Revisitando contos de fadas... com toques de terror!



Como eu já disse uma vez - e como saiu na Revista RTS, segunda edição - Hollywood está "revisitando" contos de fadas, só que... com pitadas generosas de maldade, terror e até, em alguns casos, erotismo. É o que li na matéria do site Folha de S. Paulo, escrita por Rodrigo Salem. E é o que se vê em toda parte, não só no cinema, mas também na tevê (séries como "Os Irmãos Grimm", por exemplo), embora esse não seja um fenômeno moderno. Isso já vem de uns oito, dez anos atrás. Eu lembro que assisti "Van Helsing, Caçador de Vampiros" no cinema, com meu filho de 8 anos na época, e até gostei. Embora esse filme, especificamente, não seja baseado em nenhum conto de fadas, dá para se dizer que tem uma certa qualidade de "lenda", já que é baseado em "Drácula" de Bram Stoker. E "Drácula" é também uma espécie de conto de fadas sombrio, da Romênia.

Nessa nova onda de se apoderar das velhas lendas e contos infantis para transformá-los em filmes adultos, com muito terror e maldade, surgiram algumas superproduções interessantes, como "Branca de Neve e o Caçador", "João e Maria - Caçadores de Bruxas", "Oz - Mágico e Poderoso", "A Garota da Capa Vermelha" (Chapeuzinho Vermelho), e por aí afora.

Mas agora, pelo visto, nada mais está a salvo das garras assanhadas dos produtores hollywoodianos, nem mesmo figuras históricas, livros conceituados, belos romances clássicos. "Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros" está aí, para confirmar. E antes desse livro-e-filme, também tivemos "Orgulho e Preconceito e Zumbis" (um livro ridículo, para dizer o mínimo). Transformem contos antigos em novos livros, se quiserem, com certeza o povo vai apreciar (aqui está a resenha de A Filha da Floresta, lançamento de sucesso, baseado em um conto de fadas), mas acredito que distorcer uma obra elegante e clássica, como Orgulho e Preconceito, é um pouco demais. 


Quanto às lendas e contos de fantasia (e inclua-se aí figuras mitológicas, personagens do folclore, livros infantis, etc.), acho válido que sejam revisitados, sim. Desde que o resultado final seja um filme (ou livro, série, ebook, etc.) interessante e bom entretenimento para o público adulto.

Agora, você pode perguntar: Mas, e as crianças? Não irão querer ver tais "obras que viraram filmes"? Talvez, mas o que pais, mães e educadores devem fazer, é cuidar para que as crianças não assistam (ou leiam), se tais obras não forem recomendadas para a faixa etária delas. Ou seja, tudo de acordo com a idade...

Interessante seria se a tevê e o cinema brasileiro resolvessem "revisitar" nossos contos e lendas também. Imaginemos um filme baseado nos contos e livros de Monteiro Lobato, ou em nossas lendas? Vimos que filmes e seriados históricos, baseados em personagens da História do Brasil já fizeram sucesso no passado: "Dona Beija", "A Marquesa de Santos" - da extinta Rede Manchete, "Desejo" (minissérie global sobre a vida e o casamento de Euclides da Cunha com Anna de Assis), "Chiquinha Gonzaga", "A Casa das Sete Mulheres" e por aí vai... Por quê não personagens das lendas?

Pensando nisso, estou com expectativas de criar contos baseados em nossos mitos, como já fiz com o livro infanto-juvenil "A Loira Perversa" (e o mito urbano da Loira Fantasma). Vamos ver se o projeto sai do papel e vem para o computador... Enquanto os contos novos não saem, vamos postar aqui lendas e contos brasileiros que estejam em domínio público, além de alguns textos sobre mitos do folclore mundial.  :)



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2 comentários:

Pat Kovacs disse...

Vi o Branca de Neve e achei muito bom, por tirar aquela personalidade sonsamonga da Branca e dar a ela uma personalidade digna de uma verdadeira rainha Elizabeth (a primeira).
No mais, acho que vc não deveria comentar das suas ideias de projeto pessoais, sem esses projetos estarem concretizados. Fica dando ideia pra esse povo safado de editorazinha vir a lançar antologias com o assunto, como já aconteceu...
Bjins!

Jossi Slavic Genius disse...

Oi, Pat!
De fato. O Branca de Neve foi legal, com um clima mais forte, de combate, sombrio e tenso. E nada de princezinhas com caras de donzela em perigo, rs.

A ideia de antologias com temas brasileiros é mesmo para ser divulgada e usada, Pat! É bom que nosso folclore volte a estar "na moda", pois desde Monteiro Lobato que o Brasil anda esquecido de nossa mitologia e nossa cultura.

Tomara que bons autores adotem essa nossa ideia.
:)