Família Tradicional e Conservadora, e daí? [artigo]


PARECE QUE estamos vivendo tempos conturbados ultimamente. E com várias questões morais, sociais e políticas que nos andam deixando de orelhas em pé e olhos esbugalhados.

Depois de leis como a PL 122, que causaram certo bafafá no país (lei contra a homofobia), começaram a surgir diversas novas "teorias" ou "sugestões" de novas leis que, de uma forma ou de outra, ferem a liberdade de expressão dos cidadãos e, mais grave ainda, da chamada "família tradicional".

Mas, afinal de contas, você me pergunta. O que tem a ver a família com tudo isso? Bem, família é um termo muito abrangente, segundo certos segmentos políticos do Brasil - como o PT, por exemplo. Até mesmo há uma nova palavra em português, a palavrinha poliamor [1] (do grego 'poli' - muitos, e do latim 'amor', ou seja, muitos amores...). Segundo determinados psicólogos e movimentos sociais [2], o poliamor é uma nova face do relacionamento humano, onde a monogamia é deixada de lado em benefício de relacionamentos diversos, onde uma "família" poderá ser integrado por dois, três, quatro ou até mais casais... Todos convivendo dentro da "maior ética, respeito e responsabilidade"

Agora, cá entre nós: Isso pode ser chamado de "amor", múltiplo, numeroso ou seja lá qual for o adjetivo? Isso jamais poderá ser chamado de "relacionamento amoroso" e menos ainda, familiar. Que me desculpem os defensores de tal barbaridade, mas isso sim nos remete aos tempos das cavernas... Isso sim, é um retrocesso.

Deixando de lado essa perspectiva lúgubre das relações "amorosas", voltemos ao tema da família tradicinal. Um site, o Consciência.blog.br, catando uma foto de família (provavelmente cristã), escreveu um artigo intitulado "O racismo da defesa exclusivista do molde “cristão” de família", onde o autor critica a família tradicional, alegando que "Os militantes conservadores consideram “pecaminosos” e “desviados” aqueles modelos de família que destoem do padrão branco-europeu e burguês de um casal heterossexual monogâmico acompanhado de poucos filhos."

Em primeiro lugar: "militantes conservadores" que consideram pecaminosa uma família que não seja branca (leia-se, de "origem europeia"): Isso não existe. O Brasil, por sua própria constituição multirracial, é um grande caldeirão onde se fundem todas as raças, etnias, culturas e origens. Aqui inexiste essa coisa de "nobre", "aristocrático", "branco-europeu", porque nenhum descendente de europeu por aqui é puro - famílias de "sangue puro", se é que ainda existem, seriam as de imigrantes chineses e/ou asiáticos recentes, que talvez mantenham certo distanciamento dos nativos nacionais por uma questão intrínseca que foge ao nosso entendimento. Quanto ao "branco-europeu"... Isso é brincadeira, não é mesmo?


Em segundo lugar: "...burguês, de um casal heterossexual monogâmico acompanhado de poucos filhos." Burguês, o que seria isso? Querem dizer família de classe média, suponho. 



O que é, de que se compõem a tão famigerada "classe média" que a militante petista Marilena Chauí disse "odiar" tanto? [3] Bem, que eu saiba, eu própria sempre fui de classe média e isso não significa ser "rico" ou pertencer a aristocracia. Ademais, essa história de que existe no Brasil uma "elite branca", segundo discurso do ex-presidente Lula e da presidente Dilma, em uma declaração à jornalista Renata Lo Prete, da Globonews, é um verdadeiro absurdo. O que há no Brasil é uma elite financeira, não racial, senhores Lula e Dilma. Essa frase é claramente preconceituosa, estranha, incitadora de ódios raciais, vindo justamente de um governo que se diz "contra os preconceitos e a favor dos direitos humanos". Por que não usaram a frase certa, "elite financeira"? Porque, naturalmente, eles estariam inseridos nessa elite.


E continuando: "...de um casal heterossexual monogâmico acompanhado de poucos filhos". Casais heterossexuais são a maioria e monogamia é algo bastante normal, correto? Ou será que devemos então considerar a aberração citada no início do artigo, o tal do "poliamor" (em outras palavras, suruba) como algo normal? Naturalmente, em tempos de mudanças tão opressores na sociedade e em que o que é tradicional, moral e ético está sendo tachado de "ultrapassado", em que as palavras "pai" e "mãe" já estão sendo consideradas como "preconceituosas" e poderão ser abolidas das certidões de nascimento, tudo é possível. Com relação à famílias homoafetivas eu, para ser sincera, não conheço nenhuma. Nenhuma mesmo - e isso não significa que eu seja contra os homossexuais ou que tenha algum preconceito contra casais homossexuais. De jeito nenhum: Apenas digo com toda sinceridade que, se existem famílias nesses moldes, devem pertencer a outros países e/ou culturas, pois até hoje não conheci nenhuma.

