Polemica: Leitoras Brasileiras X Escritoras Brasileiras


     


Polêmica: Leitoras brasileiras de romance não lêem... autoras  brasileiras!


Na semana passada aconteceu uma coisa que me deixou um tanto intrigada. Durante um debate em um grupo de leitura, eu mencionei o fato de que algumas autoras brasileiras escreviam bons livros - ou pelo menos, assim parecia, pela grande repercussão deles na mídia - porém utilizando cenários e personagens estrangeiros. Como se estivessem tão completamente  alheias ao nosso próprio contexto cultural e social, a ponto de  "adotarem" cenários estrangeiros - notadamente anglo-americanos -  e criarem histórias com personagens que parecem ter saído  diretamente dos seriados de tevê americanos.   

Não li ainda o livro das citadas jovens autoras, então não estava  entrando no mérito da questão de ser o livro "bom" ou "ruim".  Apenas usei o mesmo como referência para a questão acima, ou  seja, lamentei que jovens talentosos não usassem sua própria  terra, personagens brasileiros, como tema para seus romances.  Assim como fazem outros bons autores nacionais, como André  Vianco, Eduardo Spohr, Adriano Siqueira, Martha Argel, Nazarethe  Fonseca, que situam suas histórias dentro do território nacional,  valorizando, enfim, o que é nosso: nosso berço, nossa  nacionalidade, nossa língua.



Enfim, a questão era essa, simples assim. Mas nunca imaginei que  essa singela colocação geraria toda uma grande polêmica e uma  certa "revolta" entre leitoras de romances femininos.



Tudo começou com alguns comentários-respostas, nos quais as  leitoras afirmaram categoricamente que "não lêem romances de  banca" (romances femininos, cor-de-rosa) de escritora brasileira.

As primeiras respostas geraram outras, mais ardorosas, que  concordaram com as primeiras, acrescentando que elas "gostavam de  literatura brasileira, mas jamais de romances de banca escritos  por autoras brasileiras". Ou seja, que descartavam, sem  absolutamente pestanejar, qualquer livro que lhes viesse parar às  mãos se o nome da autora fosse nacional. Ou se o cenário fosse o  Brasil.

Outras respostas vieram, em número sempre crescente, em que  outras leitoras alegavam concordar plenamente.

Até que algumas "vozes" diferentes se ergueram entre o burburinho  de vozes do "NÃO-PARA-AUTORAS-BRASILEIRAS-DE-ROMANCE" e tentaram  vir em defesa das nossa literatura romântica.

Eu tenho que concordar com uma coisa: Praticamente NÃO EXISTEM  autoras brasileiras de romance de banca. São poucas as que  conheço, mas com sinceridade absoluta? As poucas que li estão à  altura de qualquer estrangeira detentora de grandes prêmios ou em  listas de bestsellers.São escritoras que já leram muito,  estudaram as fórmulas padronizadas dos romances "rosa" e sabem  como criar enredos fascinantes e mágicos, excelentes em seu  estilo, no desenrolar dos dramas e no tecer das emoções. Isso,  sem falar de algumas antigas escritoras, citadas pela amiga  Marisa Helena Ferreira, grande leitora e conhecedora de  literatura brasileira, aliás, umas das vozes que se levantaram em  defesa de nossas autoras.

Disse Marisa Helena:



"Toda a minha formação literária foi com autores brasileiros  desde o livro infanto-juvenil, romance de amor, drama, aventura e  até literatura Fantástica.

E confesso que ainda acho estranho quando leio um livro com  formas de tratamento, nomes  e costumes diferentes dos nossos.

Às vezes paro e tenho que me situar que isso não é aqui e se  trata de ficção. Sempre tenho que me contextualizar quanto ao  ambiente, nacionalidade e costumes quando leio um livro  estrangeiro para evitar sofrer um choque cultural.



Esse estranhamento desaparece quando leio um livro escrito por  autores brasileiros e ambientados no Brasil.
E não pensem que uma aventura situada em São Paulo por exemplo  seja menos emocionante que algo acontecido em Nova York ou  Londres. Depende do Talento de quem conta, de quem escreve.

