Risa Green - A Sociedade secreta da bola de cristal cor-de-rosa


A Sociedade Secreta da Bola de Cristal Cor-de-Rosa - The Secret Society of the Pink Crystal Ball - Risa Green

Na companhia das duas melhores amigas, Erin vive feliz. Quer dizer, não completamente, porque acha sua vida totalmente sem graça. Para que fique mais interessante, ela faria qualquer coisa para ganhar um concurso cujo prêmio é uma viagem à Itália. Mas para isso precisa escrever uma dissertação explicando por que ela deveria ser escolhida... Mas escrever o quê? Se nada nunca acontece em sua vida... Bem, quase nada. Quando sua tia favorita morre, Erin recebe de herança uma misteriosa bola de cristal cor-de-rosa. Quando viva, tia Kiki (também conhecida como titia Eskikisita) sempre viveu fora dos padrões convencionais. Mas agora Erin e suas duas melhores amigas estão convencidas de que a bola de cristal cor-de-rosa é a chave do futuro das três – ou pelo menos a chave para arranjarem um namorado e viverem incríveis aventuras. E o que garotas adolescentes poderiam desejar? Peitos maiores? Um encontro romântico? Livrar-se das colegas de escola que as atormentam? No início elas encaram tudo como uma grande brincadeira e não levam a sério os pedidos mirabolantes que fazem à bola... Até que as coisas que queriam começam realmente a acontecer. Será magia ou apenas coincidência? Em meio a tudo isso, elas começam a sofrer bullying, ameaças e as coisas começam a ficar sérias e fora de controle. A magia também tem sua lógica e suas explicações, e talvez essa seja a principal questão. Coisas divertidas podem acontecer quando você se envolve com magia, principalmente quando elas não saem da forma como você esperava...

Editora: Jangada
Ano: 2011
Páginas: 263

O QUE ACHEI:
 
Outra fantasia adolescente, porém sem as bizarrices inverossímeis de outros livrinhos que li. Aqui o sobrenatural é tratado com mais "responsabilidade", ou pelo menos, é o que passa a autora, mostrando mais o mundo preconceituoso e orgulhoso das novas adolescentes norte-americanas do que sua aventura "mágica".
A bola de cristal cor-de-rosa é um artefato pretensamente mágico, herança da tia Kiki para Erin, que pode realizar pedidos. Mas existem várias regrinhas para que tais pedidos sejam realizados, não é qualquer pedido, de qualquer pessoa ou de qualquer jeito. Só a pessoa escolhida é quem pode fazê-los. Erin, ligadíssima às suas amiguinhas, a esnobe ricaça Samantha e a filha de mãe separada, Lindsay, quer mudar o seu mundo (apesar de seu cetismo inicial) e pensa em usar a 'bola mágica' para isso.

 

O livro é, como eu disse, cheio de pitadas de preconceito e esnobismo, como quando são descritas as roupas de grife de Samantha, a "falta de glamour" de Erin, o cabelo "ridículo" de Jesse:

"Seu cabelo preto retinto era tão arrepiado que tinha quase meio metro de altura. Tudo bem, exagero meu, mas ainda assim ele gostava dessa coisa spiky punk rock que parecia trinta anos defasado no tempo e podia ter sido o máximo um dia, mas agora parecia simplesmente... ultrapassado. "

Ou o fato de Chris Bollmer ser um "nerd" que só usava moletom com capuz. Não vejo nada de errado em moletons com capuz (no inverno). Talvez o personagem fosse de classe baixa, um pobretão, daí ter virado o vilão da história.

O fato é que a história não é lá grandes coisas, mas como um levíssimo passatempo para horas vagas serve. Não é história para adultos, não passa nenhum tipo de mensagem positiva para os adolescentes, mas sim vários conceitos extravagantes, como o bullying nas escolas americanas, encarado como uma provação a ser aceita de cabeça baixa (no caso aqui, por Lindsay, que é perseguida por Megan). Estranho como isso é narrado pela autora. Se eu tivesse escrito tal história, teria colocado um ponto final no bullying de Megan contra Lindsay, mas de maneira realística. Ou seja, com o enfrentamento corajoso por parte de Lindsay e a participação das famílias de ambas as meninas, através de conversas. Falo isso por experiência própria, por já ter vivido perseguições ("bullying") na adolescência e ter resolvido da maneira mais direta possível, com auxílio de diretores e professores. E por ter vivido o mesmo com jovens da minha família e resolvido da mesma forma.

Mas enfim, não é um livro, como eu disse, que traga lições morais ou quaisquer outras implicações que não sejam o mero entretenimento.

Daria nota 6.

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