A Colina Escarlate - A beleza e o charme no terror gótico



FICHA TÉCNICA
Crimson Peak
A Colina Vermelha (PT)
A Colina Escarlate (BR)
Estados Unidos
2015 •  cor •  119 min
Realização e produção: Guillermo del Toro
Música: Fernando Velázquez
Edição: Bernat Vilaplana
Distribuição: Universal Pictures (Estados Unidos e Brasil)
Lançamento
Estados Unidos: 16 de outubro de 2015
Brasil: 15 de outubro de 2015
Idioma: Inglês

ELENCO 
Mia Wasikowska como Edith Cushing
Jim Beaver como Carter Cushing
Charlie Hunnam como Dr. Alan McMichael
Jessica Chastain como Lucille Sharpe
Tom Hiddleston como Sir Thomas Sharpe
Charlie Hunnam como Doutor Alan McMichael

SINOPSE:
Crimson Peak (Crimson Peak: A Colina Vermelha (título em Portugal) ou A Colina Escarlate (título no Brasil) é um filme estadunidense de 2015, dos gêneros drama, fantasia, romance, e suspense, realizado por Guillermo del Toro e escrito por este e Matthew Robbins. O filme protagonizou Mia Wasikowska, Tom Hiddleston, Jessica Chastain, Charlie Hunnam e Jim Beaver. Foi produzido pela Legendary Pictures,distribuído pela Universal Pictures, e lançado nos Estados Unidos a 16 de outubro de 2015.
O filme foi exibido no Brasil em 15 de outubro, em Portugal foi lançado a 22 de outubro e em Angola e Moçambique a 23 de outubro de 2015.

A beleza e o charme no terror gótico

A Colina Vermelha (Crimson Peak) é daqueles filmes em que, basta uma lida na sinopse e uma olhada nas fotografias e cores, para se encantar e desejar assistir ardentemente. E quando soube que o diretor era o espanhol Guilherme Del Toro, que também já dirigiu O Labirinto do Fauno e foi escritor da Trilogia de terror "Noturno" - uma das que mais gostei de ler - foi de imediato o desejo de assistir.

O enredo, o tema - um suspense gótico com toques fortes de terror - a ambientação sombria dos cenários, tudo me encantou. Lógico, sou suspeita para falar que "gostei dessa história gótica", porque o gótico está no meu sangue. Mas A Colina Escarlate foi de fato, elogiadíssimo pela crítica.

Edith e Thomas

Não podia ser diferente. O filme, além de um mistério fascinante, um mocinho suspeito e belo no seu esplendor de baronete decadente, uma vilã linda e terrível, tem aquela mocinha típica dos romances góticos dos anos 1940-1970: Bonita, inocente, frágil e com rosto de boneca. Mas, calma. Não é tudo tão previsível assim: Edith (Mia Wasikowska), a mocinha, tem o dom da escrita, ou seja, quer ser escritora de uma história de "fantasmas", mas seu primeiro livro parece que não agrada aos editores. E ela lembra mais uma heroína das irmãs Brontë que qualquer outro tipo de heroína.


Aliás, Guillermo Del Toro foi super feliz na escolha e mistura dos enredos: O filme tem uma pitada de O Morro dos Ventos Uivantes, de Jane Eyre e de Drácula: O drama de uma jovem apaixonada - e de um homem também apaixonado -, a mudança para uma mansão feíssima e imensa, que tem um esplendor podre, que tem o teto avariado, retratos de ancestrais carcomidos nas paredes, corredores enormes cheios de fantasmas e visões do inferno e, a cereja do bolo: uma "cunhada", Lucille (Jessica Chastain) linda, morena, perigosa e terrível.

Lucille, a cunhada

O enredo prende, o suspense vai num crescendo, que na primeira parte - quando Edith conhece Thomas Sharpe, o baronete empobrecido que luta para manter sua mansão podre e mora sozinho com a irmã - ela vive com o pai, o idoso Carter Cushing, em Londres -  é mais lento, light, suave. A atração da heroína pelo rapaz inglês é fulminante e os acontecimentos são rápidos. A segunda parte, é toda sombras: sombria é a vida que Edith levará na horrenda mansão, sombria e estranha é Lucille, morno e sombrio, o relacionamento com Thomas. A casa range, geme, é cheia de fantasmas. Lembra um pouco o filme O Fantasma da Casa da Colina, que tinha uma mansão também bizarra, só que mais bem cuidada.


O desenrolar da trama tem fundos psicológicos embutidos também: A vida de Edith é insossa, ela é apenas uma mocinha do século XIX, encantadora e ingênua, que deseja viver - talvez por isso seu primeiro livro seja uma história com elementos sobrenaturais, meio que aventura e drama. E quando escolhe o homem de sua vida, realizará tal aventura.


O mais profundo e escuro lodo da alma humana, em nome do amor - aliás, um amor amaldiçoado - é o que o enredo quer representar, e representa com perfeição. Isso me lembrou um pouco O Morro dos Ventos Uivantes (de Emily Brontë), o meu romance gótico mais querido e inesquecível. O Heathcliff, porém, era uma personagem mais poderosa que o fraco Thomas, manipulado à perfeição pela maninha, com pouco (ou nenhum caráter), ao contrário do corajoso Heathcliff. Este último sim, tinha fibra - seu amor era doce como o mel, forte como a vida e implacável como a morte. A quem ele afrontou, afinal. Thomas, entretanto, não deixa de ter um charme e um carisma bacana.

A mocinha e a cunhada

Outra característica marcante e magnífica do filme todo, são: a trilha sonora (belíssima), os cenários perfeitos e o figuro - fiquei encantada pelos vestidos de Edith, um mais elegante que o outro! E olhe que ela estava vivendo naquele horror de mansão, velha, escura e cheia de "bichos" estranhos.

O final é meio que inesperado, mas me agradou. As últimas palavras de Edith:

"Fantasmas são reais. Disso tenho certeza. Há coisas que os prendem a um lugar, como prendem também a nós. Alguns acorrentam-se a um pedaço de terra, a uma época, ao sangue derramado, a um crime terrível. Mas há aqueles que apegam-se a uma emoção, a um impulso, à perda, à vingança ou ao amor. Esses nunca partem."



Enfim, finalmente, graças aos céus, um filme que valeu cada centavo que os criadores investiram nele. E quem gosta de terror e suspense há de concordar comigo.

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