Acabei de ler  "Bicicleta para Dois" de Ganymedes José e estou  mergulhando no "Memorial de Maria Moura", de Rachel de Queiroz",  pois ultimamente estava precisando limpar esse ranço  das minhas  experiências de leitura e me aproximar de textos, autores e  histórias com a qual eu tenha afinidade cultural inclusive.



Esse é um truque que eu uso também para melhorar a minha escrita   e fala.

Infelizmente os livros estrangeiros por melhores que sejam  traduzidos jamais nos permitem  a liberdade de  explorar um   vocabulário rico e variado, formas diferenciadas de construção de  frases e utilização de figuras de linguagem de modo inovador ou  criativo.



Dos autores da nova geração citados por você gosto muito dos  textos de Martha Argel e André Vianco. Este ultimo conseguiu  situar o romance vampírico na periferia com imenso sucesso de  publico inclusive. 


Outro dia vi um artigo de um escritor americano que escreveu um  livro baseado nas lendas brasileiras e situado no Brasil. Ele,  não me recordo o nome, morou no sul do Pais e teve um estreito  contato com a nossa cultura. O livro que ele escreveu ganhou  prêmios internacionais, mas não vai ser publicado aqui.

São coisas assim que não dá pra entender. Aliás quem lembrar o  nome dele e do livro me dê um alô, pois minha memória é péssima   Sou bem capaz de comprar esse livro nem que seja pela Amazon ou  outra livraria estrangeira, somente pelo enorme interesse que  tenho em ler assuntos relacionados aos nossos mitos e lendas.

Para terem uma ideia, meus livros de cabeceira favoritos são  "Dicionário do Folclore" e "Contos Tradicionais do Brasil", de  Luís da Câmara Cascudo e "Contos Populares do Brasil", de Silvio Romero. 
Esses dois autores recolheram histórias da tradição oral do nosso  povo de norte a sul do país. Muitas delas mereciam ser  trabalhadas em romances como "Spin off".

Considero  que a sua reclamação, Jossi,  e a minha também, afinal  outro dia também escrevi um post reclamando da falta de livros de  autores brasileiros,  não se trata de "bairrismo"; que é quando a  gente veste a camisa do time da nossa terra, só porque é da nossa  terra.

Trata-se de uma reivindicação legítima. Queremos também  nos  reconhecer nos personagens e livros que lemos e isso tem muito a  ver com o nosso jeito de ser, de encarar o mundo, de se virar na  vida.
Vamos vestir a camisa sim não por pedantismo ou  pseudo-intelectualismo, vamos vesti-la porque ela nos faz muita  falta."



Enfim, Marisa Helena vestiu a camisa verde-e-amarela das autoras  brasileiras e eu aprovei totalmente sua defesa.



Entretanto, sempre aumentando em número, outras leitoras alegaram  que, por terem nascido no Brasil, preferiam ler e sonhar com  outras terras, países e paisagens. Nesse ponto, é compreensível.  Perfeitamente compreensível, visto que todos nós gostamos de  viajar nas histórias. Mas aquelas que alegaram e assumiram o  "preconceito" contra a literatura das brasileiras, o fizeram com  o firme intento de mostrar seu desprezo e desvalorização do que é  nosso. 



É pena que a nossa cultura, com o pouco incentivo nas escolas  para a leitura, seja a grande vilã dessa história toda. O  brasileiro não conhece mais os próprios mitos, o próprio  folclore, encantando-se entretanto com lendas inglesas,  irlandesas, com fadas, duendes e ogros à la Senhor dos Anéis,  assumindo que, de fato, "os mitos brasileiros não inspiram nenhum  escritor, por serem infantis, sem graça, sem beleza alguma".


