Filmes e séries - The Walking Dead, Três Corações Partidos e novos rumos...

                     

 The Walking Dead, distopia do apocalipse zumbi em sua melhor performance!

The Walking Dead já virou fenômeno mundial, e assim como o seriado Lost, eu me apaixonei. E não dá para negar: O seriado põe no chinelo outros filmes e séries do gênero.

ATENÇÃO: Contém Spoilers.

O QUE ACHEI:
Essa série é baseada em uma HQ (eu nem sabia, foi meu filho quem me avisou!), e poxa, com HQ ou sem ela, o seriado televisivo da emissora AMC é nota dez.
Estamos na terceira temporada, e lamento muitíssimo que não seja maior e não passe, pelo menos, três vezes ao ano. Será que vai ser como Lost, que terei de esperar acabar e depois juntar os episódios e assistir tudo de uma só vez?! É mesmo irritante isso de ter que esperar. Esperar meses. Poxa, isso não podia ser como as novelas brasileiras? Tá certo, há anos não vejo uma boa novela, com conteúdo, com profundidade, que passe algo mais além das manjadas baixarias e safadezas camufladas como "romances", mas... pelo menos, quando uma novela começa, dá para assistir diretão.


Voltando ao universo zumbi de The Walking Dead. Eu gostei desde o primeiro episódio, e embora tenha ouvido falar que "tudo começou com os quadrinhos", nunca li as HQs (que perdoem os aficionados por eles). Meu negócio é a série de tevê. Vamos a ela.

Um mundo em que todos morrem, vítimas de uma doença misteriosa e que, após a morte, voltam como zumbis. Como andarilhos mortos. Ou como "mordedores"; como "walkers" (andantes, andarilhos). Vou usar o termo em nossa língua, chamemo-los de zumbis e pronto.

O protagonista, Rick Grimes (Andrew Lincoln) era um policial, e seu companheiro, Shane (John Bernthal) idem. Rick é o típico bom pai de familia, casado com Lori (Sarah Wayne) e pai de Carl, um garoto de 10 anos de idade. Tudo isso, na primeira temporada, quando o apocalipse acontece.


O que Rick não sabe, é da paixão secreta que Shane nutre por Lori... Esse é um dos pontos altos da história, que além desse romance "maldito", ainda conta com outros atrativos: O terror infligido pelos mortos-vivos, o desespero dos sobreviventes, as guerrilhas entre grupos, vilões de todo tipo, gente boa que quer ajudar, gente má querendo sacanear, enfim... de tudo.

Gostei muitíssimo da primeira e da segunda temporadas. Sofri com Lori, com Rick e até com o malicioso Shane.

Difícil imaginar um mundo como aquele, em que não se pode ter sossego em lugar algum. Em que nenhuma floresta, por mais inacessível que seja, está suficientemente afastada dos zumbis. Ou os zumbis afastados dela. E em que as cidades agora, são ninhos de zumbis, que proliferam nelas como larvas de mosquitos, eca.

Para mim, a base estrutural da trama era a família Grimes, depois a família do fazendeiro Herschel, com suas duas filhas.

O drama vivido por Lori, inicialmente, me comoveu muito: Amando o marido, ela se depara de repente com a possibilidade de sua morte... Sem ter certeza de nada, acaba sendo envolvida pela atitude protetora e máscula de Shane, que tenta cativar também o menino, Carl.

Ela se deixa levar, embora sofrendo pela ausência de Rick e em um momento qualquer de fraqueza e dor, cede à insistência de Shane. Ele sim, foi canalha, pois sabia que Rick estava vivo.

O prosseguimento da trama contará os sucessos (ou melhor, insucessos) vividos por Lori, Shane e Rick, que voltará para eles. Sem nada desconfiar do caso que Lori e Shane vivenciaram, ele dará vazão à alegria de rever a esposa e o filhinho.

O terrível caos dos andarilhos-mortos afetará o grupo de sobreviventes, e eles viverão momentos inesquecíveis para o telespectador.


A terceira temporada (que estará acabando agora, em março) foi danada de ruim, por causa das várias perdas, mortes, que os sobreviventes liderados por Rick sofreram. Ou para mim, ao menos, foi a pior temporada de todas: Detestei a morte de Shane (anti-heroi bonitão, ruim como a peste, mas enfim com um coração quebrado por causa da repulsa de Lori), detestei a "fuga" de Andrea, a "loira-burra" para Woodbury e o seu casinho com o infernal Phillip, o "governador". E odiei o sofrimento do sr. Herschel, que perde uma perna.


E finalmente, detestei a virada em toda a trama, com o que aconteceu com Lori, a chegada da bebê, o sofrimento de Rick. Essa parte do seriado me fez lembrar de outra história de amor. Nada a ver a temática - não era tema apocalíptico, mas romance histórico apenas - mas sim os comportamentos e sentimentos dos personagens: O Morro dos Ventos Uivantes.

