Tess Gerritsen - O Cirurgião [resenha e crítica]


Tess Gerritsen é a nova revelação norte-americana do thriller médico. Aclamada por seus fãs como uma versão feminina de Robin Cook, seus romances chegaram às principais listas de mais vendidos nos EUA. O CIRURGIÃO, seu primeiro romance publicado no Brasil, teve os direitos de publicação vendidos para vários países, entre eles Alemanha, França e Itália. O livro narra a história de um serial killer que invade o quarto de mulheres à noite para dissecá-las vivas, arrancando seus úteros.



O QUE ACHEI:

Meu primeiro contato com essa autora nipo-americana foi com o livro "Gravidade" - que mistura thriller médico, suspense e ficção científica (também resenhado aqui). O segundo, foi "Corrente Sanguínea", outro thriller só que não tão... médico assim. É mais um suspense-terror bastante profundo e forte, que prende o leitor pelos sinuosos meandros do mistério, do funesto, do horror indizível e dos segredos da narrativa.

Quando peguei a série "Rizzoli & Isles" [que virou um seriado televisivo, como a maioria dos bestsellers internacionais de língua inglesa, obviamente...], pensei que sentiria a mesma emotividade, a mesma ansiedade para desvendar mistérios e punir bandidos. Ou pelo menos, para chegar a uma conclusão plausível no final da história, que ao menos satisfizesse a minha "sanha de leitora curiosa".


Não foi tão bom na minha opinião, como os dois primeiros livros independentes. Eu detesto séries, pois elas fazem com que você fique preso a uma determinada personagem por infindáveis livros. E, sinceramente? Não sei como essses autores estrangeiros (porque no Brasil os autores de livros em série são poucos, sendo as séries compostas de no máximo, 3 livros) conseguem ficar repetindo incansavelmente sobre a vida da criatura-protagonista, narrando e narrando diversas vezes tudo o que aconteu na sua vida, seu temperamento, seu jeito, sua aparência. Eu até pensei em criar uma série infanto-juvenil, mas com livros que podem ser lidos "à vontade", sem uma ordem pré-estabelecida e com um personagem de características marcantes e que possam ser resumidas em uma brevíssima descrição - cansa o autor, cansa o leitor ler repetidas vezes a descrição do mesmo protagonista.

Essa série de Gerritsen poderia ser muito boa, e talvez até seja para a maioria dos leitores: Tem duas protagonistas [na série de tv elas são o protótipo das anglo-americanas lindas-e-maravilhosas] inteligentes e corajosas, vários vilões terríveis, mistérios aparentemente insondáveis mas que acabam sempre desvendados... E no geral, seus vilões acabam pagando (mais ou menos) pelos seus crimes.

Entretanto não consigo mais ler tanto livro sobre mortes sangrentas, crimes horrendos, psicopatas com as mais degradantes taras e protagonistas que "adoram" cadáveres! Sim, as novas séries policiais deixaram de lado aquele elegante e charmoso estilo "Agatha Christie" de ser. Não mais existem os livros de mistério apenas pelo mistério ou os bons suspenses psicológicos e de aventuras. Ou mistérios que envolvam bons detetives, charmosos "Monsieurs" Poirots, Maigrets, Sherlocks Holmes, engraçadas Misses Marples, corajosos detetives como James Bond e afins. Hoje em dia os livros teimosamente batem sempre na mesma tecla, nos enchendo de náusea, horror e depressão: Assassinos em série, chacinas nojentas, muito sangue, muitos corpos em decomposição, descrições aflitivas de necrotérios ou cemitérios. E o pior... é que os leitores parecem apreciar essas coisas deprimentes, tanto é que os livros sobre isso se sucedem aos montões: Tess Gerritsen, Patricia Cornwell, Asa Larsson, Chelsea Cain e por aí afora.

Muito bem, parece que minha digressão desta vez foi forte, mas acho que é uma boa maneira para nos introduzirmos no mundo de "O Cirurgião" de Gerritsen.

Como diz na prórpia sinopse, o psicopata é o responsável pelo assassinato de mulheres de maneira muito típica. Ele usa métodos e instrumentos médicos e faz seus cortes (as descrições detalhadas são totalmente mórbidas) e sua tortura das vítimas de maneira profissional. Detestei esses detalhes.

A detetive Jane Rizzoli é o personagem mais cativante da história, uma morena entroncada [pela descrição do livro, nada parecida com a castanha clara alta e esguia do seriado], birrenta, valente e em eterna disputa com os seus colegas homens. De certa forma, esse temperamento agressivo e esse jeito de menina brigona de Jane a torna mais humana, mais normal aos olhos do leitor. 

De início ela parece antipática, o oposto da protagonista-chave, que na verdade é uma "protagonista temporária" (apenas nesse livro) e que é a moça (médica) perseguida pelo estranho psicopata com pendores para cirurgião.

Daí o título do livro.

O enredo seria muito bom se o enfoque fosse menos brutal. Afinal os leitores querem fugir um pouco da rotina, mas não se desviar tanto assim, não é? Crimes tão hediondos existem sim, temos aí nos noticiários todos os dias. Coisas tenebrosas. Então não seria mais elegante, mais interessante e agradável ficar-se envolvido e curioso, sem esbarrar-se com tantas descrições macabras? Como nos bons romances policiais do passado?

Enfim essa é a minha opinião. O livro, como eu disse, peca por esses detalhes mórbidos descritos exaustivamente, mas brilha pela trama bem bolada da escritora e pelo final bem trabalhado.

Lembrando que... aqui a legista Dra. Isles aparece muito pouco, mas será mais atuante nos demais livros dessa série... que eu, sinceramente, não sei se terei estômago para ler.


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4 comentários:

Sueli disse...

Você tem toda razão, o nível de violência está ficando insuportável.
Porém, não abro mão da série Mortal, da Nora Roberts. Adoro as descrições repetitivas, tanto da Eve, quanto do Rourke...
Parabéns pela resenha,
;0

camilla ffaría disse...

eu particularmente acho a série ótima, mas normalmente o livro não é tão bom assim.

resenhaabutre.blogspot.com

Jossi disse...

Pois é! A série de tevê deve ser melhorzinha, mas esses livros... vou te contar! Dão "embrulho no estômago", esse negócio de médico legista, argh!!!

Jossi disse...

Oi, Sueli!
Então... a série 'Mortal' tem uma diferença enorme dessa série aqui: é mais focada nas leitoras e tem mais romance. O casal Eve/Rourke é muito simpático e os crimes são descritos de outra forma, menos assustadora.
Bjos!