Paula Brackston - A Filha da Feiticeira [resenha]


Uma bruxa que é o protótipo do anjo bom...

Meu nome é Elizabeth Anne Hawksmith, tenho 384 anos. Cada era exige um novo diário. Assim sendo, começa este Livro das Sombras. Estreia de Paula Brackston no Brasil, A filha da feiticeira é uma história repleta de magia e feitiçaria, ideal para aqueles que buscam uma trama fascinante. O livro é maravilhosamente escrito, possui personagens bem-construídos e uma trama que prende o leitor até o fim. 
Editora Bertrand Brasil, 2013


O QUE ACHEI:

De início, achei que seria apenas outra história vazia, mais voltada ao público adolescente e ao entretenimento fútil. Fique surpreendida de modo agradável, porém, ao notar que a história não era apenas mais um romancezinho água-com-açúcar-adolescente, mas tinha todo um contexto histórico bastante desenvolvido e rico em detalhes e descrições de locais e culturas do passado.

Esse aspecto diferencia uma boa obra - seja ela infantil, juvenil ou para jovem adulto - de uma obra meramente descartável.

Tem um bom ritmo narrativo, um ambiente (três ambientes, na verdade) convincente, retratando de maneira vívida, principalmente, a vida de uma família de camponeses medievais. 

Gostei muito dessa primeira parte da vida de Elizabeth, bem como do enfoque dado à perseguição às bruxas - tema esse bastante batido e rebatido atualmente, mas que dá margem à inúmeros pontos de vista e divergências. Inclusive é um dos argumentos usados, atualmente, para uma certa "implicância" de agnósticos e ateus contra a religião cristã. Mas enfim, o fato é que o assunto dá um bom caldo de opiniões e debates. E de enredos literários, claro.


Paula Brackston me pareceu estar bem a par das diversas vertentes da feitiçaria moderna, moldando sua história em torno de duas principais: A feitiçaria voltada à natureza, a Wicca moderna; e a magia negra, esta sim, voltada totalmente aos poderes e caminhos da chamada "mão esquerda" pelos esotéricos.

Gideon Masters encarna o vilão charmoso e perigoso, figura típica e meio clichê. Aliás, clichês não faltam e nem por isso a história é menos gostosa de ler, encantadora pela mensagem que passa através de sua corajosa protagonista, Bess e pelo valores morais que ela defende: Sendo uma bruxa "boazinha" até o fim, Bess não hesita em tentar resgatar o seu erro (ou talvez o erro de sua mãe), por ter sido iniciada numa prática tão maligna.

Um livro bacana, interessante, com muitas cenas de suspense, comoção (principalmente quando Bess nos relata o seu passado) e o melhor: A mensagem positiva de que, por mais revezes que enfrentemos na vida, a esperança é sempre uma luz maravilhosa... E nunca devemos nos render à dor, ao sofrimento e à perseguição dos maus.


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3 comentários:

Panthera disse...

Muito legal a sua resenha, parabéns!!! Eu também gostei d++ desse livro, apesar de achar as partes da guerra muito chatins... Mas adorei conhecer os rituais wiccanos e as diferenças entre as magias... :D

Manu Stark disse...

Eu não li esse livro, mas após ler essa resenha fiquei bastante interessada, parece ser aquele tipo que te prende, do começo ao fim.

Manu Stark disse...

Eu não li esse livro, mas após ler essa resenha fiquei bastante interessada, parece ser aquele tipo que te prende, do começo ao fim.