Jeannine Garsee - Atormentada [resenha]

Várias almas em tormento...

Sinopse:
Rinn é uma garota bipolar, que mantém o transtorno sob controle com a ajuda de medicação. Ela mora com a mãe e estuda no Colégio River Hills, onde dizem que a piscina é assombrada por Annaliese, uma adolescente que se afogou ali vinte anos antes. Quando coisas terríveis começam a acontecer aos seus colegas e não a ela, Rinn promete descobrir por que não pode ser “atingida” pelo espírito de Annaliese. Ela consegue fazer contato com o fantasma, que não se mostra nada pacífico. Ao descobrir o motivo, Rinn pede ajuda para seu namorado Nate, e elabora um perigoso plano para descobrir a verdade. Logo realidade e fantasia se confundem, até Rinn perceber que é quase impossível diferenciá-las. Diante de uma força malévola que ameaça a vida de todos de quem ela gosta, Rinn se pergunta se de fato pode confiar no que sente ou se está novamente perdendo o contato com a realidade.

O QUE ACHEI:

Uma história muito curiosa, envolvente e, em alguns momentos, bastante perturbadora, apesar de que, no meu entender, a autora exagera na fantasia quando cria seus momentos "sobrenaturais".

Achei que esse livro fugiu um pouco dos clichês enjoativos para livros de adolescentes ou leitura "jovem adulto". Por dois motivos:

1- Trata do tema da doença mental - em jovem ou adulto, tanto faz. A doença mental funciona da mesma forma para todos e a autora trata do tema com desenvoltura.

2- O terror mais psicológico do físico, propriamente.

A história fala de Corinne, uma jovem com transtorno bipolar que, além de sofrer com um passado confuso, turbulento, entre relacionamentos conflituosos com os pais e os ocasionais "namorados", drogas e alucinações, agora terá de enfrentar uma poderosíssima força sobrenatural...

Para não contar o que não devo aos futuros leitores, não vou me estender sobre fatos relatados na trama, mas apenas no que senti ao ler. 


A narrativa é rápida, leve e até certo ponto, superficial. A temática da doença mental é interessante, pois dá aos jovens leitores uma ideia do quanto pode ser terrível sofrer-se de tal transtorno, além de alertar sobre a questão de se portar com cuidado, obedecer aos pais (já que a autora mostra com clareza o quanto a família de Rinn é a verdadeira base de sua vida) e ficar longe de más companhias.

Uma coisa de que não gostei, foi a "enlouquecedora" mistura de realidade sobrenatural com visões que eram exclusivamente fruto da doença mental. Isso nos deixa a nós, leitores, perturbados também, rs. Embora tenha sido justamente esse o efeito que a autora talvez, quisesse passar: Um clima mórbido, doido, confuso e irreal, como deve ficar (infelizmente e lamentavelmente) a cabeça de uma pessoa com essas doenças. É triste, é terrível. 




Imaginar-se como uma pessoa doente mental fica, como age e como 'pensa', isso quando consegue 'pensar'. Muito assustador mesmo, e talvez, até seja um alerta para os sãos, os que tem boa saúde física/mental, sobre como tratar os psicóticos, os que tem esses transtornos: Não com desprezo ou medo, mas com compreensão e carinho, pois é doença como qualquer outra. 

Outro ponto negativo - na narrativa - foi o destino nebuloso de alguns personagens. Talvez tenha sido o gancho para uma continuação, mas não creio que eu iria querer uma continuação dessa história. Para mim deu o que tinha que dar: Assustou, perturbou (não pela história sobrenatural, mas pela descrição da doença mental), teve altos e baixos, suspense, romance... e uma conclusão. Ponto final.

A conclusão, apesar de estranhíssima, é típica de filmes modernos de terror... Nada demais. Nada de finais onde "o bem vence o mal", o que eu preferiria, mesmo sendo lugar-comum. Nada de cenas idílicas. Mas também foge bastante dos finais macabros de Stephen King e outros 'seguidores do rei-do-terror'.

Enfim, bom entretenimento (apesar de perturbar muito, como já citei). Quem gosta de curtir um livro estilo "filme-de-terror-jovem-adulto", com cenas mais ou menos mórbidas e um suspense típico, pode ler sem medo.

As moças que preferem mais um estilo "Crepúsculo" (que aliás, também é citado no livro), com vilões-mocinhos bonitões, grandes e drásticas reviravoltas e romances "épicos" podem se decepcionar.


Share:

0 comentários: