7 de Setembro de 1822... Uma cena inesquecivel.


 Tarcísio Meira e Glória Menezes no único filme brasileiro sério sobre a vida do primeiro Imperador, "Independência ou Morte", estreado em 1972


Em comemoração ao 7 de setembro, e para falar um pouquinho de nossa História, resolvi escrever uma postagem para lembrarmos disso, e de tudo o que essa data representa para nós brasileiros. 

Já venho notando há muito tempo que essa data - 7 de setembro - deixou de ter o significado que tinha há algumas décadas: Lembro que, na minha infância, todas as escolas faziam desfiles com bandeiras, cantávamos o Hino Nacional todos os dias e o Hino da Independência, na data comemorativa.  Havia aulas especiais sobre o ano da Independência e trabalhos para os alunos, todos focados na vida de Dom Pedro I, José Bonifácio e outros personagens da época, e a proclamação da Independência. Hoje em dia, mal sabem as crianças a que se refere essa data.


É uma pena. A Rede Globo, com suas novelas focadas em futricas amorosas, traições conjugais, violência e inversão de valores, já não faz mais as famosas e belas minisséries ou novelas históricas ("Desejo", "Os Maias", "Ciranda de Pedra", "O Tempo e o Vento", "Terras do Sem-Fim", "A Sucessora"). Resta-nos alguns bons livros, na maioria antigos.
Vejam uma pequena lista de alguns que li, para escrever o meu livro ainda inédito (alô, editoras!), D. Pedro I, o Grande.
* "A Corte no Brasil", A. C. D'Araujo Guimarães, 1936.

* “Cartas de Pedro I a Marquesa de Santos”,
Pedro I, publicado em 1984, Editora Nova Fronteira (Rio de Janeiro-RJ), notas de Alberto Rangel.

* “A Vida de D. Pedro I”, Otavio Tarquínio de Sousa

* “Dom Pedro e a Marquesa de Santos”, Alberto Rangel 
* “As Quatro Coroas de D. Pedro I”, Sergio Correa da Costa.

* "Dez Anos no Brasil", Carl Seidler, Itatiaia, São Paulo, Belo Horizonte, 1980.
 
*"1822", Laurentino Gomes.
 
Outras sugestões de leitura:

* Glória Kaizer, "Dona Leopoldina, Uma Habsburg no trono brasileiro", Editora Nova Fronteira, 1997.

* Betina Kann e Patrícia Souza Lima, "Cartas de uma imperatriz", Editora Estação Liberdade, São Paulo, 2006.

*Ivanir Calado, "Imperatriz no Fim do Mundo, Memórias dúbias de Amélia de Leuchtemberg" (este último misturando um pouco de ficção), 2001.

Para complementar, aqui postado um trecho de meu romance, ou biografia romanceada, D. Pedro I, o Grande. Não sendo uma biografia exatamente, tomei certas liberdades ficcionais, procurando ser o máximo possível fiel à história e às características físicas e psicológicas dos personagens históricos, o que pesquisei exaustivamente. Como resultado, escrevi a primeira parte (de uma série de dois livros) e além de uma vasta procissão de personalidades reais, desfilam também na minha narrativa umas quantas personagens fictícias, sendo a principal delas D. Sofia, que funciona como uma espécie de "visão feminina" sobre o primeiro Imperador e suas aventuras no Brasil. Espero que apreciem!


Tarcísio Meira e Maria Claudia, como D. Pedro I e a Imperatriz Amélia.

Sofia, igualmente imersa em pensamentos sobre o Príncipe Infante, voltou de novo os olhos para o espelho e viu os dois rostos, o seu e o de Luisa, sentindo certo desapontamento. Seria Luisa assim tão linda como todos diziam? Tão mais linda que ela, Sofia?
      Não havia dúvida. Luisa era a beldade da família, a pérola da família Pires de Sá. O rosto, de um suave oval, era inteiramente suave também nos tons, nas linhas anatômicas, na ossatura, nos traços fisionômicos e até nos adornos. Os olhos eram doces, de um azul aguado e suave, o nariz pequeno, os lábios eram mais polpudos e vermelhos. Os cabelos eram um diadema refulgente, louro-dourado muito vivo e vibrante, que se destacavam bem do conjunto suave do rosto.
     Do seu rosto Sofia tinha pouco a dizer. Não se achava bonita, mas ninguém lhe negaria a graça cálida do sorriso, a firmeza e a correção do falar, os meneios serpentinos da cintura fina e do abdômen rijo, as mãos delicadas e a esbelteza sinuosa do talhe. No rosto, moreno, fino e singelo, o destaque eram os olhos escuros e tristonhos.    À noite, enquanto esperavam os insignes visitantes, Luisa fazia companhia à família, distraindo-os com sua conversa alegre e sua beleza, que ninguém cansava de apreciar. Às sete e meia, quando bateram à porta, e a pedido  do marido, D. Leonor, a condessa, retirou-se. Uma mucama atendeu à porta e logo entraram dois homens de preto, cujos rostos, ensombrados, surgiram às duas moças apenas como duas máscaras pálidas. Sofia levantou-se, nervosa, encarando as visitas. De repente, seu coração começou a bater com violência. Os vultos adiantaram-se. O Conde apertou-lhes as mãos e conduziu-os ao meio da sala, anunciando:         
— Minha filha e minha sobrinha, Sofia e Maria Luisa, apresento-lhes Suas Altezas Reais, os Príncipes D. Pedro de Alcântara e D. Miguel.         
Luisa ficou rígida, atordoada. Sofia estava confusa. D. Miguel, o Príncipe Infante, viera consultá-la! E até  seu irmão, D. Pedro!         
D. Miguel pareceu-lhe ainda mais belo. Era alto, magro, desempenado e forte, corpo proporcionado. O rosto, que nada tinha do pai, nem da mãe, era o de um rapaz de vinte anos, embora ele só tivesse completado quinze. Olhos negros e vivos, um rosto magro de traços fortes e lábios finos e a atitude orgulhosa que era mais um acréscimo ao seu porte, uma atitude que parecia sobrepujar a todos na família real, mesmo ao irmão herdeiro.         

Entretanto, a atitude de D. Pedro, naquela época com quase dezenove anos, era mais altiva, se bem que menos orgulhosa. Era uma altivez isenta de orgulho de sangue ou posição, uma altivez de comandante, de senhor, mas complacente e acessível. Havia um toque mais humano, mais natural, nas atitudes do príncipe D. Pedro.         

Ele era também muito bonito, de porte másculo, olhos brilhantes e muito escuros. Falava-se muito, na Corte, de suas maneiras irrequietas, ousadas e às vezes agressivas, e do seu gosto pelo hipismo. Principalmente das galopadas violentas, das quais retornava suado. Toda essa vibração, essa impulsividade, parecia encoberta sob o gelo daquelas feições viris, daquele perfil grego, do bigode à mosqueteira, do asseio e elegância perfeita da sua figura.     

— Boa noite, senhorinhas – cumprimentaram, aproximando-se e tirando os chapéus.        

 No mesmo instante, os olhos de ambos os rapazes cravaram-se em Luisa, Miguel decerto relembrando o dia do aniversário de D. João e D. Pedro estupefato ante a beleza adolescente."
  
E, para quem quiser assistir o filme "Independência ou Morte", ei-lo no Youtube, completo.


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