Robin Cook - Toxina


O terror médico de Robin Cook em seu mais alto nível. Toxina conta o drama de um conceituado cirurgião cardíaco dos EUA lutando para salvar a vida de sua filha do perigoso vírus E. coli O157:H7.

Desesperado e sem conseguir impedir a progressão da doença em sua filha, que está prestes a morrer, ele se lança em uma arriscada investigação que leva às indústrias de carne dos EUA e suas perigosas práticas. Ele e sua ex esposa agora estão juntos novamente para descobrir a origem e evitar a morte de milhares de outras crianças como sua filha, eles só não esperavam que os grandes chefões das indústrias estivessem prontos para o assalto.

O QUE ACHEI:
Um dos livros mais chocantes e assustadores de Robin Cook. Li quase todos os seus livros, que contam histórias terríveis sobre conspirações de grandes empresas ligadas ao ramo médico ou outras. Fico sempre fascinada pelas suas tramas bem engedradas, que geralmente culminam com um clímax terrível e de cair o queixo. Esse aqui, entretanto, é um dos mais pesados! Da primeira vez que tentei ler, não consegui, embora tenha chegado até o "clímax", num momento de desespero tão grande para o protagonista, que até eu, me pondo na "pele" dele, quase  gemi de tristeza.

Da segunda vez, consegui chegar ao fim, já que estava preparada para o que viria a seguir. Todo o drama de um paciente do SUS, que suporta filas de espera intermináveis, medo, raiva, ansiedade... todo o drama de um pai ou mãe de família brasileiro, cujo filho(a) sofre de uma doença que ninguém consegue diagnosticar e, muito menos curar, preso às redes de um sistema de saúde pública falido. Tudo isso vive o Dr. Kim Reggis, um médico cardiologista norte-americano de sucesso, acostumado às mazelas de seus pacientes, um homem que se considerava autosuficiente, forte, poderoso, porque sempre era a ele que os pacientes recorriam e imploravam ajuda. E de repente, esse homem, arrogante e acostumado a ter sempre tudo o que queria ao alcance da mãe (inclusive a saúde, a sua e a dos outros), se vê colocado do lado oposto: Ele, como pai de um paciente desenganado e sendo pessimamente atendido pelos próprios colegas médicos.
 


 A história que enfoca "o outro lado" da vida de um médico, já é curiosa por si, mas terá ainda outros elementos incríveis e assustadores para prendere o  leitor, do começo ao fim: Um pai desesperado, cuja filha adoece de repente depois de comer um hambúrguer mal-passado e cuja moléstia nem ele, nem os especialistas conseguirão descobrir qual é... e quando o fazem, já é quase tarde demais. Uma mãe - a ex-mulher de Kim - desesperada, presa novamente ao homem do qual se separara, pelos laços da dor e do medo. Uma conspiração monstruosa entre o "Ministério da Agricultura" dos EUA, equivalente ao nosso "Ministério da Saúde" e várias indústrias de hambúrgueres, responsáveis pela disseminação de uma bactéria que, quando entra no organismo humano, libera uma toxina fatal... Esses são alguns dos elementos desse romance intrigante e assustador.

Depois que o reli, passei a ter cuidados redobrados com os alimentos aqui em casa: Nunca é demais salientar que, além de lavar bem frutas e verduras, a carne deve SEMPRE ser consumida muito bem cozida, frita ou assada, muito bem. Veja só, lendo um livro de ficção (baseada em fatos reais, com certeza), a gente acaba se conscientizando de uma porção de coisas novas (novas para nós, leigos) em matéria de saúde, biologia e medicina. Como por exemplo, que uma cepa "especial" (diabolicamente especial) da E. coli (bactéria que mora nos intestinos humanos e animais) pode muito bem ser ingerida através de vários alimentos, mas principalmente, da carne moída. E tudo isso, graças à falta de higiene, não dos cozinheiros, mas dos abatedouros!
 
Kim vai viver a tortorua de ver sua única filhinha de doze anos, Becky, se tornar doente, ir parar nas filas de um pronto-socorro, vomitando e indo ao banheiro a todo momento, passando mal e sendo além disso, mal atendido. Essa imagem não é vagamente familiar aos brasileiros? Oh, sim, SUS. Com certeza!

