Hank Searls - Tubarao 2

Quatro anos depois o terror continua...

Faz quatro anos desde que o traiçoeiro tubarão branco aterrorizou a tranquila praia de Amity; agora o chefe de polícia Brody encontra-se numa corrida contra o tempo quando um novo e grande tubarão branco ataca veleiros pilotados por adolescentes, incluindo seus dois filhos! O mesmo suspense de parar o coração e uma tensa aventura que assustou o público nos cinemas do mundo em TUBARÃO, retorna nessa extraordinária seuqencia de um clássico do cinema.
Ronabce de Hank Searls baseado num roteiro de Howard Sackler e Dorothy Tristan, inspirado em TUBARÃO, de Peter Benchley.

Editora Record, 1979.

O QUE ACHEI:
Como já tinha lido 'Tubarão' (o primeiro e o original, de Peter Benchley, ótimo autor) e gostado muito, achei que a sequência, mesmo escrita por outro, seria interessante.
Não é, nem de longe, a mesma coisa que o primeiro livro. Talvez porque era um livro "baseado no roteiro do filme", mas esse livro é muitíssimo inferior ao "Tubarão" de P. Benchley, o qual li em dois dias, quase sem parar.
Esse aqui, embora volte à cidadezinha de Amity e tenha bons personagens, como o 'chefe' Brody, seu filho Mike, um adolescente esperto e a 'tubaroa' (um tubarão fêmea, rs), um predador tão perigoso  e carniceiro quanto seu antecessor... não se compara ao primeiro.

O livro baseado no roteiro do filme (de 1978) é mais curto - 268 páginas - e mesmo assim, cansativo, exceto nos trechos em que são descritos os animais marinhos e os ataques da 'tubaroa-assassina', um grande tubarão branco do tamanho de um barco pesqueiro!

Nestes trechos, a leitura é interessantíssima e o leitor fica comovido com o gentil golfinho que, separando-se dos seus treinadores, ficará à mercê da "morte branca" que ele pressente, através de seus sensores naturais, hiper-desenvolvidos. Ou com a mãe-foca e seu filhote, ela tendo sido atingida e devorada pelo tubarão, e o filhotinho sendo resgatado por Sean, um dos filhos de Brody. Os trechos em que é narrada a vida do tubarão fêmea também são muito curiosos:
"O Grande Tubarão Branco tinha ido na noite anterior de Amity até o Farol da Fire Island, a uma velocidade constante de 10 nós. Pegara uma foca ao largo de Sagaponack e atacara um cardume de percas nas proximidades da Grande Praia do Sul. Chegando a Fire Island, virara novamente para nordeste. Surpreendera uma lula-gigante, que pressentira sua aproximação e afundara para se proteger num recife a 15 braças de profundidade. Mas a lula retomara seu curso cedo demais e acabara perecendo sob o ataque implacável e veloz da morte branca.

Encontrara um tubarão-mangona ao largo de Southampton, mas não conseguira alcançá-lo, porque sua velocidade estava prejudicada pelo volume. Durante a noite, consumira quase 150 quilos de proteínas vivas. Mas ao amanhecer, de volta a Amity, estava novamente faminta."

Assim, a gente fica conhecendo um pouco mais da vida marinha e de como os animais aquáticos se reconhecem e se pressentem mutuamente: Os predadores, agilíssimos, sabem onde podem encontar alimento, e os demais, os que estão na parte inferior da cadeia alimentar, sabem como fugir, se esconder ou disfarçar-se, para escapar à morte dos monstros grandalhões.

  Tubarão mangona

Aqui, o golfinho, de grande inteligência, é um dos mais gentis animais da história, junto com a foquinha Sammy, o filhote da foca que fora devorada pelo tubarão.

O livro seria incrível se fosse mais focado no suspense e nos personagens principais (Brody, Ellen e seus filhos) e na vida dos marinheiros, pescadores e animais marinhos. Porém a trama se perde, quando narra a vida dos moradores de Amity e a chegada à cidade de um gângster de maus bofes, Moscotti, que quer abrir lá um tal cassino. E toda a confusão de personagens, a maioria antipáticos e sem graça, que infernizam a vida do policial Brody, com picuinhas, segredinhos, más intenções, inveja e vinganças, que acabam em tiroteios, mortes e muita chatice policial... Ora, um livro que se chama "Tubarão" deveria enfocar mais o perigo do mar, não as tramoias de um gângester com dente de ouro e sua família malvada. Sem falar que, de uma forma absolutamente irritante, o autor tornará todos os habitantes da cidadezinha cegos e surdos ao perigo real, que é a "tubaroa". Mortes horríveis vão acontecendo, o tempo todo, sem que ninguém veja a bendita fêmea assassina ou, sequer, desconfie de sua existência.


O final é mais interessante, pois tem mais suspense e ação (a ação que é da temática do livro, isto é, cenas marinhas de perigo com o tubarão).

Enfim, nas últimas dez páginas o leitor pode saborear melhor a aventura, a emoção e o terror que é encarar aquele monstro gigantesco, sem armas, numa noite escura e nevoenta, dentro de um pequeno barco com vários adolescentes, todos aterrorizados e a quem você deve proteger, a todo custo...

Um bom final, apesar de 60% do livro ser muito chato.
:D

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1 comentários:

Arismeire Kümmer Silva disse...

Nunca li nenhum dos livros da série, mas o primeiro filme até hoje me faz roer as unhas de nervosa :-D
Os demais filmes são muito toscos, hahahahahaha. Mas sou fã de filmes trash ^^
Bj, Aris.