Herman Koch - O Jantar


Em uma noite de verão, dois casais se encontram em um restaurante elegante. Entre um gole e outro de vinho e o tilintar de talheres, a conversa mantém um tom gentil e educado, passando por assuntos triviais como o preço dos pratos, os aborrecimentos do trabalho, o próximo destino de férias. 

Mas as palavras vazias escondem um terrível conflito, e, a cada sorriso forçado e cada novo prato, o clima fica ainda mais tenso. Um fenômeno best-seller internacional, um suspense sombrio, conto altamente controverso de suas famílias que lutam para tomar a decisão mais difícil de suas vidas no percorrer de uma refeição. É noite de verão em Amsterdã e dois casais se encontram em um restaurante da moda para jantar. Entre garfadas de comida e raspadas educadas de talheres a conversa permanece um zumbido suave de discurso educado - a banalidade do trabalho, a trivialidade das férias. 

Mas por trás de palavras vazias, coisas terríveis precisam ser ditas, e com cada sorriso forçado e cada novo rumo as facas estão sendo afiadas. Cada casal tem um filho de quinze anos de idade. Os dois meninos estão unidos por sua responsabilidade por um único ato horrível, um ato que provocou uma investigação policial e quebrou as confortáveis e isoladas vidas de suas famílias. A medida que o jantar atinge seu clímax culinário a conversa finalmente toca em seus filhos. Assim como a civilidade e amizade desintegra-se cada casal mostra o quão longe eles estão dispostos a ir para proteger aqueles que ama. Uma escrita tensa e incrivelmente emocionante, contada por um narrador inesquecível, O Jantar promete ser o tema de inúmeros jantares. 

Espetando tudo, desde os valores dos pais, menus pretensiosos a convicções políticas, este romance revela o lado obscuro da gentil sociedade e pergunta o que cada um de nós faria em face de uma inimaginável tragédia.


O QUE ACHEI:

Uma história amoral!

Como muitos resenhistas disseram, "O Jantar" começa de forma leve, tranquila. É como se fosse uma comédia de costumes, o relato mais profundo sobre a vida doméstica holandesa e a vida de alguns membros da alta sociedade desse país.

Um dos casais, o narrador e sua esposa (mais filho) são uma família classe média. O outro casal é composto do candidato a primeiro-ministro da Holanda e irmão de Paul, o narrador-protagonista.

De início, tudo leva o leitor a simpatizar com o casal narrador-e-família, por aparentare ser um casal normal, preocupado com algum problema familiar que os deixa extremamente preocupados, perturbados.

A história toda é contada durante um jantar num restaurante elegante, um restaurante para as classes altas e o tempo todo Paul se mostra irritado contra o irmão, Serge (o rico, elegante, bem-sucedido mas também "intragável e arrogante").


A impressão que passa é que ambas as famílias estão desesperadas, mas à medida que o "jantar" vai se passando, vem o aperitivo, as bebidas, o prato principal, etc, a narrativa se desenrola através das memórias de Paul.

Ele vai contar o que seu filho de quinze anos, Michel e o filho de Serge, Rick, fizeram. Algo terrível. Uma monstruosidade...

Mas, curiosamente, ele não parece se mostrar um pai tão preocupado com o lado criminoso, abominável, do comportamento de seu filho. Preocupa-se, isso sim, com o medo de perdê-lo, com o medo de que a polícia descubra o que ocorreu, o medo de que seu irmão Serge "invente" algo que ponha a sua "felicidade familiar" (artificial, a meu ver) em risco.

O livro é perturbador, principalmente a partir do "prato principal", quando as coisas todas são abertas e mostradas - ainda que parcialmente - ao leitor.

Quando se pensa que aquilo é tudo, que tudo o que sobrará na história é o desespero das famílias, há uma nova reviravolta na narrativa.

Veja bem, 'na narrativa', o que não significa que a história mudará de rumo a partir do momento presente. O que vai ocorrer é que o narrador Paul vai contar mais alguns segredos (cabeludos) sobre seu passado. Ele contará fatos sobre o que já passou, não sobre 'o que está acontecendo' e essas tais coisas vão trazer luz sobre o presente... A gente passa a entender tudo.

Por quê? Por que o filho de Paul teve aquela atitude? O mais assustador em toda a trama é a atitude daquelas famílias, aparentemente tão elegantes, educadas, corretas.

Tudo neles nos faz sentir nojo: Nojo de seus espíritos dissimulados, da sujeira por baixo do tapete, da maldade, crueldade, conivência.

Gente amoral, pensamos. Gente sem princípios. E a mulher? Tudo nos leva a depositar esperança na consciência e na retidão de Clair, a esposa de Paul... Em vão.

Um livro que revolta, que nos deixa enojados ao pensarmos na possibilidade de que, de fato, esse tipo de gente existe por ai aos milhares. Como cita Ana Beatriz Barbosa Silva, "Mentes perigosas, o psicopata mora ao lado" e "pode ser qualquer pessoa aparentemente normal, o seu vizinho, um parente, um conhecido...". 

É de arrepiar. Aliás, o livro de Ana Beatriz Barbosa Silva também será resenhado em breve e recomendo aos leitores: É muitíssimo bom, bem esclarecedor, mostrando e colocando à luz fatos que, antigamente, eram totalmente ignorados pelo grande público.

O livro de Herman Koch é perturbador, amoral, com um final que provoca raiva e revolta. Não recomendo aos leitores sensíveis e que preferem um bom suspense, não suspenses psicológicos mais profundos.

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