Jay Anson - Horror em Amytiville

Este livro, publicado originalmente em 1977 pelo escritor Jay Anson, tornou-se um clássico da literatura de horror. Não porque possa ser, por um estilo espetacular, esmerado, ou por uma temática exótica e fora do comum: Muito pelo contrário. O livro, que segundo o autor, foi baseado "em fatos reais" e escrito na forma de um "depoimento romanceado", é bem simples na sua linguagem, narrando de uma maneira objetiva, fria e singela, o terror e o desespero de uma família que passou 28 dias na casa mais perigosa e mal-assombrada do mundo...

Verdade? Mentiras e fraudes? Até hoje é difícil de se dizer o que é falso ou verdadeiro nessa história toda. Bem, de verdadeiro temos a história da família DeFeo, brutal e friamente assassinada pelo seu filho mais velho e que morou na tal casa (e também morreu lá). Para se ter uma ideia melhor, vejamos o que temos sobre o livro na Wikipedia:

"Em 1974, nos Estados Unidos, o jovem Ronald DeFeo Jr. assassinou brutalmente com uma espingarda sua família (pai, mãe e quatro irmãos), enquanto dormiam em suas camas. Sua explicação para a chacina é que ele estava agindo conforme a orientação de uma voz misteriosa que ordenava os assassinatos. Um ano depois, a imensa casa que serviu de palco para a carnificina, situada em Amityville, Long Island, recebeu novos moradores, a família Lutz, formada pelo casal George e Kathy, e os três filhos pequenos. Depois de apenas 28 dias, eles fugiram desesperados alegando a existência de entidades malignas assombrando a casa.
Ambas as histórias foram consideradas casos reais, que inspiraram o autor Jay Anson a escrever um livro em 1977. O livro prende a atenção do leitor, narrando as terríveis experiências vividas pela família Lutz, e serviu de base para o roteiro de Sandor Stern na realização de um filme dois anos depois, chamado por aqui de “A Cidade do Horror”, dirigido por Stuart Rosenberg e estrelado por James Brolin e Margot Kidder como o casal Lutz.
Seguindo uma tendência do cinema de horror dos últimos anos com a crescente produção de refilmagens (como “A Casa da Colina”, “13 Fantasmas”, “O Massacre da Serra Elétrica”, “Madrugada dos Mortos”, “A Casa de Cera”, “A Guerra dos Mundos”, entre outros), em 19/08/2005 entrou em cartaz nos cinemas brasileiros “Horror em Amityville” (The Amityville Horror), uma releitura do original de 1979, dessa vez com direção de Andrew Douglas, roteiro de Scott Kosar, produção do especialista em ação Michael Bay, e elenco liderado por Ryan Reynolds e Melissa George.
George Lutz é o novo marido de Kathy, e o padrasto de seus filhos Danny, Cris e Missy. A família está procurando uma nova casa para morar e encontra uma mansão de estilo colonial holandês à venda por um preço bem inferior de seu valor real. O motivo da desvalorização é por causa um crime hediondo cometido entre suas paredes, com o jovem Ronald DeFeo matando a sangue frio sua família inteira, alegando obedecer a ordem de uma voz em sua mente.
Apesar da tragédia ter ocorrido na casa, os Lutz decidem se mudar. Mas, com o passar dos dias, uma série de acontecimentos estranhos, bizarros e misteriosos, obrigou a família a fugir antes de completar um mês. Nem o padre Callaway conseguiu ajudar, pois ao tentar benzer a casa ele foi ameaçado por uma voz que ordenou que ele saísse imediatamente. A família Lutz abandonou tudo para trás, alegando que a casa era possuída por algo maligno, e que estava influenciando diretamente através da deterioração gradual da personalidade de George, tornando-o progressivamente perigoso e ameaçador para a segurança de todos ao seu redor."

Eis uma sinopse. O livro, como eu disse, é muito fácil de ser encontrado em sebos (não houve reedições), e apesar de não ser nenhuma obra-prima literária, tem um enredo que dá muitos calafrios... principalmente, se o leitor resolver levar tudo ao pé da letra e considerar tudo o que é escrito ali como real. Como Jay Anson afirmou.

