H. P. Lovecraft - Dagon

DAGON, contos de horror inominável - Resenha...


Lovecraft foi o único filho de Winfield Scott Lovecraft, negociante de jóias e metais preciosos, e Sarah Susan Phillips, vinda de uma família notória que podia traçar suas origens directamente aos primeiros colonizadores americanos, casados numa idade relativamente avançada para a época. Quando contava três anos, seu pai sofreu uma aguda crise nervosa que deixou sequelas profundas, obrigando-o a passar o resto de sua vida em clínicas de repouso. Lovecraft com aproximadamente 9 anos de idade...

Uma breve biografia de Howard Phillips Lovecraft, da Wikipédia:   
Assim, ele foi criado pela mãe, Sarah, por duas tias, e por seu avô, Whipple van Buren Phillips. Lovecraft era um jovem prodígio que recitava poesia aos dois anos e já escrevia seus próprios poemas aos seis. Seu avô encorajou os hábitos de leitura, tendo arranjado para ele versões infantis da Ilíada e da Odisséia, de Homero, e introduzindo-o à literatura de terror, ao apresentar-lhe clássicas histórias de terror gótico.

    Lovecraft era uma criança constantemente doente. Seu biógrafo, L. Sprague de Camp, afirmou que o jovem Howard sofria de poiquilotermia, uma raríssima doença que fazia com que sua pele fosse sempre gelada ao toque. Devido aos seus problemas de saúde, ele frequentou a escola apenas esporadicamente mas lia bastante.

    O seu avô morreu em 1904, o que levou a família a um estado de pobreza, devido à incapacidade das filhas de gerirem os seus bens. Foram obrigados a mudar-se para acomodações muito menores e insalubres, o que prejudicou ainda mais a já débil saúde de Lovecraft. Em 1908, ele sofreu um colapso nervoso, acontecimento que o impediu de receber seu diploma de graduação no ensino médio e, consequentemente, complicou sua entrada numa universidade. Esse fracasso pessoal marcaria Lovecraft pelo resto dos seus dias.

    Nos seus dias de juventude, Lovecraft dedicou-se a escrever poesia, mergulhando na ficção de terror apenas a partir de 1917. Em 1923, ele publicou seu primeiro trabalho profissional, Dagon, na revista Weird Tales. Lovecraft junto de Clifford Martin Eddy, Jr., foi um ghostwriter do magazine Weird Tales, inclusive escrevendo uma estória, "Sob as Pirâmides" (Under the Pyramids, também conhecida como Imprisoned with the Pharaohs), para o famoso mágico Harry Houdini.

    A sua mãe nunca chegou a ver nenhum trabalho do filho publicado, tendo morrido em 1921, após complicações numa cirurgia.

    Lovecraft trabalhou como jornalista por um curto período, durante o qual conheceu Sonia Greene, com quem viria a casar. Ela era judia natural da Ucrânia, oito anos mais velha que ele, o que fez com que sua tias protestassem contra o casamento. O casal mudou-se para o Brooklyn, na cidade de Nova Iorque, cidade de que Lovecraft nunca gostou[6]. O casamento durou poucos anos e, após o divórcio amigável, Lovecraft regressou a Providence, onde moraria até morrer.

    O período imediatamente após seu divórcio foi o mais prolífico de Lovecraft, no qual ele se correspondia com vários escritores estreantes de horror, ficção e aventura. Entre eles, seu mais ávido correspondente era Robert E. Howard, criador de Conan o Bárbaro. Algumas das suas mais extensas obras, Nas Montanhas da Loucura e O Caso de Charles Dexter Ward - seu único romance -, foram escritas nessa época.

    Os seus últimos anos de vida foram bastante difíceis. Em 1932, a sua amada tia Lillian Clark, com quem ele vivia, faleceu. Lovecraft mudou-se para uma pequena casa alugada com sua tia e companhia remanescente, Annie Gamwell, situada bem atrás da biblioteca John Hay. Para sobreviver, considerando-se que seus próprios textos aumentavam em complexidade e número de palavras (dificultando as vendas), Lovecraft apoiava-se como podia em revisões e "ghost-writing" de textos assinados por outros, inclusive poemas e não-ficção. Em 1936, a notícia do suicídio do seu amigo Robert E. Howard deixou-o profundamente entristecido e abalado. Nesse ano, a doença que o mataria (cancro no intestino) já avançara o bastante para que pouco se pudesse fazer contra ela. Lovecraft suportou dores sempre crescentes pelos meses seguintes, até que a 10 de Março de 1937 se viu obrigado a internar-se no Hospital Memorial Jane Brown. Ali morreria cinco dias depois. Contava então 46 anos de idade.
  O QUE ACHEI - Resenha de "Dagon":
Sempre gostei de histórias de terror gótico, embora fosse muito resistente aos contos e delírios lovecraftianos. Resolvi, porém, tentar reiniciar minhas leituras deste grande escritor, e comecei por "Dagon", deixando "As montanhas da loucura" mais para o final, pois me parece ser esta uma das obras mais complexas.


 
Comecei, certo dia, a ler "O Caso de Dexter Ward", mas também não consegui passar da página 10... Munida de mais coragem, encarei "Dagon".

O conto que dá título ao livro é muito bom, e fala sobre a descoberta, por parte de um homem, de criaturas estranhíssimas que, por acaso, são ancestrais do homem moderno...