No romance de Emily Brontë também houve um triângulo infeliz: Heathcliff, Catherine e Edgar. Como em TWD: Rick, Lori e Shane. Também teve corações quebrados, dois homens feridos e infelizes, uma mulher dividida de certa forma, embora seu verdadeiro amor fosse Heathcliff (Rick).

E após a morte dela, Hathcliff também se tornou frio, violento, distanciado do resto do mundo (como Rick, que ficou muito mais frio e aparentemente insensível). E também começou a "ver" o fantasma de Cathy, exatamente como Rick começou a "enxergar" e "ouvir" o fantasma de Lori.

Como Lori, Catherine também morreu de parto, e deixou uma filhinha, Cathy. Que também foi, de início, odiada por Heathcliff, como a bebê Janeth foi desprezada de início por Rick... por quê? Porque a bebê era filha de Shane. A filha do outro, do rival.
Compreender o coração do protagonista e suas similaridades com outro personagem (de outra história), também me ajudou a entender e a aceitar as novas fases da trama de TWD: Do contrário, eu talvez tivesse desistido de assistir, já que Lori era fundamental na história, para mim. Sua morte foi um corte dramático na linha tênue que separava a quase-normalidade de um núcleo familiar e a turbulência de um grupo de condenados.

Agora, o grupo é de apenas uma coisa: Sobreviventes e/ou condenados. Agressivos, quase frios, irritáveis, insensiveis.

Sobrou a loira ingênua, Andrea, que tem muito da sensibilidade da falecida Lori e a quem eu dedico minha simpatia, torcendo para que ela também não morra... A sensibilidade feminina é muito importante para essa trama cheia agressividade, violência e terror. Esperemos que os diretores e/ou autores do seriado pensem o mesmo.


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4 comentários:

Douglas Briganti disse...

Gostava de "The walking dead" desde a época que só havia os quadrinhos em preto e branco. Quando a séie surgiu fizeram algo realmene surpreendente. A trama é praticamente a mesma, iniciando com o trio amoroso, adicionando a família de Hershel, posteriormente a prisão e seu fatídico desfecho. Por já conhecer a base do enredo algumas mortes não surpreenderam, como a de Shane e Lori, embora tenham ocorrido de forma diferente. Com o seguimento da série a tendência dos personagens é a aproximação afetiva entre os membros do grupo e a alienação social com outros grupos de sobreviventes. Depois da prisão a esperança do grupo em relação à humanidade é fortemente abalada.
Gostei muito de sua resenha. Captou a essência do que é a série: uma drama humano e não apenas mais uma estória de zumbis.

Natália Maria disse...

Olá!!

Eu poderia chegar aqui e xingá-la por todos os spoilers presente no texto, principalmente porque estou acompanhando a série via HQ e Band (já que a FOX não pegava legal aqui em casa), mais não vou fazer isso.

Na verdade, foi minha vontade ler esse texto mesmo quando houve coisas que eu não sabia e muito desconfiava que ia acontecer. Minha vontade se deve unicamente ao fato de eu estar gostando da série, apesar de temer zumbis mesmo sabendo que eles não existem!!

Realmente, fiquei intrigada com o que li, ou nem tanto, já que na primeira página da HQ, o autor nos diz que a história irá até onde Rick irá, que será uma história de sobrevivência, que nesse caso é para alguns e não para outros.

Alias, desculpe. Seu texto está ótimo e o que eu li só me deixou com mais vontade de assistir a série e comprar as HQ's.

Até mais

Amor e Livros disse...

Oi, Douglas!
Sim, acho que essa história é realmente boa, não só pela temática sobrenatural, o suspense e a aventura, como pela excelência dos personagens. Um personagem, pelo que ouvi dizer, amado pelos fãs, é o Daryl (o rapaz que usa a besta e mata os zumbis a flechadas). Gosto dele também. E outro, é a espertíssima Michonne. Enfim, todas as tramas paralelas ao drama central são também muito bem conduzidas, e os dramas humanos são muito comoventes.

Apareça sempre!
;)

Amor e Livros disse...

Oi, Natália!
Nossa, desculpe por não ter me apercebido dos spoilers!

Já coloquei lá no início da postagem que "contém spoilers". Realmente, eu falei demais, :P

Acho que me antecipei tanto assim por causa das emoções provocadas por tudo o que assisti. Mas, pode crer, se vc acompanhar, vai ver que tem muiiita coisa além do que eu disse. Tem muitas novidades interessantíssimas, novos personagens que vão entrar (apesar de alguns saírem), muita aventura com os zumbis (e com os "malvadões" da história, que não estão mortos, ao contrário, estão é bem vivos... ), enfim. Muita água vai correr ainda!

Eu estou ansiosa pelos próximos episódios. :D

Foi mal eu não ter avisado dos spoilers. Valeu por ter me chamado a atenção!

Volte sempre!
;)