Henry James - A outra volta do parafuso




Uma volta meio esquisita...

A Outra Volta do Parafuso é um excepcional conto de horror. No século XIX, governanta inglesa chega a uma mansão no campo para cuidar de duas crianças e descobre que elas podem estar sendo manipuladas pelo espírito de dois empregados.

Editora: Abril
Ano: 1972
Páginas: 289 (edição dupla com o conto "Lady Barberina")
Tradutor: Leônidas Gontijo de Carvalho e Brenno Silveira

O QUE ACHEI:
Primeira leitura que eu fiz: 1981. Livro da Ediouro, formato pequeno e adaptação para jovens, porém que dava certa ideia da dimensão da história.

A primeira vez que li até que gostei, embora o final tivesse me decepcionado e os aspectos psico-sociológicos do conto me tivessem fugido completamente.

Agora, a releitura e um aspecto que todos os resenhadores citam e com o qual, sinceramente, eu ainda não tinha me deparado: Os fantasmas seriam "reais" (se é que se pode admitir como realidade uma existência não-física) ou seria o caso da preceptora um simples caso de esquizofrenia paranoica ou similar?

ATENÇÃO, para quem não leu, a partir daqui revelações do conteúdo da trama.

Enculcada, prossegui na leitura em busca de uma solução, um vislumbre de provas cabais da existência fantasmagórica de Jessel e Quint, etc. e tal.

Pois bem, em momento algum da trama o esperto Henry James deu indício algum de realidade, como também não aponta nenhum dedo acusador contra a preceptora, como poderia se dar através da Sra. Grose - naquele momento da trama em que a boa senhora, seguindo a "senhorita" através dos bosques, vai em busca da pequena Flora que tinha sumido de casa. E que foi encontrada por ambas do outro lado do lago, enquanto o fantasma de Jessel surgia perto, sendo visto apenas pela governanta, embora a pobre Sra. Grose e a menina tentassem avistá-la...


Isso para mim é a maior prova da insanidade da moça, embora o fato de que o rapaz que lê seu diário (o Douglas do início do conto) nada mencione. O que se deduz é que, se a moça fosse alienada ou tivesse tido algum tipo de distúrbio durante sua estada em Bly, isso deveria ter sido mencionado depois - já que, segundo o próprio Douglas, ela trabalhou como preceptora de seu irmão, certamente após sua saída de Bly.

Entretanto o mais provável dessa história é que se  trate meramente de um truque psicológico de James, para "dar um toque exótico" à uma história que, de outra forma seria criticada como previsível e insípida. E com certeza é isso mesmo: Meros truques para deixar o leitor sempre em dúvida... Quem seriam os inocentes nessa história? Os fantasmas estariam mesmo lá? Flora e Miles seriam mesmo duas "crianças más", reagindo aos adultos com astucioso fingimento ou isso era um delírio da governanta?


Mais um livro que deixa tudo "para que você decida". Detalhe e dica: Há o filme "Os Inocentes", de 1961, dirigido Jack Clayton e roteirizado por Truman Capote. Tem Deborah Kerr como Srta. Giddens (a jovem governanta, que no livro não tem nome) e com uma atuação excelente, segundo as críticas. O filme sugere fortemente uma obsessão de cunho mais ou menos sexual (o que a meu ver configura um tom de pedofilia) da jovem governanta pelo menino Miles. Isso põe de lado qualquer dúvida a respeito da sua "loucura". Talvez seja só isso mesmo. Simplista e insosso para um conto de terror (o sobrenatural para mim é indispensável). Mas dizem que o filme é muito bom...

O livro? Bem escrito e, sob meu ponto de vista, com uma história muito superficial e mais psicológica que sobrenatural, mas vale como leitura de um clássico da literatura inglesa que, embora deixando a desejar, sempre pode entreter e dar a conhecer o estilo desse famoso escritor.
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4 comentários:

Arismeire Kümmer Silva disse...

Jossi, o conto (se é que dá para chamar de conto) é interessante para ler, mas o filme de 61 é simplesmente FABULOSO. Eu tenho uma versão remasterizada e não me canso de assistir. É um dos meus filmes favoritos. Está na minha lista dos top 10. Ah, vc precisa escutar a musica que Flora passa escutando na caixinha de música e cantarolando e o poema que Miles recita...
Bj, Aris.

Jossi Slavic Genius disse...

Então, eu tentei assistir uma versão do filme baixada da net, mas sei lá... não consigo me ligar nos filmes da década de 60 para trás (exceto nos clássicos). Parecem bem ingênuos para os nossos padrões atuais, rss. Ou eu é que sou pouco entendida e não muito cinéfila. Ultimamente ando exigindo demais dos filmes (tevê, então, adeus! Só algum noticiário). Seriados legais parecem ter se extinguido também, depois de "Lost" e "Arquivo-x", ficou só "The Walking Dead" e olha lá... Mas talvez eu procure de novo esse filme para rever.

Se você diz que é bom, deve ser mesmo! :)

Arismeire Kümmer Silva disse...

Eu sou suspeita para falar em relação a filmes e seriados, sejam antigos ou recentes,hehehehe. Sou fã até de trash e uma apaixonada pela Hammer ^^
Os Inocentes, no entanto, não é ingênuo se vc levar em conta o que está implícito (sei, eu amo filmes em preto e branco e de assombração). Já séries interessantes (e inteligentes) geralmente são britânicas. A exceção a regra é Hannibal, a série mais brilhante que estou acompanhando no momento. Ela é GÊNIAL!!! Mas é forte, então, só se vc não se impressiona com certas coisas (mesmo assim jamais vi alguém transformar a morte em algo visualmente lindo). Tem Sherlock (BBC) com o fabuloso Benedict Cumberbatch, Doctor Who (sempre me faz rir ou chorar), Mosqueteiros (BBC),Person of Interest (de um dos irmão Nolan - o cara é genial), The Blacklist (vale pela interpretação perfeita de James Spader). Estou no embalo também de From Dusk Till Down, mais daí vc precisa abraçar o trash que Robert Rodrigues fornece, hahahaha. Supernatural, que acompanho desde o inicio, Once Upon a Time, por conta da Regina (Lana Parila) e Rumplelstiltskin (o maravilhoso Robert Carlile). Nossa, eu não assisto novelas mas as séries...são muitas ^^

Jossi Slavic Genius disse...

Nossa! Vc de fato é fã de séries, Aris! :)

Eu terminei de acompanhar "Sob a Redoma" (Under the Dome), baseada no livro do SK, de mesmo nome. Achei fraquinha, mas deu para entreter um pouquinho, hehehe. Outra que assisti, gostei e achei beem forte (tipo do 'nosso gosto', que é mais terror-gótico) foi Hemlock Grove e achei que foi uma evolução no terror-gótico tradicional. Com lances de mistério, sobrenatural, romances impossíveis, ficção científica e coisas assim...

Mas suponho que Hannibal seja baseada no filme (e livro) sobre o assassino Hannibal Lecter, certo? Vi o filme dos anos 80 (ou 90?) e gostei um pouco. Eu tenho certa repulsa por cenas com cadáveres, mas hoje em dia é tudo assim, né? Rss... E alguns filmes-livros-seriados desse tipo são mesmo legais.

:)