Filme: O Despertar (The Awakening)



O Despertar, do original inglês: "The Awakening"

Em 1921, a Inglaterra sofre com as perdas e o luto deixados pela I Guerra Mundial. A cética Florence Cathcart, especialista em desvendar fenômenos paranormais, é chamada para visitar um pensionato e explicar as visões do fantasma de uma criança. O caso, porém, colocará em dúvida tudo aquilo em que ela pensou acreditar até então.

Gênero: Suspense
Ano: 2011
Duração: 107 minutos
Origem: Reino Unido
Distrubuidora: PlayArte Pictures
Direção: Nick Murphy
Roteiro: Stephen Volk e Nick Murphy

Elenco:
Rebecca Hall
Dominic West
Imelda Staunton
Lucy Cohu
John Shrapnel
Diana Kent
Richard Durden
Alfie Field
Tilly Vosburgh
Ian Hanmore
Cal Macaninch
Isaac Hempstead Wright
Anastasia Hille
Andrew Havill
Joseph Mawle.

O QUE ACHEI:
Eu estava terminando uma releitura de "A Outra Volta do Parafuso" de Henry James e ainda um pouco contrariada com o rumo do conto, procurava na net algumas opiniões, resenhas e análises da história. Deparei-me com um blog ou site onde, por simples acaso, um comentário mencionou esse filme, junto com "Os Outros" (do diretor Amenábar). "Os Outros" eu também assisti há cerca de três ou quatro anos e, céus e céus, que filme arrepiante! Então pensei: Se esse filme, The Awakening, for da mesma qualidade de "Os Outros" quero ver e logo!

Pois é, assisti... E o quanto gostei imensamente! 
O suspense tem todo o clima tenso, sombrio e gótico de "Os Outros", "A Mulher de Preto" (baseado  no  livro de Susan Hill) e mesmo de "Os Inocentes" (filmagem do conto citado de Henry James). Em todos esses roteiros há a mesma 'sombra', um quê de sobrenatural, irreal, fantasmal, abissal. Ou seja, o leitor ou espectador sente arrepios que vão além do simples susto ou da náusea dos filmes de menor categoria.



Em "O Despertar" vamos conhecer uma trama bastante similar à do livro "A Outra Volta do Parafuso", com praticamente os mesmos elementos que caracterizam essas obras de terror gótico mais profundo: Uma mulher em perigo, um casarão mal-assombrado, uma governanta 'bem intencionada', um (ou mais) fantasmas e... aham, um clima de terror psicológico que é mais violento do que uma cena tipo terror-nojento de "Sexta-Feira Treze" ou "O Massacre da Serra Elétrica".

A jovem atriz Rebecca Hall interpretou com maestria a escritora cética, autora de um livro que fala de fraudes e rejeita o mundo espiritual e os fantasmas, principalmente. Mesmo assim, acaba sendo convidada pelo professor Robert Mallory, do internato de meninos Rookford, onde, segundo ele, as aparições de um pequeno fantasma (de menino, claro) é visto e até fotografado. Essas fotos só provocam em Florence um pequeno ar amuado e ela fala que existem muitas formas de se forjar aqueles tipos de "imagens fantasmagóricas" numa foto.

Ela reage com frieza e desprezo ao convite do homem, mas já nas primeiras cenas percebe-se que seu temperamento frio esconde uma mulher triste e frágil. Afinal, ela perdeu o noivo na guerra... 

A história prosseguirá e Florence irá a Rookford, onde conhece a governanta, Maud - uma senhorinha de rosto simpático adornado por um largo coque de cabelos cinzentos. Essa senhora estará em cena quase o tempo todo - e seu papel vai ser crucial na trama, podem crer.

Quanto a Rookford, é um casarão típico de filmes de assombração e assim que o vi, pensei: "Isso não é um internato, nem uma escola ou algo do gênero... dentro de um mausoléu desses é claro que devem existir fantasmas".


Enfim, o clima vai ficando tenso, denso e com todo aquele ar de terror inglês à la "A Assombração da Casa da Colina" (outro clássico do terror gótico, escrito por Shirley Jackson), enquanto algumas cenas são uma flagrante imitação de Henry James e seus inocentinhos Flora e Miles. Uma cena dessas é quando Maud, abraçando o menininho (lindo, por sinal!), afasta-se da histérica Florence e o garoto sai correndo de perto, acusando-a de ser "má" e dizendo que "a odiava". Não é uma cópia exata da cena em que a Sra. Grose abraça Flora e esta olha para a preceptora com raiva, dizendo que a odiava, enquanto a pobre "senhorita" histérica olhava para o fantasma da Srta. Jessel, perto do lago?


Pois é... o filme é intenso. E quando a gente chega próximo do final e se imagina uma porção de tolices (dá pra viajar na trama, tentando adivinhar o que é loucura e o que é 'fantasmagoria real', o que vai acontecer com Florence... quem vai morrer, quem não vai...), tcharam! Outras surpresas! Das mais ousadas, diga-se de passagem! Um final terrivelmente assustador, quase doloroso para quem assiste e se retorce na poltrona, pensando "céus, que horror... pobre mulher!". Uma surpresa para Florence - horrível. Uma constatação - um mergulho profundo em seu próprio inconsciente que guarda chaves do seu passado... E, afinal, as explicações finais. Mas quando estas chegam, ainda não é o final: Outra cena ainda mais dramática vai colocar todos nossos cabelos em pé!

E, bem na última cena, o suspiro da plateia comovida. Sim, em alguns momentos você até poderá chorar, pois o filme tem um drama oculto por trás de todas as cenas de terror fantasmagórico. Um drama familiar e pessoal que ninguém, em sã consciência, quereria viver. Ou relembrar.

Nota 10 para esse excelente filme! Top 10 dos melhores de terror-suspense! Recomendadíssimo!

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2 comentários:

Arismeire Kümmer Silva disse...

Achei este filme bem legal ^^
Ia ser interessante ler a história.
Bj, Aris.

Jossi Slavic Genius disse...

Sem dúvida! Esse filme me prendeu bastante, e olha que ando chata pra assistir filmes, rss... Valia a pena um livro dele. Por que não escrevem? É até melhor que "A Mulher de Preto" de Susan Hill (mesmo sendo esse livro um dos top 10 de suspense para mim).

Bjo!