Michelle Paver - Noite Polar


Noite Polar - Michelle Paver
Em janeiro de 1937, Londres já pressente a guerra. Pobre, sozinho e em busca de uma vida melhor, o jovem Jack agarra a chance de embarcar numa expedição ao Ártico. Mas na baía de Gruhuken, onde o grupo deve acampar durante um ano, o inverno traz consigo acontecimentos estranhos e Jack vê seus companheiros deixarem a expedição, um a um, enquanto percebe que algo se move em direção a ele na escuridão do ártico. Elogiado pela imprensa britânica, Noite polar é uma história sobre fantasmas, mas também uma instigante reflexão metafísica sobre vida, morte e tudo o que escapa às certezas da razão.
Edição: 1
Editora: Rocco
ISBN: 9788532528513
Ano: 2013
Páginas: 224
Tradutor: Ryta Vinagre

O QUE ACHEI:

Há tempos não lia um bom livro sobre fantasmas. Simplesmente fantasmas, nada de sobrenaturais muito "viajantes na maionese" como esses novos romancezinhos teen, com monstrengos, lobis-metamorfos-vampiros, zumbis, sangue a mais não poder. Apenas aquele suspense tremendo, aquela sugestão sutil de que algo está para acontecer, aquele thriller que, de tão profundo e tenso, de faz estremecer quando menos espera. Esse livro é dos bons! Daquelas histórias de fantasma que te faz esquecer o mundo em redor e mergulhar de cabeça, "encarnado" no protagonista, sofrendo com ele e por ele, temendo por ele, torcendo por ele.


E, é claro, louco para desvendar o segredo escondido nas sombras da noite...
Esse livro me lembrou vagamente "A Mulher de Preto", de Susan Hill, outro livro imperdível. Não tão grande e grosso, mas que dá de dez a zero em muito livrinho chato-teen do estilo "sobrenatureba" que andam publicando aos montes por aí. Esse, é um livro para gente grande, não importa a idade que se tenha.

O começo é singelo, talvez alguém pense que será chato, pois o verdadeiro suspense vai começar quando o jovem Jack chegar à Gruhuken, um lugar perdido no coração do gelo ártico e, ainda por cima, assombrado. Verdadeiramente.

Imagine você... um lugar ermo. Ok, gelo para todo lado, mas ainda sendo dia, possui a sua vida selvagem (que deve ser bonita, focas, ursos polares, peixes, etc.). Quando ele chega, junto com mais dois companheiros, não há ainda a famosa noite polar - já ouviu falar? Eu ainda não entendo bem o fenômeno, mas pelo que deu para entender, o sol vai se pondo cada vez mais cedo e surgindo cada vez mais fraquinho, até sumir de todo. Pois é justamente nesse momento que Jack vai sentir a "presença" - talvez até mais do que sentir... E vai tremer nas bases. Um terror de se tirar o chapéu, quase ao nível de "A Mulher de Preto", um dos poucos livros de suspense-terror que realmente me agradaram nos últimos anos.



Não dá para comparar com Stephen King e seu horror mórbido, quase obsessivo, quase neurótico e bizarro. Michelle Paver narra com profundidade, mas sem neuroses e bizarrices tipo monstros saindo de armários ou cachorros endemoninhados e coisas do gênero. Não que este último não seja bom - a seu modo. Eu falo do que eu gosto, essa é uma opinião pessoal apenas. Não sou nenhuma crítica literária, mas como leitora posso afirmar que o estilo de terror gótico é o meu estilo e é assim que gosto.

O livro leva a um suspense gradual, acompanhando a despedida do sol e a chegada, igualmente gradual, da noite polar. E é aqui que o horror vai chegar com todo peso e todo o seu perigo.



O fantasma é bem mais do que você imagina:  Nada light, nada de gasparzinhos, é bem mais que isso.

Um aparte a mais: Há a sugestão de uma relação homossexual que fica meio... sugerida. Não entendi bem, mas acho que esse lance da autora foi interessante, nos deixando curiosos sobre isso também, além da trama sobrenatural.

Um livro ótimo, super recomendado para os amantes do suspense gótico, do supense que prende e que aumenta gradativamente, com um clímax final surpreendente.

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