Tess Gerritsen - O Dominador [resenha]



Após o estrondoso sucesso em O Cirurgião, a personagem Jane Rizzoli está de volta em mais um livro empolgante. Aqui não existem estereótipos. Jane Rizzoli é durona, mas também humana; e seu nêmesis, Warren Hoyt, é genuinamente perverso, sem nenhuma sombra de culpa ou remorso por seus crimes. Ainda mais perturbador e eletrizante, O DOMINADOR continua a trama do romance anterior. Depois de levar para trás das grades o psicopata Warren Hoyt - mais conhecido como "O Cirurgião" -, a detetive se vê diante de um maníaco que reproduz as assustadoras atrocidades de Warren. No decorrer das investigações, Jane vai descobrir que há muito mais ligações entre os dois assassinos do que ela supunha.

O QUE ACHEI:

Quando se supunha que o horror tinha terminado - em O Cirurgião - eis que a tortura prossegue! Neste livro, que li lentamente e com entusiasmo cada vez menor à medida que as atrocidades do "aprendiz de feiticeiro" iam se tornando piores, Jane Rizzoli se mostra mais simpática que no primeiro livro. E muito, muito mais humana e sensível.

Se no livro anterior temos uma policial correta, porém dura e severa, que sofre por ser considerada "feia e chata", neste livro ela desabrocha para a vida, apesar da tremenda perseguição que vai sofrer com o vingador do monstro (do assassino do livro anterior). E vai até render algum romance, entremeado, é claro, de cenas macabras, sangrentas, ambientes inóspitos e cheios de cadáveres e outras coisinhas arrepiantes e nada saudáveis para a mente...

Como no primeiro livro, esse aqui me fez frear a leitura. Não gosto, não estou gostando desse estilo cru e "realista" que Gerritsen tem de mostrar cenas de revoltante crueldade e flashes da mente psicopata. Este criminoso, que não sofre as penas da sensibilidade humana normal e não se cansa de ficar imaginando outras cenas, mais e mais dantescas, nos enoja duplamente: Pelo que faz e pelo que deseja fazer às mulheres.

Outro ponto de crucial importância nesse tipo de literatura, é a preferência dos escritores policiais (tais como Gerritsen, Chelsea Cain, Patricia Cornwell, Stieg Larsson, Asa Larsson, etc.), de mostrar assassinatos de mulheres - e com todos os requintes de crueldade imagináveis. Entendo isso como um pendor estranho (principalmente quando se trata de escritoras), já que nós mulheres geralmente temos nossa sensibilidade mais aguçada e menor tolerância à cenas cruéis, macabras ou de tortura. No entanto, é exatamente o que vem acontecendo na literatura policial.

Estava lendo essa série, e já iniciado o terceiro livro - na esperança de que algo, alguma coisa mudasse nos cenários - mas percebo que vai seguir sempre a mesma linha. Não é possível que o clima mude, já que Gerritsen trabalha com a atuação de uma policial e uma médica legista. E, mesmo que no terceiro livro (O Pecador), a "Doutora Morte" - como é chamada pelos conhecidos a Dra. Isles - se mostre mais humana e sensível - o clima do livro é ainda mais medonho. Tratará já de cara do assassinato crudelíssimo de duas freiras... Naturalmente os leitores cristãos irão apreciar ainda menos esse livro.

Enfim, "O Dominador" é da mesma cepa do "O Cirurgião". E no final, engraçado... nunca parece que o mal foi derrotado. É como se sempre ficasse uma pontinha solta que fará com que toda a trama se desmanche.



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