H. P. Lovecraft - Nas Montanhas da Loucura

Nas Montanhas Da Loucura - H. P. Lovecraft
Nas Montanhas da Loucura descreve uma expedição à Antártida que acaba quando todos os membros dum grupo avançado de exploradores são misteriosamente mortos e o seu acampamento destroçado por aquilo que é, aparentemente, um ser vivo, terrestre (pelo menos deixa rastros), de grandes dimensões, improvável naquele lugar. Na sequência do desastre, dois homens embarcam num pequeno avião e vão tentar saber o que se passou.

O QUE ACHEI:
Um livro que já teve pelo menos, umas quatro ou cinco publicações no Brasil. Caracteriza-se por ser um livro completo, ou seja, um romance, o que o diferencia das demais obras de Lovecraft. Este escreveu muito mais contos que romances ou novelas.


 
Pela sinopse, imagina-se algo parecido com um filme de ficção científica, ao estilo Alien ou similares, ou de expedições que vão ao Ártico ou Antártida em busca de respostas para mistérios sobrenaturais... Mas dessa vez Lovecraft não engrenou! Uma história que tinha tudo para ser a melhor de toda sua produção literária, pela profundidade do tema - aliens, megalópoles antiguíssimas, fósseis de milhões e milhões de anos, espécimes estranhas e um perigo real. E muito atual.

Mas a coisa não vai por aí. O abuso de adjetivos - 'primevos', 'primais', 'impronunciáveis', 'terrífico', 'blasfemo' - e as descrições pormenorizadas de tudo, principalmente das tais cavernas cheias de "blasfemas esculturas" são entendiantes, diminuem muito o prazer da leitura. Torna-se quase um sofrimento prosseguir até o final do livro, para enfim entendermos do que se trata o tal "mal impronunciável", o tal mal que, de tão "blasfemo, inominável e amaldiçoado", fez com que seu companheiro ficasse meio maluco (ou com nervos abalados, segundo o narrador). Entretanto, o final não chega a ser assustador, absolutamente.

Apesar de todos os pesares, uma leitura de Lovecraft, por mais que nos desaponte (a nós, leitores do século XXI, tão acostumados a filmes de terror de toda classe e as bizarrices mais hediondas) sempre vale como uma lição de literatura e prova o quanto os escritores norte-americanos e europeus estavam adiantados, em matéria de ficção fantástica, em relação ao resto do mundo. Enquanto Lovecraft arrepiava os leitores do século XIX com suas histórias sobrenaturais, nossos escritores por aqui sequer sonhariam em escrever tais "sonhos loucos". 
 

 Enfim, Nas Montanhas da Loucura não chega a fascinar como outros contos, sequer assustar; mas vale, como eu disse, para se conhecer mais do mundo louco de Cthulhu e sua mitologia que contagiou tantos e tantos escritores e leitores por todo o mundo.


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