Será que se pode culpar as pessoas por pensarem assim? Acredito  que não, pois tudo isso é consequência de longos anos de  negligência dos governos em relação à educação e ao incentivo à  cultura.E quando os jovens torcem o nariz à menção de livros  clássicos da nossa literatura, seria isso culpa deles? Como não  existe mais nas escolas (pelo menos na escola do meu filho não  existe, sequer a biblioteca é usada) nenhuma cobrança sobre  leituras ou literatura, é natural que os jovens desconheçam  totalmente as Letras Brasileiras. E daí advém todas as demais  consquências: Um povo que lê pouco e ainda assim os que lêem,  procuram por literatura estrangeira.

Estamos nos tornando um povo sem História. Sem Literatura.  Estamos, pouco a pouco, adotando a cultura, a literatura, os  costumes americanos e europeus.


Eu mesma sou uma grande leitora de livros de autores  estrangeiros, nada tenho contra isso: Quanto mais conhecermos do  mundo, melhor. Mas o que me chateia, é ver que estamos chutando  nossa própria cultura para esncanteio, em favor da cultura  estrangeira.



Apenas para citar um exemplo - um rápido exemplo: Se você  perguntar a um norte-americano quem inventou o avião, a resposta  dele é vapt-vupt: Os Irmãos Wright. Todos os americanos conhecem  a história dos famosos Wright, que já apareceram em livros,  biografias, filmes dos mais diversos. Até recentemente, a comédia  "Volta ao mundo em 80 dias", de 2005, com Steve Coogan e Jackie  Chan, mostra "os inventores do avião", os Irmãos Wright.

Será que os brasileiros conhecem bem a vida de Santos Dumont? Com  certeza não. Só o básico, aprendido rapidamente nas escolas. E se  lhe for indagado, quem afinal, inventou o avião, eles ficarão  meio em dúvida... Mas não há controvérsia. Santos Dumont foi, de  fato, o primeiro a voar em um aparelho mais pesado que o ar. Isso  daria um filme... ou grande livro, não daria? Um romance épico! A  vida de Santos Dumont daria um filme épico e dramático incrível.

Mas até hoje, nenhum livro desses saiu e muito menos, um filme.

Isso tudo só ilustra o que já citei acima. Estamos, pouco a  pouco, "perdendo nossas raízes culturais", soterradas pela  negligência, pelo descaso e pela falta de incentivo.

Quanto às autoras brasileiras de romance, vou apenas citar uma de  minhas respostas no polêmico debate dos grupos:



"Eu até posso entender, até certo ponto, que vocês gostem de  cenários internacionais. Claro, a gente sonha. É uma maneira de  viajar pelo mundo através dos livros. Viajar no tempo. Conhecer  outras culturas, ok. Eu também gosto disso, óbvio, e tem muitas  autoras estranjas que são peritas em nos prender  - gosto muito  da Anne Weale, Anne Mather, Eve Silver, Marion Zimmer Bradley,  Anne Stuart, e outras tantas.

Mas acho que vocês deveriam dar uma chance para nossa literatura,  pois os tempos estão mudando. Somos um povo habituado a  supervalorizar o que é de fora e desvalorizar o que é nosso.

Como bons autores brasileiros (eu digo autores, englobando  vários, pois também já li romance escrito por homens, e gostei!)  vou citar mais alguns beeem interessantes.



Simone O. Marques, autora do romance "Agridoce" (vampiros), cujo  enredo é todo ambientado no Brasil... e é ótimo:


Nazarethe Fonseca, outra que escreve sobre vampiros brasileiros e  está fazendo um sucessão:


Giulia Moon, escreve sobre vampiros, tanto contos como romances.  Já li, e só posso dizer: Adorei!


Regina Drummond - escreve infanto-juvenil, mas já li vários  contos românticos adultos dela, e são impecáveis: Ela sabe  escrever, tem estilo:




Laura Elias. Ela disse que escreve com personagens estrangeiros  porque é uma exigência da editora, mas alguns de seus livros já  estão "livres" dessa exigência. É uma escritora de mão cheia,  pena que nesse ano não lançou nenhum livro mais. Torço para que  ela volte com tudo:





E para falar em romances clássicos, se não leram "A Sucessora" de  Carolina Nabuco (que inspirou a novela de mesmo nome) e "Chama e  Cinzas" (que inspirou a novela global 'Bambolê'), leiam! Há tanto  romantismo, emoção e lirismo nesses livros que, sinceramente? Eu  comparo nossa Carolina Nabuco à Emily Brontë. A emoção de "Chama  e Cinzas" é a mesma de "O Morro dos Ventos Uivantes", e lágrimas  derramadas não faltam...
   

