como por exemplo, quando Rachel relembra a doença e morte de Zelda, sua irmã. E uma constante nos livros de Stephen King, que é a repetição exaustiva de certas frases -- como que para enfatizar o clima de tensão do personagem. Para deixar óbvio a quem lê, a obsessão do personagem com aquela ideia, com aquelas digressões. Isso nos causa certa irritação ou engessa, de certa forma, a fluidez da narrativa.

Contudo, a narrativa em terceira pessoa em geral é limpa, coesa e deslizante, gerando empatia quando lemos um diálogo entre Louis e a pequena e inteligente Eileen, por exemplo. Ou quando o casal vive um momento romântico de intimidade e renova seus votos de amor.

O terror psicológico vai iniciar com Louis no centro de tudo e sua obsessão -- graças ao que ficará sabendo por Jud Crandall -- pelo cemitério Micmac. A primeira vítima do cemitério é o gato Church, que retornará dos mortos, renascido, ressuscitado ou... sabe-se lá o que foi aquilo.

A narrativa tomará um ritmo mais forte depois disso, adquirindo quase a nunce das ideias obsessivas de um lunático. O terror de Louis, seus medos, seus pesadelos, irão pular do livro para nos deixar -- a nós, leitores -- levemtente deprimidos.

O clímax é a estupenda descoberta da "magia" do cemitério Micmac:

"Os micmacs conheciam aquele lugar, o que não quer necessariamente dizer que eles é que o transformaram no que é agora. Afinal, os micmacs não viveram sempre aqui. Talvez tenham vindo do Canadá, talvez da Rússia, talvez da Ásia, há muito, muito tempo atrás. Só habitaram o Maine por uns mil anos, talvez dois mil... é difícil saber, porque não deixam muitas marcas na terra que ocupam. E agora já se foram outra vez do mesmo modo como nós, um dia, também não estaremos mais aqui, embora eu ache que deixaremos traços bem mais profundos, para uso melhor ou pior por parte dos que nos substituírem. O lugar continuará, Louis, não importa quem viva no Maine. Não é como se alguém fosse dono do lugar e pudesse levar seu segredo quando se mudasse. É um lugar mau, amaldiçoado, e eu não tinha nada de levá-lo até lá para enterrar aquele gato. Agora tenho consciência disso. Se você sabe o que é bom para você e sua família, nunca deixe de estar alerta ao poder daquele lugar".

O livro é terror psicológico e físico, mas não muito recomendável aos espíritos mais delicados. Fora isso, regalem-se com o mais tenebroso livro de Stephen King.

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2 comentários:

Pat Kovacs disse...

Pet Sematary é o melhor filme do gênero que já assisti. Pena que hoje não fazem mais filmes com conteúdo que emociona de verdade pela história, e não por indução de efeitos especiais.

Tem um selo para o blog Romances Sobrenaturais, prêmio do Dardos Bloggers:
http://patkovacs.blogspot.com.br/2016/04/premio-dardos-bloggers.html

Jossi disse...

Realmente, é verdade... hoje em dia até o Stephen King está meio que mudando seu estilo de escrita. Estou escrevendo uma resenha sobre o último livro dele, "Sob a Redoma", mas vou te contar, Pat... O livro não tem nenhuma inclinação política, isso eu reconheço. Mas o que tem de cenas repulsivas, descrições inúteis e nojentas, violência gratuita e palavrões, palavrões aos montes!!! Totalmente diferente das primeiras histórias do S. King... essas, apesar do terror e do suspenses, tinham um quê de emoção, de sentimento e passavam alguma boa mensagem (ainda que fosse subliminar).

Obrigada pela menção no Dardos Bloggers!