Edgar Allan Poe - Eleonora [conto]



ELEONORA é um conto escrito por Edgar Allan Poe e que pode ser encontrado em diversas antologias do autor no Brasil, publicadas pelas mais diversas editoras. O que li foi publicado em "Histórias Extraordinárias", da Editora Globo.

O QUE ACHEI:
Um conto que é poesia em narrativa. Sem perder o seu tom mórbido e peculiarmente poético, o autor começa a contar a história de Eleonora na primeira pessoa, como o rapaz, o primo da protagonista, que se apaixona por ela.

Vivendo em uma mansão, dentro de um lugar paradisíaco que ele chama de Vale das Relvas Multicores, apenas ele, Eleonora e sua tia (mãe desta), eles vivem um eterno idílio, entre asas de pássarps e anjos, sendo a jovem prima o maior e mais belo dos anjos...
"Durante quinze anos, vagueamos, de mãos dadas, pelo vale, eu e Eleonora, antes que o Amor penetrasse em nossos corações. Foi tarde, numa tarde, no fim do terceiro lustro de sua vida e no quarto da minha,  em que nos achávamos sentados sob as árvores serpentinas,  estreitamente abraçados e contemplávamos nossos rostos dentro da água do rio do Silêncio. Nem uma palavra dissemos durante o resto daquele dia suave, e mesmo no dia seguinte nossas palavras eram roucas e trêmulas. Tínhamos arrancado daquelas águas o deus Eros e agora sentíamos que ele inflamara, dentro de nós, as almas ardentes  de nossos antepassados. As paixões que durante séculos haviam  distinguido nossa raça vieram em turbilhão com as fantasias pelas quais tinham sido igualmente notáveis e juntas sopraram uma delirante felicidade sobre o vale das Relvas Multicores. Todas as coisas se transformaram."
O narrador conta sua história - curta, dá menos de quatro páginas - com a linda e doce Eleonora, sua prima...

Um conto cheio de lirismo, onde a narrativa de Poe, entremeando suspense, poesia e um leve toque sobrenatural, nos encanta e nos transporta para aquele mundo quase irreal, onde os pássaros cantam dia e noite, as flores brotam em toda parte e os anjos parecem sorrir em cada botão de flor, em cada sopro de vento e cada gota d'água que cai sobre as relvas.

O final é surpreendente. Um conto que, embora curtinho, nos enche de nostalgia e nos faz pensar em como o amor é efêmero e como as promessas da juventude podem ser levadas pelo vento, da mesma forma que as folhas das árvores no outono... 

Só tenho uma palavra mais sobre esse conto: Lindo.


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