Dan Brown e seus Códigos: Alguma Verdade Oculta?



Dan Brown e seus Códigos: Alguma Verdade Oculta?

Parece assunto batido, mas depois de ter lido Anjos e Demônios (resenha AQUI), O Código da Vinci e O Símbolo Perdido, de Dan Brown, resolvi aprofundar-me em alguns dos temas que eles encerram, e tentar decifrar algumas das supostas “verdades” que O Código da Vinci sugere. A mim, pelo menos, parece que esse assunto ainda está longe de se esgotar ou cair no esquecimento.


Tudo parece indicar que, mesmo embasado em pesquisas profundas, o autor Dan Brown esbarra com muitas impossibilidades históricas. De acordo com a maioria dos estudiosos, não existe nos Evangelhos da Bíblia respaldo algum às alegações das novas teorias religiosas, de que Jesus foi casado, seja com Maria Madalena ou com outra mulher qualquer. Também não existe, mesmo nos chamados “Evangelhos Apócrifos” ou em textos gnósticos antigos, uma alegação indubitável sobre isso. Diz Darrel L. Bock:

“O Código da Vinci não é mais uma obra de ficção. É um romance vestido de alegações de verdades históricas, com críticas a instituições e credos seguidos por milhões de pessoas no mundo todo”.

É preciso estudar um pouco mais profundamente a História, para se chegar a uma boa conclusão. Algumas perguntas sempre ficam na mente de quem leu O Código da Vinci, como por exemplo: Existe a Opus Dei? A Igreja Católica Romana realmente quis encobrir alguma “verdade”? Jesus foi casado? Qual o papel verdadeiro de Maria Madalena na História Cristã? Ela “foi mais amada por Jesus” do que os demais apóstolos? Outra escritora que seguiu por essa linha e conseguiu captar a simpatia de muita gente (sem nenhuma base realmente confiável), foi Kathleen Mcgowan, em sua série cansativa e fantasiosa O Legado do Anel. Esta foi ainda mais longe que Dan Brown, dizendo-se ela mesma, a autora, uma "descendente de Jesus e Madalena"!


Os livros de Dan Brown combinam uma ação contagiante, teorias conspiratórias e um estilo vertiginoso, efusivo, fervilhante de emoções, por isso são bons. Eu recomendo a leitura de O Código da Vinci, sim, embora eu tenha preferido Anjos e Demônios (por ter mais ação e um final mirabolante), ou o último livro, Inferno. Mas para aqueles que como eu, ficaram com dúvidas, eu recomendo a leitura de alguns livros “auxiliares” que foram lançados logo após O Código, da mesma forma que, para apreciar devidamente o livro Inferno, seria ideal ter lido A Divina Comédia de Alighieri, por exemplo.

Depois de muita reflexão e muitas leituras, chego a conclusão de que nenhuma teoria religiosa fantástica vai mudar o que eu sempre tive comigo, a convicção plena do verdadeiro papel de Cristo, do que Ele foi e do que ensinou. Ou seja, que Jesus não foi casado com Madalena (embora, na época, o casamento fosse quase obrigatório para a maioria dos judeus); que Madalena foi uma discípula fiel, uma testemunha da ressurreição, uma mulher que acompanhou Jesus e o amou tanto quanto os demais discípulos, mas que não foi esposa do Mestre e não pode ser considerada uma deusa. E tampouco, deixou uma “linhagem” de um suposto casamento com Jesus. E finalmente, que Jesus, como Divindade, poderia ou não ter se casado, se ele quisesse. Se ele tivesse se casado, isso não tiraria dele sua Divindade, então… o argumento de que a Igreja Católica “estaria escondendo” tal segredo não faz sentido. Mesmo que ele tivesse se casado – o que não acredito – continuaria sendo divino, isso não macularia sua condição de Filho de Deus. Então, por que a Igreja se preocuparia tanto em ocultar isso? Bem, nesse caso, a Opus Dei de Dan Brown estaria se preocupando à toa.

Enfim, a leitura como diversão é sempre muito agradável. Naturalmente, sempre haverão divergências sobre os vários pontos de vista apresentados nesse artigo, e cada qual pode tirar conclusões diversas, mas leituras complementares são sempre benvindas. Eu sugiro:

- Amy Welborn – Os Mistérios do Código da Vinci – As verdades que o filme não mostra
- John L. Allen – Opus Dei, os mitos e a realidade
- Darrel L. Bock – Quebrando o Código da Vinci
- Margaret Starbird – Maria Madalena e o Santo Graal

 Como filme, sugiro:

Maria Madalena, filme italiano, que traz no elenco: Maria Grazia Cucinotta (Maria Madalena), Danny Quinn (Jesus) e Benjamin Sadler (João Batista).

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1 comentários:

Pat Kovacs disse...

Passei a me interessar por simbologia após O Código da Vinci.
Para mim, se Jesus foi casado e teve filhos, também não faz diferença. Seria natural se fosse verdade - e talvez seja. Mas o que interessa são seus ensinamentos, não sua vida particular.
É nisso que a humanidade perde: se preocupa em endeusar pessoas, mas não presta atenção nos exemplos e ensinamentos que passam.