Gillian Summers - A Filha do Pastor das Arvores - Povos da Arvores, 1


A Filha do Pastor das Árvores - O Povo das Árvores - Livro 01

Com a morte da mãe, Keelie Heartwood, uma jovem de apenas quinze anos, é forçada a deixar sua adorada Califórnia para viver com o pai nômade no Festival da Renascença de Montanha Alta, no Colorado. Lá, coisas estranhas começam a acontecer — estranhas mas familiares. Keelie percebe que algumas pessoas do festival têm orelhas pontudas, incluindo o cavaleiro mais bonito do lugar, Lorde Sean do Bosque. Quando ela começa a ver seres estranhos e a se comunicar com árvores, descobre que existe um segredo a seu respeito e percebe que seu pai lhe deve explicações.


"A Filha do Pastor das Árvores" é um romance mágico e instigante que prende o leitor do começo ao fim. Após a leitura, viver na floresta em meio a um Festival da Renascença será uma ideia muito atraente. Um livro a ser devorado, independentemente da idade.

Após ser elogiado pela crítica e sucesso de vendas, além de receber excelentes avaliações nas principais livrarias do mundo, chega ao Brasil A filha do pastor das árvores, primeiro volume da série O povo das árvores, de Gillian Summers.

O QUE ACHEI:
Um livro que li rápido, embora no início tenha me enfarado um pouco (palavra do dia, rss. O mesmo que "enfadado"). A protagonista, Keelie Hearthwood, tinha perdido a mãe em um acidente aéreo e fora viver com o pai, no Colorado. Chega exatamente no meio do Festival da Renascença (acho que Montanha Alta deve ser algum tipo de parque ou reserva florestal, algo que o valha).  Embora, na minha opinião, o nome  correto deveria ser Festival Medieval, já que lá tudo girava em torno da época medieva, incluindo o modo de vida.


 Bem, voltemos a Keelie Hearthwood... É uma personagem insuportável. Só isso. Uma criatura malcriada (embora a autora dê a entender que a mãe a criou da melhor maneira possível), resmungona, mimada, patricinha metida, preconceituosa e (quase) sem nenhum respeito por ninguém, principalmente pelo pai.

Apesar deste último dar mostras (e provas) de que a ama, e que não a abandonou - como ela supunha - a criatura não deixa de resmungar e num murmúrio repetitivo que incomoda o leitor, que vai embora... que não pode gostar dele... que sente falta da mãe... e da mãe... e da mãe. Enfim, mais da metade do livro a gente enjoa de tanto ler as relembranças de Keelie e da sua mãe. E se irrita com seu caráter superficial, consumista ao extremo e egocêntrico. Bem, para quem gosta de protagonistas juvenis à la Sara Craven ("A Princesinha", Frances H. Burnett), cheias de carisma, bom gênio e delicadeza, ler a história de uma pentelha como Keelie Hearthwood é um choque. Claro, aí vem os leitores que gostaram dizer: o mundo mudou. Oh, mudou sim, e por tudo que ando lendo nessa nova literaturazinha juvenil, mudou para pior! Poxa, como mudou! As novas protagonistas não tem mais o mínimo toque de bondade, ou pelo menos, um espírito mais aberto e acessível ao que é diferente do seu mundinho confortável, rico, consumista e ególatra.

Bem, fora esse lado - negro - da personalidade da chatíssima Keelie, o resto da história foi até interessante. Embora a guriazinha estivesse vendo o sobrenatural, com tudo diante do seu nariz, claro e aberto, ela se recusa a acreditar, supondo-se "delirante", achando que seu dom de se comunicar com as árvores é mais uma maldição que um dom, que as pessoas do festival são todas "ripongas piradas", um pessoalzinho que curte new age e andam todos drogados, e por aí vai...

Nem o pai ela respeita. Bem feito para ela que Knot, o gato-de-conto-de-fadas, tem uma boa dose de malandragem: O gato sabe como dar boas lições na menina mimada.


O livro seria nota 9,0, não fosse o enfoque dado apenas aos pensamentos e reflexões preconceituosos da insuportável Keelie.

Se os autores tivessem mostrado mais o lado da bonita fantasia das fadas, a magia dos elementais (que só foi mostrado quase no fim) e dado um tom mais respeitoso ao relacionamento de Keelie e seu pai, seria nota nove. Mas fazer o quê? Esse tipo de protagonista de livro juvenil retrata bem a nossa sociedade atual, em que os adolescentes não tem limites e ninguém (muito menos os pais) conseguem por freios em seus modos rebeldes e atrevidos.


Outra coisa que notei, é que as editoras andam investindo pra valer no marketing das capas. Na confecção e originalidade das mesmas: O invólucro bonitinho, porém, muitas vezes engana... vamos nos lembrar que, comprar um livro por causa de "uma capa linda" é o mesmo que comprar uma "linda caixa de presente" sem saber o que tem dentro. Embalagem não faz o produto, hábito não faz o monge... bem, eu não vou nessa de comprar pela capa. Estratégias novas de marketing das editoras, que para mim, não colam.

Eu não comprei esse livro, devo confessar. Emprestei de uma amiga. E sinceramente, não o compraria por causa de uma capa bonita. No mais, faltou muita coisa ao enredo para "engrossar o caldo" da verdadeira história (do dom da personagem, do mundo mágico e do papel de Zeke, o pai dela e "pastor das árvores").

Vou acompanhar a série, e veremos se os "próximos episódios" valerão a pena e precinho do livro.
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3 comentários:

Gabrielle Erudessa disse...

Eu até tava pensando em comprar esse livro por causa da sinopse, que parece interessante, mas depois dessa, acho que vou ler o livro inteiro no pc e então decidir se compro... Se realmente a coisa for toda assim com a personagem principal, se bobear nem acompanhar o resto da série acompanho (Os Imortais... Comprei o primeiro e me arrependo até hoje).
Excelente resenha!

Amor e Livros disse...

Oi, Gabrielle!
Então... o livro e a linguagem da autora (são duas autoras, na verdade, usando pseudônimo),seria muito bom, como eu disse, se: A protagonista não fosse tão chatinha e malcriada. Veja esse trecho de um diálogo entre Keelie e o pai:
"-Ah, cresça e apareça, Zeke. Você é um tremendo Peter Pan com suas fãs e seu jeitinho elfo de ser. Um natureba que se dedica a cerimônias com árvores..."

Não fosse isso, tudo o mais seria muito bom, incluindo alguns personagens curiosos e carismáticos: Elianard (o elfo misterioso), o falcão Moon, Janice, Knot, etc.

Mas os gostos variam, rs. Dê uma olhadinha (uma lida preliminar) para ver o que vc acha.

Bjs!
;)

Gabrielle Erudessa disse...

Nossa. Eu e meu pai tivemos alguns atritos uns anos atrás, mas nunca falei uns trem assim o.o
Personagens principais mimadas e todo o mais são terríveis... Raramente encontro alguma personagem não-perfeita/whatever que gosto. Saba, da série Dustlands, é uma das que me conquistaram, apesar de tudo.
Vou ler sim, embora provavelmente só decida se compro ou não depois xD

Bjs