H. P. Lovecraft - Um sussurro nas trevas

 

Um Sussurro... desse ou de outros mundos?

"Um sussurro nas trevas" (1930) narra os acontecimentos ocorridos após as grandes enchentes de Vermont em 1927. Ao ouvir histórias sobre cadáveres de animais desconhecidos boiando nas águas, o acadêmico Albert N. Wilmarth tenta vincular os relatos às crenças populares da região. O assunto ganha os jornais e a seguir entra em cena Henry Wentworth Akeley, o folclorista de Vermont que acredita na existência de cultos secretos e criaturas inumanas nas colinas do estado – e logo percebe estar diante de coisas muito mais poderosas do que seria capaz de imaginar. Um sussurro nas trevas é um dos grandes expoentes do “horror cósmico” de Lovecraft. O volume traz em apêndice dois textos inéditos em português: “Vermont – uma primeira impressão”, um poético relato da viagem que influenciou de maneira decisiva a escritura dessa novela e “O sussuro reconsiderado”, ensaio do escritor Fritz Leider, publicado originalmente na revista Haunted (1964).
Editora: Hedra
Ano: 2011
Páginas: 152

O QUE ACHEI:
Outro livro sobre o ciclo de "Cthulhu", como quase todos os contos e novelas de Lovecraft.

Até que gostei, tendo lido em questão de horas apenas, já que é uma história curtinha. Acho que a maioria dos livros de Lovecraft foram escritos com a intenção de serem apenas "contos" ou noveletas, mas os  maiores viraram livros mesmo, não constando em antologias.

Esse, em especial, me agradou. O clima de suspense é bastante intenso, e já de início o leitor ficará curioso para saber do que se tratam "os seres estranhos" vistos nos rios de Vermont e que foram trazidos "pela enchente".
Aos poucos, o protagonista, Wilmarth, não quer acreditar em nada do que lê ou ouve falar. Para ele, é tudo mito e folclore. Aos poucos, ele vai narrando tudo, como ficou impressionado quando começou a se corresponder com o mitógrafo Wakeley, considerado por ele um homem bastante erudito, sério e de mente esclarecida. E assim sendo, pessoa confiável.


O suspense é crescente, indo ao ponto de o leitor se perguntar: E agora, José? O que vai ser do pobre Sr. Wakeley? Sozinho, na imensidão de nada cercado por colinas, selvas, riachos selvagens, tendo por companhia apenas seus cães? Assediado dia e noite por diabretes que se dizem "oriundos do espaço cósmico"?

Em certa altura, dá vontade de gritar: "Poxa vida, Sr. Wakeley... cai fora dessa casa maldita!" E era isso o que Wilmarth dizia, e aconselhava o amigo, através de cartas. E foi praticamente através de cartas que os dois eruditos se conheceram.

O final foi ainda mais curioso, embora não muito coerente. Wilmarth percebe que a mudança de personalidade (e de opiniões) de Wakeley é algo quase impossível. Não dá pra crer.

E é com essa certeza que o leitor irá percorrer os intrincados meandros da mente lovecraftiana, que o conduzirá a um final esquisito e não muito original.

Mas valeu a pena. O grande mestre do horror, melhor que Stephen King, que assustava sem enojar, aterrorizava sem deixar o leitor com baixo astral.

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