Robin Cook - Degeneracao [resenha]



                                 Degeneração - 1a. edição - Editora Record

Robin Cook é um mestre do thriller médico e científico. Autor de best sellers inesquecíveis como Coma e Choque, Cook já superou a marca de 500 mil exemplares vendidos só no Brasil. 
Numa época em que a ciência choca com a política e o conservadorismo com as novas técnicas, e em que somos empurrados para um mundo promissor mas, ao mesmo tempo, assustador, este romance é uma espécie de aviso. Nele encontramos dois homens, cada um deles representando cada uma das partes. De um lado o Dr. Daniel Lowell, uma das maiores autoridades da engenharia genética e clonagem humana, envolvido em estudos sobre uma nova técnica de clonagem humana que, no futuro, poderá salvar milhões de pessoas e do outro o Senador Ashley Butler, um político americano conservador que, em nome da ética e da moral, se opõe a qualquer inovação no campo da biotecnologia. Quando os dois se confrontam, nas audiências da comissão que o Congresso Americano nomeou para estudar o uso da clonagem humana e cujo presidente é, precisamente, o Senador Butler, revelam, aos poucos, aspectos menos nobres das suas personalidades. Porém, o Senador precisa da ajuda de Lowell para travar a progressão da doença de Parkinson de que padece.

O QUE ACHEI:
Esse livro, como os demais de R. Cook, tem um fundo de verdade - todos os seus enredos, embora ficcionais, são baseados em alguns fatos reais, conhecidos e analisados pelo autor. Trazidos, depois aos livros, os fatos reiais mesclam-se à aventuras fictícias, sem perder contudo, o seu status de realidades mascaradas sob ficção. Neste livro não podia ser diferente.

Um pouco cansativo no início, quando Robin se perde muito em descrições pormenorizadas da vida pregressa de seus protagonistas, ao invés de se focar no fatos atuais que são preponderantes, o livro nos conduz aos poucos a um suspense lento e ao clímax final, brusco, abrupto e um pouco decepcionante.


Não gostei tanto desse livro quanto dos primeiros livros de Robin Cook, notadamente os de maior impacto emocional e thrillers mais intensos, como "Cérebro", "Servidão Mental", "A Invasão", "Mutação" e "Toxina" (esses os mais intensos e deliciosos para quem gosta de suspense). Degeneração não me parece um título apropriado, também. Talvez "Luta de Gigantes", embora bem prosaico, fosse combinar mais com a história de dois homens que, cada um a seu modo, procura por todos os meios se destacar e agarrar todas as chances de se promoverem. O senador americano, um homem já idoso, é totalmente conservador, chegando a ser obsoleto em suas ideias defensoras da "moral e da ética". Enquanto isso, seu oponente, o Dr. Daniel Lowell é o oposto: mais jovem, é uma rara inteligência no campo da engenharia genética. E por uma grande ironia do destino, Daniel Lowell é o único que terá a chave para a cura do Mal de Parkinson que atingirá o senador Ashley Butler. Nesse momento, o autor mostra como tudo se inverte, no momento em que a vida e a saúde de uma pessoa - seja um pobre operário ou o presidente de um grande país - está em risco: Nada mais de conservadorismo, de ideias antiquadas, de teimosia.

O livro porém, não é só a luta entre esses dois homens e os objetivos de ambos, que acabará sendo o mesmo: a cura do senador através da engenharia genética. Na longa trajetória em que Daniel irá atrás do sangue do santo Sudário de Turim (exigência de Butler) de cujas células vai extrair o DNA para a cura do Mal de Parkinson, muitas aventuras irão encher páginas e mais páginas do livro.

A companheira de Daniel, Stephanie (que não consegui entender se era mulher, amante ou namorada, afinal de contas) será a testemunha e vivenciará também boa parte de tais aventuras. Eles terão de lutar contra vários inimigos: serão os médicos mal intencionados da clínica onde eles trabalharão, nas Bahamas e um bandido mafioso, que trabalha para os parentes italianos de Stephanie (que querem receber o dinheiro emprestado para ela e Daniel) os principais bandidões.


Enfim, um livro com aventuras e fugas o tempo todo, coisa que não me agrada muito. Prefiro mil vezes um suspense denso e  sombrio do que ação, propriamente. E nesse livro, o suspenso estava reduzidíssimo.

Não foi um dos melhores de R. Cook, devo repetir. O final foi o ponto alto, mas sinceramente? Ler quase 500 páginas para só então chegar à parte interessante... foi cansativo. \(^.^)/


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