E, de minha parte, declaro-me abertamente conservadora no que diz respeito à família tradicional, ou seja, a família composta de por pais amorosos, filhos - biológicos ou adotivos, avós, tios, tias, sobrinhos, etc. Se é uma família de apenas um filho, de dois, de vários. Se é apenas composta de um tio e alguns sobrinhos. Ou de avós e netos. Seja a família de que raça, religião, região, cultura, etc., for. E essa história de que a "família cristã é de molde alvi-eurocêntrico e burguês" é um  palavrório vazio, sem nenhum sentido, de forma alguma em acordo com a realidade, já que sabemos o quanto as famílias brasileiras são heterogêneas em suas origens, suas cores, suas crenças, raízes, ideologias e filosofias de vida.



Isso para mim é ser conservador e cristão: A consciência de que a família é a base e o sustentáculo da sociedade, já que é a partir dela que o indivíduo forma seu caráter e se prepara para a vida. 

Admiráveis famílias brasileiras! Fico aqui, com uma pequena homenagem a todas as famílias do Brasil e em lembrança da minha família de origem, tão "burguesa e branca" quanto todas as famílias do Brasil - que na verdade é um arco-íris de raças.


REFERÊNCIAS E LINKS:

1.. Artigo da Wikipédia [http://pt.wikipedia.org/wiki/Poliamor ]

2.. International Conference on Polyamory & Mono-Normativity 



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5 comentários:

Pat Kovacs disse...

Fico pensando qual a estrutura familiar a pessoa que afirma tais barbaridades tem. Se é que tem estrutura e tem família.
Se vem de uma "família tradicional", não passa de um porco hipócrita. Se veio de uma "família tradicional" mas desestruturada, a culpa disso são de seus membros e não da sociedade.
Se não vem de nenhuma família, é apenas invejoso.
Seja lá pra que lado se olhe, só se verá o negativo da afirmação de que a "família tradicional" é nociva.

Tim Skill disse...

a minha familia e tradicional, demais, e sou gay mas eles nao sabem, tenho um namorado e quero fugir com ele, eu fico pensando minha familia so me apoia quando estou dentro das normas de vidas deles por isso e que eles amam uma farsa do que eu nao sou, fico esperando por um futuro onde as pessoas sejam bem mais liberais e que eu possa viver meu amor em paz pq e triste vc nao poder contar pra sua familia o que te faz feliz,u.u

Flp 2 disse...

Simplesmente fantástica seu texto, em meio a tanta podridão nos sites da internet, achei esse poste claro e racional, preciso fazer um trabalho sobre família, e hj oq se acha são apenas textos distorcidos que querem te levar ao abismo.COM certeza me espelharei neste para fazer o meu....Parabéns a escritora !!!!BRASIL FORÇA E HONRA!

Jossi disse...

Flp 2, obrigada. Eu não consigo conceber um tipo de família que seja uma aberração, com vários pais ou várias mães (como prega o tal 'poliamor'). Isso seria como "cuspir no prato civilizacional" em que comemos, desonrar nossa herança ancestral, desonrar nossos pais, avós, bisavós, etc. e toda nossa cultura. É preciso que quebremos o discurso esquerdista: não visamos desprezar ou "pregar ódio" a ninguém, pelo contrário. Respeitamos os homossexuais, pois a liberdade é o bem maior de nossa civilização. Respeitamos as escolhas das pessoas, desde que não transformem as nossas famílias - pilares da pátria, da cultura e da moral - em uma bagunça qualquer, sob a bandeira da ideologia de gênero e da imoralidade.

Jossi disse...

Tim Skill, sim, é compreensível que você não se sinta feliz, sendo homossexual e sem poder conversar com sua família sobre isso. Mas existem 'casos' e 'casos'. Como eu falei no artigo, nossa luta não é contra os homossexuais, nem contra os gays e lésbicas, etc. O que friso aqui, é que os movimentos políticos USAM VOCÊS, homossexuais, dizendo-se 'esquerda libertária', que de 'libertária' só tem o nome. NÃO SE ENGANE, a conversa do movimento LGBT não é a favor dos homossexuais. Eu tenho muita preocupação com esse aspecto desses movimentos falsamente favoráveis aos homossexuais, às mulheres, aos negros. Na verdade, esses movimentos são POLÍTICOS, não tem nada a ver com proteção às liberdades individuais. Eles estão usando as minorias, como homossexuais, mulheres, deficientes físicos, estrangeiros, etc., para jogar uns contra os outros. Repare na briga que estão fomentando. Nunca, desde que me conheço por gente, vi tanta agressão entre negros x brancos, homossexuais x heterossexuais, homens x mulheres, ateus x cristãos, patriotas x imigrantes!

Quanto ao seu caso, por acaso você conversou com sua mãe? Geralmente, as mães tem uma tendência a compreender melhor os filhos. E dificilmente uma mãe rejeitará um filho(a) por ser homossexual. Pense nisso. ;)