Resumindo: Podemos gostar tanto de Nora Roberts quanto de Clarice  Lispector... O Rio de Janeiro pode ser cenário para lindas cenas  românticas, tanto quanto a famosa Paris ou a antiga Florença.  Tudo depende, sabem do quê? De quem escreve. Só um bom escritor  (a) consegue transformar um cenário, qualquer que seja, em um  lugar mágico.
E boas escritoras (e escritores) estão surgindo no Brasil, cada  vez mais. O futuro promete!"

Sim, é verdade. De um lado,há o pouco caso para com nossa  cultura. Mas de outro lado, há que se constatar o fato de que, lenta,  mas decisivamente, nossa literatura está renascendo.
Em outro post falarei das escritoras de romances femininos que  conheço e do porquê gosto tanto delas e de seus livros.




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13 comentários:

luciano disse...

Li este post com uma pontada de tristeza, afinal a literatura nacional e tão rica e diversificada e está sendo tratada com todo este desprezo infundado. O pior não é saber que as leitoras (e também muitos leitores com certeza) preferem a literatura estrangeira, mas sim especificamente a literatura anglo-americana feita para o consumo de massa (livros que com certeza não resistirão ao teste do tempo), não ouvi ninguém falar de Virgínia Wollf por exemplo. Existe mais que isso lá fora e aqui dentro também, se me perguntarem qual o melhor livro escrito por uma mulher que já li vou responder sem pestanejar: "A hora da estrela". E escrito por homem? "Cem anos de solidão", sei que não é nacional, mas é latino-americano. Pois é gente, expandam seus horizontes, há muito mais aqui do que samba e futebol, se nós não valorizarmos isto o mundo literário e cultural ficará mais pobre. Parabéns pelo belo post, visite meus blogs também e me siga (por favor, rsrsrs), um grande abraço.

Arismeire Kümmer Silva disse...

Um de meus livros favoritos é Meu Destino é Pecar, escrito por um brasileiro se fazendo passar por brasileira :-)
O que me interessa mais é a trama. Infelizmente, não tenho conhecimento de autores de livros góticos (ao estilo Mary Stewart) ou de uma espécie de fantasia cômica (Terry Pratchett).
Bj, Aris.

Pat Kovacs disse...

O preconceito sempre é um fruto da ignorância, e um preconceito assumido nada mais é que a própria ignorância assumida.
É para deixar qualquer um arrepiado quando vemos que há leitoras que acham que o Brasil inteiro (o quinto maior país do mundo) se resume ao Rio de Janeiro e a São Paulo, ou melhor (ou pior?), que se resume a pouquíssimas localidades destas duas cidades (sim, cidades, e não os estados, que seria grandes demais para a mente acanhada dessas tais "leitoras").
Então, querida Jo, a situação, ao meu ver, é muito mais alarmante - é uma condição de subexistência mesmo, de quase total alienação.
A raiz da questão não está apenas no preconceito contra autores nacionais. Como vc citou, a raiz do problema é muito mais profunda, chega a ser uma questão de instrução e até mesmo racional.
Porém, acho muito comodismo simplesmente acusar a educação deficiente que temos no país. Vivemos a Era da Comunicação e hoje em dia só se fica alienado quem quer.
Também não dá para censurarmos os preconceituosos e que ainda se sentem orgulhosos em seus preconceitos... não dá para exigir de ninguém que a mente dele se expanda além dos limites do próprio nariz, pois, nesse caso, já é uma questão de deficiência psico-emocional da própria pessoa, incapaz de ir além do básico acomodado e confortável.

Edson disse...

Belo Post.

