Juliet Marillier - Sevenwaters 1 - A Filha da Floresta



Filha da Floresta - Sevenwaters - Livro 01 - Juliet Marillier

Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era lei e a magia uma força da Natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, o soturno Lorde Colum, e dos seus seis amados irmãos, vítimas de uma terrível maldição que os transformou de bravos guerreiros em belos cisnes selvagens...

O domínio de Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e criaturas encantadas, além dos sábios druidas, que deslizam pelos bosques vestidos com seus longos mantos... Os invasores da floresta, os salteadores de além-mar, os bretões e os vikings, estão todos decididos a destruir este lindo paraíso. Porém, o mais urgente para os guardiões de Sevenwaters é destruir o mal sombrio que se introduziu em seu domínio: Lady Oonagh, uma feiticeira, bela como o dia, mas com um coração negro como a noite. Lady Oonagh conquista Lorde Colum, mas não consegue encantar a prudente Sorcha e seus bravos irmãos. 



Seguindo a tendência atual de releitura de clássicos para o público juvenil e adulto, Filha da floresta é uma fantasia medieval baseada na obra germânica dos Irmãos Grimm, o conto Os seis cisnes, também conhecido como Os cisnes selvagens. Além dos clássicos elementos das fábulas (a madrasta perversa, eventos que causam transformação interior e grandes obstáculos a serem vencidos), o romance descreve uma história de coragem, nascida de perdas, e de vidas modificadas para sempre, além de apresentar dilemas humanos dentro de um contexto de fantasia, pois o objetivo dos contos é descrever experiências difíceis e mostrar o que há de melhor e de pior no ser humano e mostrar a recompensa merecida ao fim de sua narrativa.

O QUE ACHEI:
Há cerca de dez anos os atuais escritores de fantasia redescobrem a magia dos contos de fadas. Como eu sempre gostei de "contos de fadas", graças à minha primeira coleção de livros infantis, todos de capa dura e traduzidos por Monteiro Lobato, sou suspeita para falar que gostei muito desse romance. 

 Eu só me toquei que já tinha lido o conto de fada, quando eu tinha lá meus... oito ou nove anos, quando fiz uma busca no Google e vi algumas ilustrações com uma cena da história, em que Sorcha está rodeada pelos seis irmãos, todos em forma de cisne. Então relembrei do conto dos irmãos Grimm, do livro antiguinho com sua capa azul e letras em relevo, douradas: "Contos de Grimm". Lembrei então perfeitamente da história da princesinha que teve de enfrentar as mais duras provações, passando pelas aventuras mais horripilantes, tudo para salvar seus irmãos do feitiço da madrasta bruxa.

De fato, o livro que eu li não é o lançado pela editora Butterfly, nacional, mas o outro, a edição portuguesa da Bertand, 2009. Porém a história é a mesma, as diferenças na linguagem não interessam e talvez ainda tornem a leitura mais curiosa, pelo que nós brasileiros consideraríamos "expressões exóticas". 
 
 Um bonito conto de fadas adaptado por uma escritora inteligente, que sabe como entrelaçar ação, romance, magia e uma intriga soberba, que manterá aceso o interesse dos leitores do início ao fim. Ao contrário de outra autora que também usou lendas antigas como enredo de seus romances, Marion Zimmer Bradley, Juliet Marillier é mais moderna no uso que faz dos seus personagens e consegue fisgar nossa atenção, com o uso daquilo que mais atrai os leitores do século 21: Fantasia, romance, heróis corajosos e vilões malvados. Marion Bradley não tinha uma linha muito bem delineada entre mocinhos e vilões: O vilão poderia ser mais tarde inocentado, porque também era humano, e como tal, tinha defeitos. O mocinho também errava - o que se nota na série "As Brumas de Avalon" e a vida do Rei Arthur. Mas Juliet Marillier torna mais nítida essa linha. Sua heroína, Sorcha, é uma adolescente de 13 anos, que passará muitos de seu tempo de mocinha na cruel atividade que lhe foi imposta pelo destino, a de salvar seus irmãos, custe o que custar. Uma heroína bonita, inteligente, sofredora, persistente - como as jovens modernas apreciam. Os vilões (Lady Onagh, a madrasta, e Lorde Richard, o tio mal-intencionado do jovem Red) são de fato maus até os ossos.

O resultado disso é uma história antiga, mas escrita para as gerações modernas, encantadora pelo realismo da narrativa. E é isso o que a torna mais cativante. A beleza da história realista de Sorcha, tão realista que o leitor até chegará a sentir as mesmas dores que ela sente, quando está costurando as camisas com fio do espinheiro (urtiga) para cada um dos irmãos enfeitiçados, sentirá a dor de suas mãos em carne viva, sentirá o terror que ela sente à noite, quando estará sozinha na caverna e terá pesadelos... sentirá o mesmo desespero dela, ao se deparar com bandidos e homens malignos que quererão maltratá-la... o medo que ela sentirá e o desconforto, quando seu belo salvador, Red, o bretão, a deixará sozinha em seu castelo com outras pessoas que não simpatizam com ela...

A história é muito bonita, e através dos sofrimentos de Sorcha também podemos aprender um pouquinho: Aprender que nossos sofrimentos muitas vezes são necessários. É uma provação imposta pelo destino...? Por Deus...? Pelos nossos próprios atos, escolhas, resultado do livre arbítrio...? Não se sabe, mas fica a lição: O sofrimento de Sorcha foi inimaginável, terrivel, mas necessário. Nos seus momentos de maior angústia, em que ela desejava largar toda a tarefa e seus sacrifício de ficar muda, e gritar, gritar, gritar, havia sempre a vozinha da razão (ou do seu gênio protetor, talvez), a lhe recomendar: Não pare, não desanime. Continue, continue costurando, continue, por mais lhe doam as mãos. Esqueça a dor, só o que importa é salvar seus irmãos, livrar seu pai da bruxa, terminar sua tarefa.


Eu daria cinco estrelas (ou nota dez) não fosse por uma certa ambiguidade na definição de certos personagens. Talvez tenha sido proposital - talvez na continuação do romance isso seja esclarecido - mas não se consegue chegar a nenhuma conclusão sobre a verdadeira identidade de Lady Onagh e da criatura mágica conhecida como "Dama da Floresta" - responsável pelos conselhos para Sorcha desfazer o feitiço. Seriam ambas uma e mesma pessoa? Seria Lady Onagh o lado "negro" da Dama da Floresta? Seriam irmãs, parentas, sei lá? Nada fica claro, e isso insere certa inquietação às linhas finais.

Mas sempre tem a continuação. Vamos a ela.


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2 comentários:

Neyla disse...

Hey

Gostei do seu blog. O encontrei por caso visitando um site onde custumo baixar livros.

Quando vi a citação da Filha da Floresta não pude deixar de vim comentar.
É um livro maravilhoso, um dos meus favoritos.
Espero que você leia a continuação- O filho das sombras.
É perfeito.
O 3 livro -A filha da profecia, pra mim deixou a desejar em certos pontos porém ele vai responder todas as perguntas que fizeram você achar a narração ambigua.

Abraço

Neyla disse...

Hey

Gostei do seu blog. O encontrei por caso visitando um site onde custumo baixar livros.

Quando vi a citação da Filha da Floresta não pude deixar de vim comentar.
É um livro maravilhoso, um dos meus favoritos.
Espero que você leia a continuação- O filho das sombras.
É perfeito.
O 3 livro -A filha da profecia, pra mim deixou a desejar em certos pontos porém ele vai responder todas as perguntas que fizeram você achar a narração ambigua.

Abraço