Se você gosta de sentir pontinhas de medo, sem se preocupar muito com o estilo ou o autor, o livro é uma ótima pedida. Mas não se engane, e não pense que os tais filmes (citados na sinopse da Wikipédia), são alguma coisa que preste: O de 1979 - segundo as críticas - deixa muito a desejar. O de 2005 é simplesmente intragável: Um amontoado de absurdos, totalmente diferente do que é narrado por Anson, com toneladas de sangue, cenas repugnantes, macabras e sem sentido. Nada a ver com a obra. Em absoluto.

O livro conta as aventuras dos Lutz e todo o terror e desespero vivido por eles; porém como é narrado de maneira impessoal, não chega a assustar tanto: O que nos afeta, são as reflexões que podemos fazer ao tentar, após a leitura, considerar alguma hipótese de realidade em tudo aquilo. Se fosse verdade... se tivesse ocorrido mesmo... se não houve nenhum exagero... Se. Em tal caso, o leitor poderá ficar impressionado: Que força tão imensamente maléfica foi aquela, capaz de atingir com tal intensidade toda uma família e até mesmo, as poucas visitas que lá entraram, durante os malfadados 28 dias? Que poder teria sido aquele que, diferentemente de outras "assombrações", não ficava restrito às paredes da casa amaldiçoada, mas chegava a ir atrás de suas vítimas, em outros locais? Como ocorreu ao chamado "Padre Mancuso" , infeliz ao tentar abençoar a casa e que, depois disso, foi atacado por sucessivas moléstias, desde viroses (várias, em poucas semanas), até a feridas nas mãos, manchas no rosto, vozes fantasmagóricas que o ameaçavam, etc.

Muito bem, essa é a questão. O livro em si, é bastante simples. Um relato breve, porém tudo o que é dito nele, sob a égide da "verdade" é que o torno assustador. 


Na minha releitura (li a primeira vez aos 15 anos), devo confessar que fiquei um pouco preocupada, pois apesar de tantos artigos que li na net, afirmando categoricamente que tudo não passou de uma fraude, forjada pelo casal Lutz e pelo escritor, a pequena "pulga da dúvida" fica atrás das nossas orelhas. Eu sei que tais manifestações são frequentes, basta você procurar por livros de parapsicologia e ler sobre fenômenos "poltergeists" e similares. Entretanto, existem outros "fenômenos" dentro da história, esses não poderiam ser catalogados como simples fenômenos paranormais, por serem demoníacos demais. Esses são documentados pelos estudos esotéricos e ocultistas como obras de entidades "do baixo astral".

Enfim... o livro tem de tudo. Para quem é fã de horrores de todos os quilates, eu recomendo (mas não vou recomendar o filme, um trash total). E gostaria de obter um retorno dos leitores do blog: Você já leu? O que achou? Ficou com uma leve má impressão ou medo após a leitura? Qual sua opinião sobre a veracidade ou impostura da história? Sabe algo sobre os sobreviventes atuais da família Lutz? 

Eu pesquisei a net toda, e soube que o menino Danny Lutz, hoje um homem com mais de 40 anos de idade, deu sua primeira entrevista após tantos anos passado o "horror". E que ele alegou o seguinte: "A maldição de Amytiville, daquela casa, destruiu a minha família". Além disso, ele disse que continua sendo "assombrado". AQUI ESTÁ o artigo.

É de se pensar... E é para se benzer e fazer muitas orações... Como diz o ditado: É melhor prevenir do que remediar...



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2 comentários:

Maria Valéria disse...

olha, eu tenho esse livro e até hoje me pego pensando se não tem uma ponta de verdade... é realmente assustador, me deu altos sustos lendo madrugada a fora, e li mais de uma vez, além de espalhar pros amigos lerem tbm xD

Tenho minha edição, comprada a menina que tinha me emprestado uns anos antes...
simplesmente incrível... além desse, o autor tem outro livro 66- o limiar do inferno, que li em pdf, mas nunca encontro em sebos :( que muito bom tbm, embora esse seja melhor...

Bjs. Amei seu post sobre esse livro.


http://torporniilista.blogspot.com.br/

Jossi Slavic Genius disse...

Oi, Maria Valéria!
Eu também fiquei fã de Jay Anson. Li o "666" e tremo até hoje quando lembro do que li, sem brincadeira. É muito assustador, o tipo do terror que vai além do simples medo, é como se o autor usasse de todo o seu traquejo para nos deixar traumatizados.

Para os que não se deixam atingir por terrores tao profundos, ambos os livros de Anson são ótimos.

;)