F. Paul Wilson - O Fortim


                                                                 F. Paul Wilson - O Fortim


Quando um esquadrão de elite da SS alemã é enviado para solucionar as mortes de soldados de um destacamento do exército alocado num pequeno forte situado nos alpes da Transilvânia, seus homens descobrem algo terrível. Invisível e silencioso, o inimigo escolhe uma vítima por noite, deixando cadáveres mutilados e aterrorizando suas futuras vítimas. Apavorados, os nazistas desconhecem o terror que despertaram quando se estabeleceram no fortim. Assim começa o primeiro volume da série Ciclo do Inimigo, composta pelos livros O fortim, O sepulcro, O toque mágico, Renascido, Represália e Nightworld. F. Paul Wilson utilizou os recursos que o tornaram um dos melhores criadores de thrillers de terror e suspense – narrativa tensa, ambientes sombrios e personagens enigmáticos – para criar a saga de dois inimigos imortais que se enfrentam desde tempos imemoriais.

Francis Paul Wilson nasceu em Nova Jersey, nos Estados Unidos, em 1946. Formado em medicina, debutou no gênero do terror com o livro O fortim, publicado em 1981. Unhas roídas, frio na espinha e uma narrativa magnética. Estas são as marcas registradas de F. Paul Wilson, hábil na criação de tramas de suspense, dono de um estilo consagrado em livros como Represália, Renascido e Os escolhidos. O autor é considerado um dos mestres do terror, comparado a Dean Koontz e Stephen King. Em 1983, a trama de O fortim chegou às telas de cinema com o título A fortaleza infernal, dirigido por Michael Mann.

O QUE ACHEI:
Muitos leitores e skoobers que leram parecem:
1- Ter gostado do estilo de Wilson, de modo geral;
2- Ter gostado do início deste livro, notadamente até a metade, mais ou menos;
3- Não ter gostado do final.

Alguns outros leitores, pelo que andei lendo na net, foram mais longe, analisando o livro como um todo e classificando-o como "literatura trash", cafonalha dos anos 80, livro estilo "bolso e descartável", ou simplesmente, um livro que começa super bem e termina de maneira odiosa, decepcionante, grotesca e pretensiosa.

Não vi tanta coisa assim para usar esses adjetivos negativistas. É fato que a história tem um início promissor, e que de certa altura em diante deixa de lado, um pouco, o seu clima assustador e o suspense inicial. Claro que, quem esperava alguma coisa  no estilo de Bram Stoker (ou Stephen King, com quem ele foi comparado), um crescendo de suspense-mistérios-sustos, um romance totalmente gótico no seu clima e arrebatadoramente sanguinário, vai se decepcionar... pelo menos no que se refere aos personagens Magda e Theodor Cuza.

O início é muito denso e o contexto histórico (Segunda Guerra Mundial), parece perfeito. A inserção de dois personagens alemães, Woermann e Kaempferr, com seus ideiais nacionalistas bem diferenciados (Woermann é militar, mas não apoia Hitler, enquanto Kaempferr é nazista até a raiz dos cabelos), torna a narrativa interessantíssima. Ainda mais tendo como pano de fundo um castelo (ou melhor, fortaleza) sombria, em plena Transilvânia, onde mortes estranhas passam a acontecer.

 Quando comecei a leitura, fiquei hipnotizada pelo embate entre Woermann e Kaempferr: Estes, sim, tinham potencial para ir até o final da trama, sendo um deles o protagonista "do bem" e o outro, do "mal".
E passamos a temer pela vida de Woermann e seus homens, enquanto cogitamos sobre o que um nazista malicioso e cruel, cheio de terceiras intenções, irá fazer quando for confrontado com o "verdadeiro mal" - embora, sinceramente, essa coisa de "mal-contra-bem" seja um clichezinho explorado à exaustão em outros livros do gênero. Inclusive, com "Drácula" de Stoker, o que não desabona este grande clássico (na época, tudo isso era original). Hoje em dia, porém, em tempos de The Walking Dead, Stephen King com Carries Estranhas, Torres Negras, Carros-Monstros... e Dean Koontz com suas histórias que mesclam mocinhos-vilões e vilões-mocinhos, esse clichê "bem-conta-o-mal" está muito batido e sem graça.

E então, quando estamos no auge da ansiedade e à espera de alguma coisa fantástica e terrível, Wilson nos joga um balde d'água fria: Nos apresenta Magda e Theodor Kuza, que são judeus - e, consequentemente, odeiam nazistas e vice-versa.

O foco da trama sai do Fortim e do maligno ser que lá vive e recai na moça, a encarnação da perfita mocinha de romance água-com-açúcar. O pai, Theodor, é um homem maduro e vítima de uma doença que o tornou deficiente, quase aleijado. Seria um personagem magnífico, não fosse o excesso de açúcar que Wilson nos joga na cara, ao apresentar Magda e o posterior romance que ela viverá com outro personagem da história.



Enfim, o livro, no todo, pode ser classificado como bom - um bom entretenimento, uma leitura fácil (com alguns trechos intragáveis). Um livro para ser lido, porém, sem muitas expectativas.

No momento em que percebemos a trajetória que o autor traçou para os protagonistas (que, infelizmente, não são Woermann ou Kaempferr, mas Magda e Kuza) e no que isso vai dar, perde-se muito do encanto inicial. Entretanto, ainda dá "um bom caldo", entretenimento leve e divertido, sem nenhum tipo de emoção ou comoção, como em livros de Bram Stoker, Stephen King, Dean Koontz ou Lovecraft.

Mas ainda assim, dá para ler e distrair-se. Eu dou três estrelas.

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2 comentários:

Arismeire Kümmer Silva disse...

Eu li quando tinha uns 12 anos. Só sei que odiei o fim. Vi o filme que fizeram também. de resto, resetei da memória o que acontece :-)
Bj, Aris.

Amor e Livros disse...

Então... eu não gostei nada quando Magda entrou na história. Ficou com ar de folhetim, de novela mexicana, rsss.
O início, sim, é beeem interessante... mas o autor deve ter tido... algum problema... para finalizar, rss.
:D