Li, de quebra, outros contos:

* O Medo à Espreita
*Arthur Jermyn
*O templo
*O pântano lunar
*O inominável
*O intruso
*A sombra sobre Innsmouth

Dagon é um conto relativamente curto, mas mistura sempre o terror arrepiante com mitos antigos. Lovecraft, com suas criações fantasiosas e mitos próprios, consegue nos passar uma atmosfera de medo supersticioso, apenas em pensarmos no que ele sugeria, com esse conto... seremos nós, humanos, descendentes de antigos monstros, adorados  em tempos imemoriais como deuses? Mas e nossa semelhança com o Deus cristão? Será por isso que seus contos são tão inquietantes?

O conto "O Medo à Espreita" não me agradou muito o enredo. Não gosto quando o autor mistura "loucuras e delírios" a um terror  que, embora insuportável, é real. No final, a gente fica com a amarga pergunta a nos corroer por dentro: 'Afinal, tudo o que esse homem viveu... foi real? Ou tudo fantasias de um doido?"


O pior de todos os contos, a meu ver, foi "Arthur Jermyn". Uma sucessão de criaturas estranhas que, ao longo de gerações, aterroriza o leitor. E a gente, no final das contas, ainda fica sem entender bem quem eles são... ou quê eles são. Gente? Bicho? Mistura de ambos? E o por quê de tanta loucura entremeando as histórias daquele povo?

"O Templo", com o estilo e a linguagem levemente arcaica de Lovecraft, me lembrou um pouco o estilo de Bram Stoker, e de "Drácula", quando da viagem que o Conde fez, dentro de um caixão, a bordo de um navio, vindo da Transilvânia para a Inglaterra. Há o mesmo clima de tensão, de ansiedade entre os marinheiros, de sombrios presságios e mau agouro. Não chega a se ter calafrios, mas é um conto cheio de "loucura", no bom sentido. O final, como na maioria das obras do autor, é de assustar, e se o leitor for mais suscetível, decepciona.

Gostei particularmente de "O Pântano Lunar", onde o narrador fala de uma região, naturalmente pantanosa, habitada - segundo crenças locais - por seres das águas, náiades ou fantasmas. Este trecho é muito bom:
     
    "Flautas assobiavam e tambores começaram a rufar e, olhando com espanto e terror, pensei avistar saltitantes formas escuras destacando-se grotescamente contra a vista marmórea e resplendente. O efeito era fantástico - absolutamente inimaginável -,
    e eu poderia ter-me quedado indefinidamente em sua admiração se não tivesse notado um crescendo das flautas à minha esquerda.
    Tremendo de um terror curiosamente mesclado com êxtase, atravessei o recinto circular até a janela do Norte, de onde podia ver o vilarejo e a planície à beira do pântano. Ali meus olhos arregalaram-se de novo com um prodígio tão fabuloso, que era como se não
    houvesse acabado de me afastar de uma cena muito além das fronteiras naturais, pois, na planície sinistramente avermelhada, avançava uma procissão de criaturas como jamais se viu, exceto em pesadelos.
    Meio deslizando, meio flutuando no ar, os espectros do pântano vestidos de branco recuavam lentamente para as águas paradas e as ruínas da ilha em formações fantásticas sugerindo alguma dança cerimonial antiga e solene. Seus braços translúcidos agitando-se ao som do pavoroso sopro daquelas flautas invisíveis faziam acenos de chamamento num ritmo esquisito para um grupo de trabalhadores desarvorados que os seguiam, como cães, cambaleando, cegos e indiferentes, como que arrastados por uma vontade demoníaca canhestra, mas irresistível. Quando as náiades aproximaram-se do pântano, sem alterar seu curso, uma nova fileira de desgarrados cambaleantes ziguezagueando como ébrios saiu do castelo por alguma porta traseira muito abaixo de minha janela, atravessou às apalpadelas o pátio e o trecho de terreno até o vilarejo para se juntar à trôpega coluna de trabalhadores na planície."

O conto "O Inominável" também tem muito do clima de suspense gótico, e nos traz à lembrança histórias antigas, causos contados por nossos avós sobre monstros e casas assombradas. Gostei.

Em "O Intruso", um conto curto porém danado de "terrífico", o pobre leitor, que sempre inicia a leitura com esperança que tudo acabe bem, terá uma surpresa... estarrecedora.



 E finalmente, "A sombra sobre Innsmouth" é bem mais longo, porém muito mais interessante. Aprofundando-se em um clima de suspense, o autor nos apresenta um jovem que, por puro acaso, conhece a cidade de Innsmouth, um lugar esquecido de Deus e que os habitantes das redondezas evitam visitar.

O rapaz, negligenciando os conselhos dos moradores da cidade próxima, resolve "explorar" a tal cidade para conhecer sua arquitetura antiga, mas fica temeroso ao conhecer os habitantes, um povo esquisito, com olhos salientes, pescoços cheios de pregas, andar balouçante, etc.
E lá, ele vive uma aventura bizarra, tendo de fugir no meio da noite. Mais não vou falar, para não tirar o gosto de quem vai ler a história.
Muito bom esse conto, apesar de que eu - se fosse o autor - mudaria um pouco o final, dando mais paz ao coração do pobre jovem.

Um livro arrepiante. Para os leitores que querem se iniciar na literatura fantástica de qualidade, Lovecraft não pode faltar em suas estantes!

PRESENTE Para o pessoal fissurado em Lovecraft:

'Dagon', conto de H. P. Lovecraft, narrado por J. B. Alves. Boas audições!


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