Richard Matheson - Hell House, a casa Infernal


Hell house - A casa infernal - Richard Matheson

Por mais de vinte anos a Mansão Belasco permaneceu vazia. Tida como o “Monte Everest” das casas mal-assombradas, essa construção de aspecto imponente e sinistro testemunhou cenas inconcebíveis de horror e depravação. No passado, duas expedições com o propósito de investigar os segredos que a casa encerrava terminaram em assassinato, suicídio e loucura para seus integrantes. Agora, uma nova investigação tem lugar, levando quatro estranhos ao local interditado, determinados a esquadrinhar a Mansão Belasco em busca de respostas definitivas sobre a vida após a morte. Cada um dos membros da nova equipe tem suas próprias razões para enfrentar os tormentos e tentações indescritíveis da mansão; mas, será que alguém consegue sobreviver ao mal que espreita na casa?

O QUE ACHEI:
Um livro incrível! Tanto no bom, quanto no mal sentido... Eu explico: É incrivelmente bem escrito, disso não há o que reclamar. Richard Matheson, autor do excelente "Eu Sou a Lenda", traduzido  de modo capenga como "A última esperança sobre a terra" (um título nada-a-ver), bem como do inesquecível thriller de amor, suspense e sobrenatural, "Em Algum Lugar do Passado" (que virou um filme clássico sobre viagem no tempo), não podia decepcionar com esse livro de terror pesado e meio indigesto. Indigesto para os cristãos, como já vou explicar.

 Erroneamente comparado ao clássico de Shirley Jackson "A Assombração da Casa da Colina", outro supra-sumo do horror gótico, esse aqui tem similaridades com aquele. Por exemplo, o fato de quatro pessoas, pesquisadores e médiuns, irem passar 'uma pequena temporada' na mansão assombrada e tida como extremamente maligna... Dá para imaginar, né? Parece que, diante de um tema tão batido, o autor ia cair nas armadilhas dos velhos clichês: Fantasmas que surgem nas paredes, nas janelas, um dos membros da expedição enlouquecendo e morrendo, os médiuns com suas intermináveis sessões entediantes, blablabla. Ok, o livro tem desses clichês também, mas... com uma enorme diferença: A narrativa de Matheson é incomparável! Fluída, leve, rápida, sem excessivas e cansativas considerações filosóficas a respeito das vidas dos personagens ou de suas perspectivas diante do presente ou futuro. O ritmo da história é tão ágil, que você não consegue largar o livro, no afã de logo chegar aos finalmentes!

 E chega, sim. Não é um daqueles livros que criam expectativas para depois jogar um balde de água fria no  leitor, com uma cena de fogo-de-palha, que não esclarece nada. O suspense é mantido em ritmo sempre crescente, até surgirem pequenos ápices de terror inimaginável. Isso mesmo. Esqueça os velhos clichês do terror imaginável e pense... ou melhor, tente pensar em cenas de um terror supremo e angustiante. Cenas de um pesadelo tremendo e sufocante. Pois o livro é permeado exatamente por momentos assim: Terrores que a gente sequer se atreve a imaginar! E um terror feito para adultos com sangue-frio, não muito impressionáveis, pois é mais um terror psicológico que físico. Ou mesmo sobrenatural. Aliás, o termo "sobrenatural" é usado no livro todo com ressalvas, já que o Dr. Lionel Barrett é um físico, e nada para ele entra no termo "sobre-natural". Talvez "paranormal" ou diferente do normal, mas nada além disso, nada de muito espiritual ou fantasmagórico.

O mais chocante, são as cenas de sexualidade, assédio psicológico e ofensas contra o cristianismo da casa infernal: Não gostei nada de algumas menções feitas contra Jesus Cristo, com o intuito de ser ostensivamente aterrorizante, mas tornando-se apenas ofensivo à fé cristã. E por quê as tolices que vinham à cabeça de Florence tinham de ser relacionadas à Deus e a Cristo? O livro poderia ser muito melhor sem essas palavras horríveis (que apesar de serem uma "ficção" não deixam de ofender e nausear os leitores).

Os personagens decepcionam apenas um pouco, mas era de se esperar: Quem mais me decepcionou foi a médium Florence, por sua extrema ingenuidade diante das diabruras da casa. No final, porém, tudo vai se esclarecer, pois até Florence dará sua contribuição para que o mal diabólico seja controlado... ou quase. 

O final ainda fica um tanto quanto nebuloso e a explicação para a destruição de Hell House não foi lá muito convincente. Alguns fios ficaram soltos, alguns "por quês" mal explicados, como por exemplo, o que se relacionaria com a "genialidade" de Belasco. Não quero contar nada de antemão, para não tirar o gosto de quem vai ler, mas a explicação final é claramente dúbia, no que se refere à força fantasmagórica x máquina reversora do Dr. Barrett. Não fez muito sentido para mim o que foi descoberto na página 253, a penúltima, já que tal ideia criativa fora utilizada apenas em um cômodo da casa, e para proteger o quê, ou quem? Contra quem? E mesmo que ele (o 'gênio do mal') se soubesse, como adivinharia que um dia o Dr. Barrett iria passar ali algum tempo, com sua máquina?

Bem, no todo, a história é boa, apesar desses pequenos deslizes de fim de livro, comuns em tramas muito complicadas, ou quando o autor quer dar um desenlance muito criativo.


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2 comentários:

Marta Safaneta disse...

Não conhecia nenhum outro livro do autor, apena o Eu Sou a Lenda.
Gosto muito de livros de terror, Joe Hill é meu autor favorito do gênero, mas ainda não li muitos outros autores.
Me interessei bastante por Hell House, quem sabe um dia eu leio :)
Gostei da resenha ^^

Beijos
Marta
As Palavras Fugiram

Arismeire Kümmer Silva disse...

Realmente, é um livro que vale a pena ler, apesar de algumas coisas que poderiam não aparecer :-)
No filme eles peneiraram certas coisas e acabou ficando muito bom e muito assustador :-D
Bj, Aris.
PS: Continuamos com o mesmo gosto para leitura, hehehehehe.