A nova geração de autores estão mudando este "preconceito" aos poucos. Estamos iniciando turnês em livrarias e escolas, para este fim.
É um trabalho de formiguinha, mas precisamos continuar.

Um abraço
Edson Gomes
Autor de Psíquico - Muito além da justiça dos homens.

Jossi Borges disse...

Pois é!
Luciano, a literatura americana é voltada mesmo para o consumo de massa, é só vermos, por ex., o filme "Branca de Neve e o Caçador" e o livro lançado praticamente junto com o filme, numa forma a mais de ganharem dinheiro. E todos que leram, são unânimes em dizer que o livro é uma droga, apesar da diagramação primorosa.
Estou seguindo seus blogs, sim!
Abraços!
:)

Jossi Borges disse...

Aris, prazer em ver você aqui!

Pat, você tá certa. Há coisas que são "naturalmente limitadas", e que vivem perpetuamente alienadas. Então, não dá nem pra levar em consideração. Entretanto, há uma outra espécie de leitoras que são bem informadas. Tem cultura, sabem das coisas, e mesmo assim, levam o preconceito avante. Mas, como o Edson Gomes falou, as novas gerações de escritores estão mudando isso.
Eu acho que, em alguns anos, teremos muito mais leitores no Brasil, e estes escolherão bons livros, não só os livros "da moda", como vemos hoje em dia.

Bjos!

Ceila Sarita disse...

Há pouco tempo uma amiga me enviou um email, em março, para ser mais exata, de uma postagem que estava rolando na net e uma aluna havia trazido para sala de aula para fazerem um debate sobre a mulher moderna, a Eva dos anos 2000... Acompanhava o anexo às considerações de dezenas de alunas da faculdade, em outro estado, e a opinião da professora, bem conceituada e por sinal filha desta minha amiga de longa data, sobre a mesma. Quase chorei de alegria! A postagem fazia a introdução de um livro que eu havia escrito alguns anos antes... Respondi ao email toda feliz contando a minha amiga que o texto era meu. No almoço de final de semana ela voltou a comentar o assunto, toda feliz por que a filha havia se destacado junto às alunas. Intrigada, por ela não fazer referencia sobre a resposta do email que havia mandado a ela, não me contive e perguntei. Ela me respondeu que sua semana havia sido bem cheia e que não tivera tempo de abrir a caixa de mensagens. Bom, a boba aqui contou a ela que as citações eram minhas. Bah! Ela acreditou? Nunca! Eu devia estar confundindo. A filha dava aulas na faculdade onde ela mesmo havia se formado e... Encurtando a história, ela me disse que não perdia tempo em ler nada de ator brasileiro, pois o mesmo só sabia escrever sobre sexo, traição e sangue. Pasmem! Ela é letrada! O preconceito não é somente de leitores (as)! É bem pior que pensamos. Digo sempre, como autora de romances “água com açúcar”, que ainda temos uma longa estrada a percorrer até vencermos esta barreira. A prova está aí...
Valeu a defesa, Jossi.

Ceila Sarita disse...

Há pouco tempo uma amiga me enviou um email, em março, para ser mais exata, de uma postagem que estava rolando na net e uma aluna havia trazido para sala de aula para fazerem um debate sobre a mulher moderna, a Eva dos anos 2000... Acompanhava o anexo às considerações de dezenas de alunas da faculdade, em outro estado, e a opinião da professora, bem conceituada e por sinal filha desta minha amiga de longa data, sobre a mesma. Quase chorei de alegria! A postagem fazia a introdução de um livro que eu havia escrito alguns anos antes... Respondi ao email toda feliz contando a minha amiga que o texto era meu. No almoço de final de semana ela voltou a comentar o assunto, toda feliz por que a filha havia se destacado junto às alunas. Intrigada, por ela não fazer referencia sobre a resposta do email que havia mandado a ela, não me contive e perguntei. Ela me respondeu que sua semana havia sido bem cheia e que não tivera tempo de abrir a caixa de mensagens. Bom, a boba aqui contou a ela que as citações eram minhas. Bah! Ela acreditou? Nunca! Eu devia estar confundindo. A filha dava aulas na faculdade onde ela mesmo havia se formado e... Encurtando a história, ela me disse que não perdia tempo em ler nada de ator brasileiro, pois o mesmo só sabia escrever sobre sexo, traição e sangue. Pasmem! Ela é letrada! O preconceito não é somente de leitores (as)! É bem pior que pensamos. Digo sempre, como autora de romances “água com açúcar”, que ainda temos uma longa estrada a percorrer até vencermos esta barreira. A prova está aí...
Valeu a defesa, Jossi.

