Juliet Marillier - O Segredo de Cibele


                     O Segredo de Cybele - Série Wildwood II - Juliet Marillier

Sinopse:
A jovem Paula aventura-se por entre os cantos proibidos de uma misteriosa cidade e o mundo encantado do outro Reino. Mas ela poderá suportar os testes de bravura, sabedoria e amor verdadeiro? Na Istambul do começo do período otomano, época em que essa cidade era o coração comercial da atual Turquia, Paula vivencia verdadeiras provações humanas que envolvem os limites da religião muçulmana, o culto secreto à deusa Cybele e sua irmã desaparecida Tati. Essa expedição a levará a verdadeiros testes de bravura e confiança.

O QUE ACHEI:
Desde que iniciei a ler a edição portuguesa de "A Filha da Floresta" (Trilogia Sevenwaters), embora não tenha ido além da página 12, fiquei encantada com o estilo dessa escritora. Tive muita vontade que os livros dela fosse publicados aqui no Brasil... e tempos depois, me deparei com o lançamento de "A Dança da Floresta" e "O Segredo de Cybele". Na dúvida, e sem saber que eram uma série, comprei o segundo... bem, errei, pois devia ler na ordem. O primeiro é a história de Jena e Tati, o segundo a história de Paula. Então, fiquei sem saber o que tinha ocorrido às duas primeira irmãs.

Independente disso, aqui a história é a de Paula, que vai para Istambul, acompanhar seu pai, que é um grande comerciante. Naquela época em que Istambul era o centro do comércio do mundo, e havia ainda mais restrições em relação às mulheres (no mundo árabe, principalmente), Paula teme que não possa acompanhar o pai em todos os lugares que ele for, e para garantir sua segurança, ele contrata um guarda-costas para ela.

Aqui, surge o primeiro de muitos personagens inesquecíveis. Stoyan é um jovem e fortíssimo búlgaro, de olhos cor de âmbar e negra cabeleira, com ar feroz, mas coração bondoso. Será um grande companheiro para Paula, que aos poucos, adentrará "o outro mundo", o mundo das fadas, deuses exóticos e criaturas élficas através dos sonhos.
 Há um artefato, na verdade uma estatueta da contraditória deusa Cybele - antiga deusa frígia, incorporada pelos gregos que a confundiram ou miscigenaram com a deusa Reia, esposa de Saturno. Tal artefato, segundo as lendas, concede poderes ou dádivas extraordinárias a quem o possuir...

Não por ganância, mas por ser um bom negociante, o pai de Paula irá atrás dele. E nesta luta pelo raríssimo artefato, seja por amor às antiguidades, por ganância, superstição ou seja o que for, juntam-se a ele vários outros mercadores. Dentre estes, vão se destacar um pirata português, Duarte Aguiar e a linda Irene de Volos, uma das mulheres mais destacadas da restrita e bem escondida sociedade feminina da cidade.

O livro vai ter pitadas de tudo o que é bom: romance, aventuras, mistérios sobrenaturais, sonhos estranhos, cenas comoventes, cenas de adrenalina pura, perigo, terror... e... amor.


  Um triângulo amoroso dos melhores, no qual a autora não dará pista nenhuma sobre "quem" fica com "quem". Claro, cada leitor (a) vai definir seu gosto. Desde o começo, eu comparei o bonitão e riquíssimo pirata ao humilde, grosseiro e iletrado Stoyan. Para todos os efeitos, a balança tende a pender para o belo Duarte, que além de tudo, deu mostras de ímpeto, bravura, coragem e blablabla.

Já o misterioso Stoyan me fez, no início da leitura, até desconfiar um pouco dele... já que seu patrão anterior tinha sido assassinado... e Irene falou a Paula que ela não podia ter assim, tanta confiança no guarda-costas.

Mas eu passei a ansiar pelos momentos em que Paula se encontrava com Stoyan - geralmente quando ela estava em perigo ou chorava à noite, após um dos pesadelos, e o jovem fortão a consolava... Gostei dele, e comecei a torcer para que ele fosse o eleito por seu coração (pelo menos, eu no lugar dela, teria feito isso).


Mas o que fazer, se alguns escritores são sádicos, não é mesmo? E gostam de esconder tudo do leitor, até a última linha?

A história trará muitas tramas paralelas ao romance triangular de Paula-Duarte-Stoyan, como o desaparecimento da irmã dela, Tati, que fora viver no mundo das fadas, a busca pelo segredo de Cibele, um mundo incrível e cheio de criaturas esquisitíssimas, perigos, vilões de todo tipo.

O final é delicioso, apesar de - como eu falei - muita "enrolação" da autora na definição geral.

Não da para ninguém imaginar o final, isso eu garanto. Dá até certa irritação no leitor, pois ela abusou do prolongamento do clímax romântico - enrolou demais mesmo. Mas enfim... as coisas serão interessantes.

Puxa, o começo do livro é muito morno, e não dá nenhuma ideia do que virá lá pelo meio. É daqueles livros em que o leitor precisará ler um bom punhado de páginas, quase 1/3 dele, para sentir-se envolvido. E depois desse envolvimento, não vai conseguir parar de ler, até a última linha, onde afinal, a tramoia é desfeita.

Um livro que não dá para dar nota 10, por conta dessas "enrolações"  e indefinições. Mas, após tanto sofrimento, gostei. Há uma lição bem importante nas entrelinhas dessa história: O amor independe de preconceitos. Nada segura o verdadeiro amor, nem o sobrenatural, nem o natural. Nem a força dos preconceitos e maldades, nem mesmo as "boas intenções"... Quando o amor chega, ele rompe quaisquer barreiras.

Outra coisa que chama muito a atenção, é a capa dessas séries... quem estiver a fim de descobrir alguns dos pequenos enigmas da história, é só observar bem a capa do livro: Ali estão alguns dos personagens (e objetos) mais importantes da história. Naturalmente, a moça linda com a estátua da gorda Cibele (quebrada) é Paula... e em torno dela, alguns dos principais símbolos do mistério todo. Se você for arguto o suficiente, notará que algumas respostas jazem na própria capa do livro.
Bem como nesse trecho da feiticeira da gruta:
"- Não é para resolver agora - disse a anciã, aparentemente lendo meus pensamentos. - Leve-a com você, pense no seu significado e encontre a solução no devido tempo. Mas não se demore muito. Diz assim:

Água e pedra
Carne e osso
Noite e dia
Rosa e espinho
Árvore e vento
Coração e mente.
"

Alguém (que não leu o livro) pode entender vagamente o que isso significa. Opostos. Coisas opostas, criaturas opostas. Mas complementares, coisas que não vivem uma sem a outra. E se levarmos isso para nosso dia a dia, veremos que tem muita coisa assim em nossas vidas... principalmente quando pensamos em termo de pessoas: os pais geralmente não são mais durões que as mães? Opostos complementares. Quando temos um membro da família mais difícil de lidar, geralmente não existe outro que é totalmente compreensivo e doce? Bem, opostos complementares. Os opostos se complementam.

É isso aí! Um ótimo livro.
Nota 9,0.
 

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