O leitor ficará indignado com as enfermeiras que, mostrando a mais perfeita indiferença pela dor e sofrimento da pequena Becky, irão destratar Kim. No próprio hospital onde ele trabalha!
"Como todo pronto-socorro de uma grande cidade do Meio-Oeste, a unidade parecia uma estação rodoviária em dia de feriado. O atendimento nas noites de segunda-feira parecia multiplicar-se por causa dos excessos do fim de semana.

Amparando Becky, Kim abriu caminho por entre a multidão, passou direto pelo balcão da recepção e atravessou a sala de espera lotada. Quando passava pelo núcleo de enfermagem, uma mulher enorme, com um físico descomunal, interceptou-lhe o caminho. Sua massa corporal bloqueava completamente a passagem de Kim. Na tarja de sua blusa estava escrito: MOLLY MCFADDEN. Era alta o suficiente para encarar Kim olho no olho.

- Desculpe - disse Molly. - Não pode entrar aqui sozinho. Precisa preencher a ficha na recepção.

Kim tentou forçar a passagem, mas ela não arredou pé.

- Com licença - disse Kim. - Sou o dr. Reggis. Trabalho aqui, e minha filha precisa ser examinada.
Molly soltou uma risada curta.
- Não me interessa se você é o papa João não sei das quantas. - Ela pigarreou e continuou: - Todo mundo, eu disse, todo mundo, tem de pegar a ficha na recepção, a menos que chegue na maca.
Kim estava tão abismado que perdeu a fala por um instante. Não podia acreditar que estivesse ali sendo publicamente desafiado, ouvindo desaforos de uma enfermeira. Ficou olhando incrédulo os ameaçadores olhos azuis daquela mulher. Ela parecia mais uma lutadora de sumô vestida de branco. Se já tinha ouvido o nome de Kim como membro da equipe do hospital, não demonstrou o menor sinal.

- Quanto mais rápido preencher sua ficha, doutor, mais rápido sua filha será atendida.

- Ouviu bem o que eu disse? Sou o cirurgião-chefe da cardiologia.

- Não sou surda, doutor - respondeu Molly. - A questão é: o senhor me ouviu?

Kim fuzilou-a com o olhar, mas a mulher não se intimidou.

Tracy sentiu o peso do impasse. Conhecendo bem o temperamento de seu ex-marido, tomou a frente para contornar a situação.

- Vamos, querida - disse para Becky, tomando-a pela mão. - Vamos fazer como manda o regulamento e preencher sua ficha.

Tracy levou Becky de volta pelo mesmo caminho. Kim lançou outro olhar raivoso para Molly, deu as costas e saiu atrás das duas. Juntos, entraram na fila de registro. Kim continuava indignado."
 


 A história vai ter um clímax tremendo, de arrepiar os pelos do corpo do mais frios dos mortais. E ainda irá prosseguir, quando Kim, auxiliado por uma jovem que trabalhava no Ministério da Agricultura, irá atrás dos responsáveis pela doença de Becky, assim que ele descobre que ela se contaminou atrvavés do hambúrguer mal frito. E nessa cruzada, ele contará apenas com essa moça e com a esposa, sendo desprezado pelos demais médicos, que o consideram "meio maluco" por conta do que aconteceu à sua filha.

O thriller é eletrizante e nos prende do começo ao fim: Robin Cook se superou, escrevendo uma história que é mais ou menos familiar aos brasileiros (acostumados aos maus tratos do nosso sistema de 'saúde'), que serve de alerta para a população e para os governantes. Nenhum de nós está imune à essa toxina que, infelizmente, não é ficção, mas a dura realidade.

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1 comentários:

Leonardo David disse...

Olá!
Gostei muito dos seus comentários e da forma como escreve é objetiva, leve e bem escrita.
Também li o livro e achei super intrigante e muito impactante.
Nem como mais hambúrguer de carne moída....
Parabéns,
Leonardo D.
www.leonardodavid.com.br