Jossi Borges disse...

Ceila!
Estou horrorizada com isso que voce nos contou! Que absurdo!!! A mulher sequer acreditou que o texto era seu??? É o fim da picada: Sua própria amiga, que vai passear na sua casa, almoçar e etc.? Não, essa eu não ia engolir, não. Se fazer de sonsa e dizer que não abriu o email, só pra não dar mão à palmatória e admitir que você é uma boa escritora, que seu texto chamou a atenção, que fez sucesso? Além de preconceito, Ceila, isso também tem outro nome: INVEJA. Só pode.

Eu conheço seus trabalhos, seus livros, resenhei vários; conheci outras leitoras que se apaixonaram por sua sensibilidade literária, pelo dom que você tem de encantar, de cativar, de surpreender... Só mesmo uma pessoa muito, mas muito idiota (com perdão da palavra) para ler e dizer que não gosta ou não ler e mesmo assim (o que é pior) dizer que "não vai gostar, porque você é brasileira".

Obrigada por participar de nosso pequeno debate, Ceila!

Bjoss
:)

Carla Blackhawk disse...

Olá.
Não me colocando entre as grandes escritoras do Brasil (tenho muito o que aprender ainda), mas eu escrevo romances de banca e ambientados no Brasil, com nossos costumes, nossa lingua, nossas girias. Não consigo sequer imaginar escrevendo sobre os usos e costumes de outro país simplesmente por desconhecer como de fato é. E também por ter uma cultura tão rica e tão forte, prefiro escrever sobre o que sei...
Tendo publicado 2 livros de forma independente sei que, infelizmente, no Brasil, não tem campo pra crescer com essa temática "rosa". E, de fato, só leio os famosos "água com açucar"; leio o que realmente gosto.
Bjs :)

Amor e Livros disse...

Olá, Carla! Que bom ver você aqui!
Então, faço minhas as suas palavras: Eu também gosto de ambientar todos os romances que escrevo (não muitos, tenho mais antologias, um infanto-juvenil e um romance publicados de forma independente)aqui no Brasil.

Como você diz, é o nosso meio, nosso habitat, nossas coisas... e é o que conhecemos. Eu também leio literatura feminina e livros de banca e tem vários que amo de paixão. São os mais antigos, que foram marco de minha infância e cujos enredos são tão românticos que nos levam a ficar divagando (eu pelo menos, rs)um bom tempo, após finda a leitura. Sem falar dos históricos, sempre curiosos e pitorescos, pequenas viagens no tempo.

Apareça sempre, Carla!
Bjoss!
:)

Lady Graciosa disse...

Tão triste isso!
Além de ter que lutar contra o preconceito das pessoas que não gostam do "romance de banca" ou "romance rosa", ainda sofrer por ambientar romances no Brasil.
Tenho cinco livros publicados de maneira independente, contemporâneos ambientados no Brasil. Escrevo pelo prazer de escrever, sem nenhuma expectativa. Infelizmente.

Jossi Borges disse...

Oi, Flavinha!
Então, eu sou como você. Escrevo pelo prazer de escrever. Esse preconceito é algo antigo, entranhado em nossa cultura desde os tempos de nossos avós, quando se considerava que "tudo o que vinha de fora, era melhor".
Mas isso vai mudar, tenho certeza. Não levará mto tempo para que o brasileiro comece a ler mais literatura nacional, já que basta abrir os olhos, comprar os livros e ler para comprovar a qualidade de nossos autores e de nossa ficção.
Bjs
:)