Stefan Zweig - Maria Antonieta - retrato de uma mulher comum

Maria Antonieta: Nem santa, nem pecadora, apenas uma mulher em busca da felicidade.

Edição: 1ª edição, 2013
Autor: Stefan Zweig
Editora: Zahar

Sinopse:
Casada aos catorze anos com o herdeiro da Coroa francesa, o futuro Luís XVI, Maria Antonieta mostrou-se desde o início inconsequente e despreparada para desempenhar o papel que haviam determinado para ela. O povo logo lhe atribuiu a culpa por tudo que há séculos vinha padecendo sob a monarquia - e aos poucos essa jovem rainha viu-se envolvida pelos acontecimentos sombrios da Revolução Francesa. Condenada à morte, revelou-se então a verdadeira descendente da poderosa família imperial dos Habsburgo: uma soberana digna e resignada, que caminha serena para a guilhotina.Amigo de Freud e com um forte envolvimento com a psicanálise, Zweig foi um dos primeiros escritores a trabalhar consistentemente com um enfoque psicanalítico em suas biografias. Não se preocupou, portanto, em narrar todos os fatos da vida de Maria Antonieta, nem cada meandro dos desacertos revolucionários. Mas aos poucos dispôs as peças de um quebra-cabeça dramático para revelar o potencial trágico de uma personagem despreparada para o destino a ela reservado.

Essa edição traz ainda: prefácio e posfácio de Alberto Dines, autoridade internacional em Stefan Zweig; uma cronologia da vida de Maria Antonieta; e um artigo de Zweig sobre história e cinema.

O QUE ACHEI:
Prosseguindo em minhas leituras biográficas (já que estou escrevendo um livro com minibiografias de algumas mulheres marcantes na História da humanidade), peguei desta vez o livro do escritor austríaco Ztefan Zweig.



Suas obras caíram em domínio público, e a partir daí, há um corre-corre entre as editoras para relançarem suas obras no Brasil. Uma das melhores biografias deste autor, segundo algumas das mentes mais brilhantes do século XX, é a de Maria Antonieta, arquiduquesa austríaca e rainha da França casada com Luís XVI.



Tendo assistido "Maria Antonieta" (2006), fiquei mais ou menos curiosa com aquelas absurdas cerimônias de etiquetas reais, aquele infindável cortejo de camareiras, arrumadeiras, criadas, damas de companhia, "vestideiras" (que ajudavam a rainha se vestir), cabeleireiros... E com a vida extremamente coquete, luxuriosa e superficial daquela soberana. 

Depois, achei outro filme anterior a esse e ao que tudo indica, é muito superior: Maria Antonieta (1938). Esse me pareceu algo mais realista - apesar de romântico também - porém com um capricho maior ao retratar a vida, as extravagâncias e, finalmente, o amadurecimento do espírito daquela mulher indomável.

Não sei se por ser tão antigo já está em domínio público: O que sei é que, se você procurar com cuidado, poderá encontrá-lo para download na rede. 


Voltando ao livro: Uma das mais intensas e fidedignas biografias que já li. Zweig, ele também austríaco, conta tudo sobre aquela que passou para a História como "a rainha do rococó", sinônimo de leviana, fútil, sem personalidade, vaidosa, dispersiva...

E de fato. Filha de uma das mais austeras soberanas do século XVIII, é incrível que Marie Antoinette tivesse se tornado uma princesa tão leviana e "cabeça-de-vento" (expressão usada por sua própria mãe, a imperatriz da Áustria Maria Teresa).

Quando foi para a França, como noiva prometida do neto de Luís XV, Antonieta tinha apenas 14 anos, e Luís XVI apenas 15. O rapazola mostrou-se já de cara ser muito "lerdo" de raciocínio (não de inteligência, veja bem) e o casamento arranjado foi, durante muitos anos, apenas de fachada.

A jovem princesa, mais tarde tornando-se rainha, aderiu alegremente à etiqueta exagerada da corte francesa. Tal exagero imperava em Versailles, onde até para dar um espirro os monarcas precisavam de um servo ao lado, com um lenço de seda sobre uma bandeja de ouro...



A menina - pois ela não passava de uma meninota - era graciosa, linda, delgada e logo encantou-se com a moda e a luxuriosa vaidade das cortesãs da França, gastando milhões de luíses com seu guarda-roupa infindável e suas joias maravilhosas. 

Depois disso, sua outra fraqueza foram os bailes, as festas, o teatro. Luís, o marido passivo, tranquilo, com tudo concordava.

O conde Axel von Fersen, o grande amor de Maria Antonieta, interpretado por Tyrone Power no filme de 1938

Os rios de dinheiro gastos com tanta futilidade não demoraram a cavar buracos nos cofres reais e o povo, pobre e humilde, logo começou a reclamar.

O livro de Zweig é incrível e fiquei comovida com o "retrato da mulher comum" descrito por ele. Maria Antonieta nunca foi, como todos pensam, a mulher fútil, tola e aérea durante toda a vida - embora ela tenha tido uma boa parcela de culpa pelos horrendos acontecimentos perpetrados pela Revolução Francesa.

Quando estava às portas da derrocada, ergueu-se dentro dela a alma de uma verdadeira e ímpar nobreza. Zweig narra todo o sofrimento pelo qual ela passou, todas as agonias de mulher, de amante, de mãe e de soberana despojada. Maria Antonieta aqui é mostrada em todo o seu realismo: Da princesa fútil e medíocre a mulher corajosa, inteligente e sofrida.

Um livro que li em quatro dias (500 páginas!) por ser realmente instigante e profundo. Vale muito a pena sua leitura!



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