Frank de Felitta - Por amor a Audrey Rose



Ano: 1983
Páginas: 368
Idioma: português 
Editora: Francisco Alves, (RJ)

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Sinopse:
Quem leu "As Duas Vidas de Audrey Rose" recorda-se do estranho caso de uma menina que seria a reencarnação de outra, morta queimada num acidente de automóvel. Ivy Templeton nascera no dia da morte de Audrey Rose. Um estranho, Elliot Hoover, afirma que ela é a reencarnação de sua filha. A idéia parace absurda aos pais da menina, porém aos poucos deixam-se tocar e a própria Ivy cede aos argumentos de Elliot, que deseja que ela se submeta a uma sessão de regressão psíquica. Ocorre, no entanto, quer nessa sessão Ivy passa a se comportar como Audrey Rose, reproduzindo o horror e a angústia de seus últimos instantes - e também morre, com todos os sinais de queimadura da outra,

Por Amor a Audrey Rose retoma a narrativa, mostrando a reação dos pais diante daquela tragédia. Qurm mais sofre é o pai, Bill Templeton, que termina tendo um colapso nervoso, o qual evolui rapidamente para a insanidade mental. tendo iso buscar alívio e compreensão das coisas da vida no jainismo e depois no lamaísmo, julga, por fim, entrever a 'realidade': Ivy deve voltar para cumprir uma nova vida. Sua idéia fixa é encontrar uma menina que tenha nascido justamente na hora da morte de Ivy - seria a encarnação dela. Mas a busca obsessiva de Bill não só falha nos seus objetivos, como também contribui para piorar seu estado mental: depois de se ver privado da pequena Juanita, é internado num sanatório para loucos.

Por sua vez, Janice Templeton procura, igualmente, a mesma 'realidade', e para tal parte em busca de Hoover, que fora viver entre monges na Índia. Consegue, por fim, descobrí-lo, convence-o a voltar, para ajudá-la na cura do marido. daí em diante, o romance se desenrola num crescendo de emoção e suspense, até o clímax final."
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O que um amor não faz, não enfrenta e não sofre?

Esta é a continuação do famoso romance (que virou filme, inclusive) "As Duas Vidas de Audrey Rose" [resenha AQUI]. Este primeiro livro é absolutamente tenso, com um suspense e um clima de terror de assustar os leitores mais indiferentes.

Não só o clima de terror nos prende: Frank de Fellita, do qual também li "O Demônio do Gólgota", foi muito feliz nesses três livros, embora desandasse no livro "A Entidade" - um terror mórbido que mistura possessão demoníaca, sexo, estupro, brutalidade e loucura, numa receita que peca pelo exagero e pelo excesso de brutalidade.

Voltando ao livro 'Por amor a Audrey Rose', o que se nota já de início é a grande habilidade do autor em conduzir uma história que é repleta de drama, suspense e até uma alta dose de aventura - quando Janice vai atrás de Hoover, na selvagem e ignota Índia. Sua habilidade com a escrita, vai ao ponto de tornar mesmo as descrições mais enfadonhas - como o dia a dia de uma mulher praticamente viúva de marido vivo, que reúne as últimas forças para trabalhar e tocar uma vida insípida - em momentos de tensão e curiosidade, despertando o interesse e a ansiedade do leitor.

O livro retoma o drama da família - agora já fragmentada - Templeton: Janice, Bill e a pequena Ivy, reencarnação da outra menininha, Audrey - filha de Eliot Hoover. Entretanto, no primeiro livro ( é imprescindível a leitura do primeiro, sem o que a leitura desse fica confusa e totalmente incompreensível), ocorre um drama, uma catástrofe de consequências irreparáveis. Esse drama separa o casal Templeton, porque Bill fica, de repente, completamente fora da realidade e mesmo a contragosto, Janice terá de interná-lo num sanatório.

Mas a obsessão de Bill - que se considera culpado pela morte de Ivy - embora não seja a obsessão de Janice, torna-a desiludida, fraca, embora ela ainda se mostre mais forte perante as vicissitudes.


Nessa maré de terrores, pesadelos, solidão e ansiedade por ver sua amada família destruída, ela partirá em busca da única pessoa que, supõe, poderá tirar Bill do abismo da loucura: O seu antigo "rival", o pai da também falecida, Audrey Rose.

A empreitada de Janice, atrás de um homem de conduta estranha para os padrões ocidentais, seguidor da religião hinduísta e de Krishna (religião que virou 'modinha' nos anos 1970), se transforma numa aventura insana, quase tão insana quanto a insanidade de Bill - lá, preso no manicômio. Entretanto, Janice é mais pé-no-chão. 

Sua temeridade ou coragem, de acordo com os pontos de vista, a levará ao reencontro de Eliot Hoover em meio à natureza febril da velha Índia dos anos 1970, um país devastado pela pobreza, com doenças misteriosas, enchentes, calamidades sociais e naturais, um povo estranho, de costumes quase bárbaros. Mas, segundo o autor, era "para ser assim". "Era o karma daqueles três seres, Janice, Bill e Hoover".

A alma da pobre Audrey não teria descanso até que se cumprissem as "leis kármicas" - coisa que se fala muito hoje em dia, na doutrina espírita e com a qual não concordo e não acredito. Entretanto, no livro que eu considero como uma fantasia sobrenatural, tudo isso parece fazer 'sentido'.

O romance começa bem, embora as cenas exageradamente detalhadas da loucura de Bill, dos sofrimentos de Janice e do sentimento de culpa de Hoover sejam bastante deprimentes. Acredito que o livro se estendeu um pouquinho demais, se aprofundando em detalhes sobre as religiões hindus, rituais, sacerdócio, doutrinas, meditações, etc, que poderiam perfeitamente estar ausentes, sem prejuízo para a trama.

Em determinada altura, cenas de romantismo e sensualidade com determinado casal da história parecem tomar conta do livro todo: de uma história de suspense e terror fantástico, vira um simples romance açucarado. Bom para quem gosta, ruim para quem quer ação.

Entretanto, a conclusão é chocante - embora não de todo surpreendente. Os "fios do destino" se entrelaçam e o que parecia, a princípio, uma grande confusão de nozinhos e pontas soltas, se une numa teia perfeita, onde uma "vontade suprema" determinou tudo. Onde o sofrimento e a paz dependiam de que cada um, à sua maneira, cumprisse fielmente a sua parte...

Um livro bom, que peca pelo apreço exagerado à religião oriental - na minha opinião de cristã. Naturalmente, haverão os que irão apreciar justamente por esse motivo.

Quem não encontrar o arquivo para comprar nos sebos brasileiros, há um ótimo arquivo em formato ePub AQUI. E em formato rtf, o primeiro livro, As Duas Vidas de Audrey Rose, AQUI.

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