C. A. Smith - O demonio da flor [resenha de conto]

Conto de Clark A. Smith, tradução: José Geraldo Gouvea.

Clark A. Smith, contemporâneo e amigo de H. P. Lovecraft, Jack London e outros grandes autores de fantasia norte-americana, foi um profícuo escritor, contista, escultor, poeta e pintor.

Fiquei conhecendo sua obra inicialmente, através sites de língua espanhola que publicam sua obra naquele idioma, depois pelo Projeto Gutenberg, onde há uma vastíssima coleção de obras de língua inglesa em domínio público. Algumas que nunca foram publicadas no Brasil.

Eu mesma já fiz algumas traduções dessas obras (na maioria, contos) e fico muito agradecida também aos escritores e/ou tradutores independentes que o fazem. É a única maneira de nós, brasileiros, virmos a conhecer tais obras, raras e bem escritas, que as editoras nacionais ( não sei por que ) ignoram... preferindo lançar bestsellerzinhos descartáveis do tipo "romance teen" como está na moda hoje em dia, ao invés de um clássico imortal, como tal obra.

Dentre os amigos (ou contemporâneos) de Lovecraft, há dois que eu admiro demais, e cujas obras gostaria de ver traduzidas, todas se possível: August Derleth e Clarck A. Smith.

Deste último, estão saindo traduções muito boas na internet. A obra que li e que vou resenhar aqui, é do site do escritor José Geraldo Gouvea, que traduziu de maneira excelente o conto O demônio da flor, hoje em domínio público, e só agora traduzido para o português: Meus sinceros agradecimentos a José Geraldo Gouvea, que também nos dá uma mostra de seus inúmeros trabalhos no seu site, Letras Elétricas.

Um resuminho do conto:

No distante planeta Lophai os seres dominantes não eram os seus habitantes "humanos", mas as plantas: Seres meio demoníacos, elas eram as verdadeiras senhoras de tudo, com seu aspecto sinistro e sua inteligência maligna. Um dia, Lunithi, rei de Lophai, resolve desafiar a sinistra Voorqual - a soberana de todas as plantas carnívoras do planeta.

O QUE ACHEI:

O estilo de C. A. Smith é muito interessante, lembrando vagamente o de Lovecraft. Sua prosa é poética, e embora sua ficção científica não seja assim, tão... científica (com embasamento científico) é impossível deixar de apreciar, e como Robert E. Howard (que escrevia fantasia e fc também), seus textos nos remetem a mundos esquisitos, bizarros, com atmosferas de pesadelos ou sonhos estranhos.




O cenário do planeta Lophai é algo assim. Um mundo de grandes desertos e dois sóis coloridos. Assim começa o conto:

"A vegetação do planeta Lophai não é como as plantas e flores da Terra, que crescem pacíficas sob um sol solitário. Enrolando e desenrolando em manhãs duplas, crescendo tumultuosamente sob vastos sóis de verde jade e alaranjado rubi, vibrando se agitando em ricos ocasos, em noites toldadas por auroras; elas parecem campos de serpentes enraizadas que dançam eternamente para uma música sobrenatural."

Lunithi não se conforma com a submissão de seu povo à ditadura vegetal. A planta-demônio, ser sedento de sangue, exige à cada solstício de verão um sacrifício humano, e desta vez é Nala, a noiva prometida de Lunithi, a vítima escolhida...

Por aí já se pode ter uma ideia, certo? Lunithi, munido de coragem e bravura, tentará libertar sua noiva e livrar seu povo da Vorquaal. Ele irá à procura de uma misteriosa entidade que, segundo as lendas do seu povo, é a única que tem alguma ideia ou noção do que se pode fazer contra a planta-demônio.
Entretanto, embora Lunithi tivesse boas intenções, fosse corajoso, bravo e forte o suficiente para enfrentar o terror que espreitava entre as rochas traiçoeiras do deserto ou próximo das imundas plantas carniceiras, faltou uma coisa a ele. Um pequeno detalhe apenas, e por causa dessa ínfima falha  (a pressa), ele poria  tudo a perder. Talvez, com um pouco mais de paciência e prudência, ele pudesse derrotar a coisa. Porém...


O conto emite uma atmosfera fantástica e sobrenatural, nos trazendo aos olhos imagens incríveis de plantas esquisitas, que mais parecem monstros. Eu fiquei imaginando... Um planeta habitado e "governado" por plantas. É muito original e assustador.

Um conto bacana, não exatamente mórbido como os de Lovecraft (que se limitava aos mitos de Cthulhu), mas bem trabalho, numa linguagem rebuscada, mas bem acessível.

Só tenho a agradecer ao tradutor, que foi impecável no seu trabalho. Melhor do que a tradução de muitos livros famosos, publicados por grandes editoras!
Quem quiser ler o conto na íntegra, ele está no site do escritor:



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3 comentários:

Jose Geraldo Gouvea disse...

Olá, obrigado pela visita e pala resenha!

E já que gostou, prepare-se pois estou começando uma série de traduções dele.

Vêm aí "A Droga Plutoniana", "Esquizofrênico Criador", "A Mãe dos Sapos", "Abandonados em Andrômeda", "O Senhor do Asteróide", "Uma Vindima da Atlântida", "Morthylla", "A Vinda do Verme Branco", "As Abominações de Yondo", "O Fazedor de Gárgulas", "A Vênus de Azombeii" e "O Terceiro Episódio de Vathek".

Amor e Livros disse...

Oi, José Geraldo, tudo bem?

Nossa, que ótima notícia! Você não sabe como fico feliz por isso! Esses contos todos, que nunca foram publicados por aqui (pelo menos, não que eu jamais tenha visto, nem impresso, nem em ebook) serão uma contribuição inestimável para a literatura de fantasia. E pode crer, você terá muitos seguidores, já que esses escritores, contemporâneos de Lovecraft e Robert E. Howard, tem fãs fieis aqui! E eu sou uma, hehehe.

Ficarei antenada e sempre estarei consultando seu blog!

Bjoss!

Jose Geraldo Gouvea disse...

Eu particularmente gosto muito do Terceiro Episódio de Vathek, mas vou guardar por último porque ele é realmente muito bom. Essa semana saiu "Esquizofrênico Criador", na próxima acho que vai ser "Senhor do Asteróide".