Raymond Khoury - O Ultimo Templario

O Último Templário - Raymond Khoury

Quatro homens mascarados montados a cavalo, vestidos como Cavaleiros "Templários", irrompem na noite de gala de inauguração de uma exposição do Vaticano no Museu Metropolitan e roubam um misterioso decodificador medieval, lançando o agente do FBI Reilly e a arqueóloga Tess Chaykin numa corrida mortal por três continentes em busca do local final de descanso do Templo do Falcão e a perturbadora verdade sobre a sua carga.

O QUE ACHEI:

Mais um livro à la Código Da Vinci. Nada de muito especial em relação aquele, apenas o núcleo central da trama é diferente. Naquele, havia um 'tesouro' ou segredo de dimensões grandiosas, 'que poderia abalar a fé cristã'. Neste, o mesmo clichê. Naquele, um casal de aventureiros/estudiosos irão atrás de assassinos perigosos/tesouro/segredo/código. Aqui, praticamente o mesmo acontecerá. Bandidos perigosos, pessoas alucinadas/fanáticas querem 'roubar' o famoso (e fantasioso) tesouro dos templários, escondido... em algum lugar... em algum canto quase inacessível do mundo. E que o tal decodificador poderia dar as melhores pistas e ajudar a descoberta. E lá vem novo cliclê-teoria-de-conspiração-baseado-em-dan-brown. É tudo muito bem escrito, não há o que se recriminar quanto à forma da escrita (ágil, lisa, rápida, estilo bestseller de rápido consumo). Tem, claro, muitas coisas diferentes, como o uso do sempre, eterno, mistério dos templários. Quem foram? Por quê corriam tantas lendas sobre eles? Teria havido, de fato, um "tesouro" físico ou simplesmente um "segredo" guardado a sete chaves, tipo... tesouro?

É por aí a narrativa de Raymond Khoury; mas ainda assim, prefiro Dan Brown, que é tão ágil quanto este e contém elementos de suspense bem MAIOR. O suspense de Khoury é dosado, lento, pingado. O suspense de Dan Brown é mais forte, nos agita, nos deixa sem fôlego durante toda a leitura, que você segue com uma sede implacável de chegar logo ao tal clímax. Khoury entremeia toda a narrativa com muita ação policial (que eu detesto!), com tiroteios, mortes violentas, brigas, ação forte demais para o tema 'mistério'. Claro, tem gente que gosta de mais ação violenta que suspense. Eu, como já falei, prefiro beeeeem mais o suspense, com ação nos momentos críticos apenas. É o suspense que dá vida às emoções do leitor, que o faz roer as unhas para "descobrir" quem é quem, por quê isso ou aquilo ocorreu, quem é o vilão, quem é o mocinho, quem tem culpa, quem não tem. E, claro, como a grande revelação vai acontecer: O "uau" final.

Aqui, a grande "revelação oculta à sete chaves" dos templários vai colocá-los como 'mocinhos injustiçados' na narrativa. Percebi, de maneira sutil mas indelével, que o autor resolveu macular mais um pouco o Cristianismo. E desta feita, pior que Dan Brown fez em "O Código da Vinci" (onde apenas ele coloca Jesus Cristo como um homem casado). Khoury foi além, nestes tempos em que a religião (principalmente a católica) está sendo alvo de todo tipo de escárnio e desrespeito. Não sou católica, mas assim como quero que minha religião (ou crença cristã) seja respeitada, quero que todas as religiões o sejam.
Natualmente, ele coloca tudo como ficção, imaginação do autor, porém, claro... sempre com aquela sugestão que vai se infiltrar na cabeça dos leitores. Mas será que isso não é mesmo real? Mas será mesmo que... tal coisa podia ser verdadeira? E se for? E... se...?

Não gostei da trama, com violência demais, suspense de menos. Não gostei dos personagens, exceto do agente Reilly (que era um cristão). Não gostei do "segredo" que é desvendado no final. Não acreditaria em tal coisa, mesmo que mil cientistas e mil códigos e mil tumbas de escribas fossem desenterradas e "comprovadas por métodos cintíficos" serem verdadeiras.

Verdadeiras? Até onde? Podem os cientistas comprovar que tal documento (ou objeto) tem tal idade, pertenceu a tal cultura. Podem? Sim. Mas como comprovar que tal documento ou objeto foi realmente da pessoa ou povo que se diz ser? Talvez não fosse uma falsificação moderna. Mas nos tempos antigos também existiam falsificadores e imitadores. Poderia ser de fato, antigo. Mas ninguém poderia dizer que tal coisa (escrito, pergaminho, vaso, cofre, joia, etc) teria pertencido a fulano ou a ciclano.

Enfim, é mais um livro de aventuras, que eu não recomendo. Mas se você quiser conferir, aviso que a leitura poderá ser bem cansativa a certas alturas.

Boa sorte.



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