H. P. Lovecraft - O medo à espreita [resenha]


O Medo em Tempest Mountain


O conto é longo e conta a história de um homem que, afrontando o sobrenatural, resolve ir até o famoso e aterrador Solar Martense, na região conhecida como Tempest Mountain (Montanha das Tempestades). Lá ele se irá deparar com um horror que nem em pesadelos imaginara. Mas a noite lá passada nada é, em comparação com o que acontecerá depois...

Pois bem: Esse é um conto mais longo, um dos que mais gostei. A maior parte da obra de Lovecraft peca pelo excesso de advérbios, como já citei antes: "abismal", "assombroso", "sideral", "inominável", etc. Mas era típico esse estilo no século XIX, onde o terror advinha mais do estilo narrativo do que do fato descrito, em si. O que era descrito naquela época e tido como "terrível", para nós - já tão acostumados a terrores mais anormais do que o mais anormal dos terrores cthulhuenses - soa como simples suspense sobrenatural. Se não for até meio clichê.

Apesar disso, Lovecraft continua e, pelo andar da carruagem, continuará a ser um clássico por séculos a nossa frente. Por quê? Porque seu estilo de narrativa gótica, com o suspense sombrio típico das narrativas 'de medo' do século passado ainda fascina,ainda encanta, ainda comove... justamente pelo estilo pomposo, arcaico, soberbamente sombrio e formal. Porque hoje o terror se torna mais e mais corriqueiro, vulgar, banal. O terror está nos noticiários dos jornais, da internet, nos filmes e séries. O terror de hoje é banalizado demasiadamente. 


Em Tempest Mountain o personagem principal irá protagonizar o investigador das assombrações do Solar Martense, onde viveu a família de Jan Martense, imigrante holandês.

"Sabe-se ainda menos dos descendentes de Gerrit Martense do que dele próprio, pois todos foram criados no ódio à civilização inglesa e educados para evitar os colonos que a aceitavam. Sua vida era muito reclusa e as pessoas diziam que, por causa de seu isolamento, eles tinham-se tornado pessoas de poucas palavras e difícil compreensão. Ao que parece, todos eram portadores de uma peculiar dissemelhança hereditária de olhos, tendo geralmente um olho azul e outro castanho. Seus contatos sociais foram ficando cada vez mais raros até que eles finalmente deram para se casar com a numerosa população servil que havia na propriedade. Muitos degenerados da populosa família cruzaram o vale e mesclaram-se com a população mestiça que mais tarde viria a gerar os desgraçados posseiros. O resto havia-se aferrado com teimosia ao solar ancestral, encerrando-se cada vez mais no clã e desenvolvendo uma reação neurótica às freqüentes tempestades."

A história se torna um enigma alucinante quando ocorrem três desaparecimentos estranhos, o que provocará uma obsessão no protagonista, a fim de elucidar aquilo tudo.

O final? É horrível, como naturalmente são todos os finais de Lovecrat, mas tem uma pitada a mais: É nauseante, bizarro e com um quê de 'maldição' que nos fica martelando na cabeça a seguinte pergunta: Por quê? Por que essa família se tornou tão selvagem e maligna?

Digno de ser lido e relido! 

Share:

1 comentários:

Maurilei Teodoro disse...

O estilo gótico do Lovecraft faz mesmo toda a diferença. Ótima resenha !

bomlivro1811.blogspot.com.br