Robin Cook - Crise



Editora: Publicações Europa-América
ISBN: 9721057568
Ano: 2006
Páginas: 412
Tradutor: Isabel Veríssimo

O Dr. Craig Bowman soube que ia ser processado por negligência médica e sentiu-se chocado e humilhado. Um médico devotado, que suportara duros anos de formação e trabalhara continuamente ao serviço dos outros, tornara-se agora sócio de uma seleta clínica privada, onde podia finalmente oferecer atenção personalizada e tempo disponível aos seus pacientes. Mas esta vida idílica era agora subitamente interrompida e tudo podia vir a tornar-se ainda pior, muito pior.
É então que a sua mulher convoca a ajuda do irmão, o Dr. Jack Stapleton, médico legista em Nova Iorque. Jack aceita ajudar o cunhado, mas, quando sugere que o corpo da paciente seja exumado, ele está abrindo uma Caixa de Pandora de problemas. Com a vida e a carreira de Craig Bowman em jogo, Jack está prestes a fazer uma descoberta de tremendo significado legal e médico... e há quem faça qualquer coisa para o impedir de saber a verdade.
O Dr. Robin Cook é um prestigiado médico norte-americano, doutorado em Harvard. É reconhecido como o criador do "thriller médico" e há trinta anos que se mantém como o autor de maior sucesso neste gênero a nível mundial.

O QUE ACHEI: O Dr. Robin Cook sempre foi e sempre será o grande precursor do suspense médico e aclamado como expert nesse sub-gênero literário. Eu, de minha parte, sempre admirei a habilidade com que esse autor lida com as temáticas médicas mais complexas e pouco utilizadas na ficção.
Com 31 títulos em português, sendo que desse total 3 títulos não saíram no Brasil, só em Portugal, Crise (Crisis) é um desses. Ou seja, esse saiu apenas em Portugal.


Esse thriller de 2006 segue o mesmo estilo de escrita dos livros anteriores, com exceção do suspense e da ação: Comparativamente aos primeiros títulos, o Dr. Cook "amornou" suas narrativas.

Com outro thriller mais recente, "Intervenção" (Intervention - 2009), ocorre o mesmo: O autor, longe das arremetidas criativas e fantásticas do início da sua carreira, deixou-se enredar pela narrativa mais parada, mais morna e mais "chata", em que a ação não surge. O desenrolar dos acontecimentos é muito lento, quase parando: O ápice leva séculos de leitura para acontecer. E quando acontece, há um final abrupto e meio decepcionante.

O que será isso? Os escritores ficam menos criativos, com a idade? Ou  o ritmo mais lento das suas vidas é que acompanha seus personagens? Não acredito nisso, visto que grandes cérebros literários (Jorge Amado, Mario Quintana, Cora Coralina, Gore Vidal, José Saramago e tantos, tantos outros...!) escreviam como respiravam, sempre, sempre. E cada vez melhores com o passar do tempo.

Entretanto, notei essa diferença nos livros de Robin Cook, uma pena.

Em 'Crise', ele vai abordar um processo judicial aberto contra um médico  considerado um dos melhores em sua área de atuação. E que mesmo assim foi processado por "negligência médica".



Craig Bowman, o médico acusado, é por acaso casado com a irmã de um dos personagens mais célebres de R. Cook: O legista Jack Stapleton. Uma pena ser legista (não me interesso nem um pouco pela medicina legal - eu, naturalmente), e durante boa parte das histórias serem descritas as autópsias, com riqueza de detalhes mórbidos...

Para resumir: O Dr. Bowman receberá a visita do cunhado, que tentará autopsiar o cadáver da paciente cuja família o acusa de negligência, para tentar provar alguma coisa diferente... qualquer coisa que prove o contrário. Ou que, de repente, prove que aconteceu algo pior que uma morte natural.


A história tem um ritmo morno e lento, com riqueza de detalhes irrelevantes. O narrador (o autor) conta com uma espécie de distanciamento emotivo, sem descrever sentimentos mais fortes de seus personagens  - o que não ocorreu nos primeiros livros de Robin Cook, como "Cérebro", "Servidão Mental", "Invasão", "Mutação" e tantos outros incríveis e criativos.

Deveras, não gostei muito desse livro. Embora seja um livro interessante para os fãs do autor, já que abordará um leque de novas atividades da medicina e dos médicos. O final é abrupto, não me agradou, apesar de seguir uma linha mais moderna dos suspenses e thrillers de ação.

Serve como leitura recreativa e, ao mesmo tempo informativa, já que nos põe a par de várias facetas da medicina legal e da medicina em geral, sobre novas descobertas científicas sobre os processos biológicos, do funcionamento do corpo humano diante de determinadas doenças e/ou agentes patológicos, etc.,  e, principalmente, da medicina de concierge (coisa que eu nunca ouvi falar aqui no Brasil!), tipo de atendimento médico especial para o paciente. Ou seja, que dá ao paciente privilégios (caríssimos, por sinal) que nenhum plano de saúde (e menos ainda, saúde pública!) pode dar. No final do livro, Robin Cook ataca abertamente esse tipo de medicina que privilegia uns poucos, devido à degradação lenta e progressiva do sistema médico norte-americano... Nossa. E o que diríamos nós, brasileiros, do nosso sistema de saúde então?

Vale a pena a leitura, apesar de tudo. Para que tiver curiosidade, veja aqui o que é medicina de concierge.


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