Edgar Allan Poe - O gato preto

  
Um conto de terror, genialmente escrito ou uma alegoria da maldade humana e do mau gosto literário?

Em 'O gato preto', um homem de natureza extremamente sensível e delicada, esposo exemplar e especialmente afeiçoado aos animais, narra as desventuras de sua destruição.

O QUE ACHEI:

O mais abominável, detestável, intolerável e revoltante dos contos de Allan Poe. Não acredito que faltem na narrativa boas qualidades de escrita, interessantes figuras de linguagem e harmonia na composição geral. Falo mesmo da temática, do enredo, da história em si.

Da mesma forma que, para uma mãe ou um pai seria extremamente doloroso ler um livro sobre a morte de um filho bem-amado pela família, assim é para alguém que ama intensamente os animais ler um conto tão perturbador, que verte lágrimas e sangue, como esse.

O mais insano em todo o texto, é o fato de o protagonista é - no início - um homem normal, que ama sua mulher e seus bichinhos. E que ao longo do tempo, por culpa do alcoolismo, vai se transformando.
Achei que Poe pegou pesado, pesadíssimo, nessa história. 

A história dói, dói intensamente. Na primeira vez que li, simplesmente desejei atirar o livro para bem longe de mim. Eu tinha cerca de quinze anos e já era apaixonada por gatos. Na foto abaixo, eu e um dos meus bichanos mais amados: Dudu, com cerca de dois anos na época dessa foto.


Sempre tive gatos e amei-os, bem como a muitos outros animais. Até mesmo os cães - que não me atraem por seu temperamento assanhado, seu entusiasmo exagerado e seu cheiro característico... Mas, como não tenho preconceitos, também tive cães e os tratava com o devido respeito e carinho. Os gatos, entretanto, sempre foram minha paixão.

Retornando ao conto de Poe: A narrativa vai envolver o leitor, por mais revoltante que seja. Isso é coisa de um mestre do suspense e do terror, não se pode questionar. Entretanto, na minha releitura (que adiei ao máximo), não me abstive de chorar um pouco. É intenso, forte, doloroso! 
"Quem não se achou centenas de vezes a cometer um ato vil ou estúpido, sem outra razão senão a de saber que não devia cometê-lo? Não temos nós uma perpétua inclinação apesar de nosso melhor bom-senso, para violar o que é a lei, pelo simples fato de compreendermos que ela é a Lei? O espírito de perversidade, repito, veio a causar, minha derrocada final. Foi esse anelo insondável da alma, de torturar-se a si própria, de violentar a sua própria natureza, de praticar o mal que pelo mal, que me levou a continuar e, por fim, a consumar a tortura que já havia infringido ao inofensivo animal. 

Certa manhã, a sangue-frio...

Essa narrativa fala de uma das maiores abominações contra a natureza, humana, animal ou divina, que já foram concebidas: Uma criatura capaz de cometer os atos perversos desse personagem não é humano, é um espírito demoníaco. Simples assim. Não é preciso filosofar muito, pensar, fazer análise de perfis sociopatológicos ou coisas do gênero. Não é gente, é demônio.

Quem ama um ser da natureza, seja planta, gente, bicho, entende o que quero dizer.


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