Stephen King - "Jerusalem's Lot" e "A Hora do Vampiro"


Stephen King - "Jerusalem's Lot" e "A Hora do Vampiro"

O QUE ACHEI:

UM DOS PRIMEIROS CONTOS em que S. King menciona a misteriosa localidade de Jerusalem's Lot, é no conto de mesmo nome, o famoso vilarejo que deu origem à cidade, referida no livro "A Hora do Vampiro", e que se tornou famosa nos livros do autor. Um nome arrepiante, para falar a verdade, cuja origem remonta aos primeiros habitantes da região, pioneiros puritanos, que foram doutrinados pelo misterioso e fanático James Boon.

O conto tem forma epistolar, e é narrado em forma de cartas enviadas por Charles Boone a seu primo e amigo James Robert Boone, narrando sua mudança para a localidade de Chapelwaite, em 1850, numa casa antiga e tida como assombrada pelos moradores locais.

Charles porém, não liga para as 'superstições' e insiste e ficar ali, mesmo se assustando um pouco, junto com seu empregado e amigo Calvin, pelos barulhos esquisitos que ouve dentro das paredes, e que ele julga serem ratos.

Mas o horror inominável surge quando ele e Calvin, num passeio exploratório pelos arredores selvagens da propriedade, vão parar na antiga e abandonada Jerusalem's Lot.
Veja o trecho que descreve a chegada deles ao lugar:

    Mais além, ao longo de uma rua coberta de mato rasteiro, havia três ou quatro construções que deveriam ter sido estabelecimentos comerciais e, mais adiante, a torre da igreja marcada no mapa, erguendo-se para o céu cinzento e parecendo indescritivelmente sinistra, com sua pintura descascada e a cruz enferrujada inclinada para um lado.
          - O lugar merece o nome - disse Calvin, baixinho, ao meu lado.
    Atravessamos a pinguela e começamos a explorar a vila - e é aqui que meu relato se torna ligeiramente espantoso, Bones. Portanto, prepare-se!
    O ar parecia pesado ao caminharmos entre os prédios; pesado como chumbo. Os prédios se encontravam em estado de deterioração - postigos arrancados, telhados ruídos sob o peso de nevascas passadas, janelas poeirentas e escancaradas. Sombras de cantos esquisitos e ângulos tortos pareciam formar poças sinistras.
    Primeiro, entramos numa velha e apodrecida taverna - de algum modo, não parecia correto invadirmos as casas nas quais as pessoas se abrigavam quando queriam privacidade. Uma velha tabuleta, castigada pelo tempo, pendurada acima da porta rachada anunciava que ali existira a HOSPEDARIA E TAVERNA CABEÇA DE JAVALI. A porta se abriu com um rangido infernal do único gonzo que restava e entramos no ambiente sombrio. O cheiro de mofo e podridão era vaporoso e quase insuportável. Além dele, parecia haver um cheiro ainda mais profundo, um odor pegajoso e pestilento, um cheiro de muitos anos e da podridão da idade. Um fedor como o que poderia escapar de caixões funerários apodrecidos ou de tumbas violadas. Levei o lenço ao nariz e Cal me imitou.

O conto prossegue sua narrativa de suspense, num crescendo de horror e mistério, até o final, aterrorizante no mais puro sentido da palavra.

E a tal Salem's Lot ainda é mencionada em outro conto de Stephen King, até ser novamente revivida no romance "A Hora do Vampiro", transformado em uma minissérie por uma tevê americana. Assisti também, bem como li o livro, e posso afirmar: Para os fãs do gênero "vampiro maligno" ambos são ótimos. Salem's Lot continua viva, maligna e diabolicamente viva, e mesmo o final do romance parece não ter dado cabo dela, apesar do incêndio, tendo o autor deixado uma ou outra ponta solta que, com certa imaginação, poderia ser explorada se ele quisesse escrever outro romance...

Bem, eu gostaria imensamente que os monstros, demônios e vampiros de Salem's Lot tivessem realmente ido "para as cucuias"... Pois são de fato horrendos. Nada a ver com os vampiros "sedutores" dos romances femininos e adolescentes. Nada de Edward Cullen, de Príncipe Sombrio (dos Cárpatos de Christine Feehan), moços gentis de "Vampire Diaries", não senhores. São criaturas pérfidas, diabólicas, podres e, com certeza, fedorentas (pelo que é descrito no conto original, a respeito do fedor de podre que impregna toda a Salem's Lot). Horríveis em todos os sentidos!


Mas, pelo suspense, pelo fascínio e por toda a atmosfera sombria e misteriosa que Stephen King soube dar a esse conto e ao romance, vale a pena passar um pouco de medo. Vale mesmo! Surpresa
Nota 10, sem pestanejar!

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3 comentários:

Arismeire Kümmer Silva disse...

Eu não li o primeiro conto, mas vou sair a procura dele. A Hora do Vampiro realmente é um tremendo livro. Ambas as adaptações ficaram boas, mas não chegam aos pés do livro, infelizmente. :-)
Bj, Aris.

camilo henrique disse...

No mesmo livro de contos Sombras da Noite, aparece a mesma cidade, no conto "A Saideira", mais uma aparição da sobrenatural Salem's Lot.
Vale a pena conferir.

Jossi Slavic Genius disse...

Pois é, Aris! Esse conto é tipicamente gótico, e dá um MEDO!!! Daqueles de você se encolher toda de susto. :)

CAMILO HENRIQUE, eu lembro que li também essa menção a Jerusalem's Lot, no conto "A Saideira". É um recurso usado pelos escritores, inserir pequenas citações de personagens ou locais de um livro em outro, diferente. Esse Stephen King é um maluco, mas um maluco fantástico, rs.