Catherine Gaskin - A Governanta


A Governanta - Catherine Gaskin

 1830 nas Antilhas. O açúcar e a escravidão ainda reinavam supremos, mas a ilha de San Cristobal, com o seu perfume de flores exóticas, parecia um paraíso tropical para Fiona... Para ela, o convite para trabalhar na fazenda da família Maxwell fora uma forma abençoada de escapar da vida miserável que levava na Escócia. Mas a fazenda nada tinha a ver com os sonhos de paz e de prazer que Fiona acalentava...

Todos a tratavam muito bem e Duncan, o menino que ela cuidava, a adorava. Mas Fiona não conseguia livrar-se de suas premonições de um perigo iminente. Seriam pura imaginação? Ou eram cenas que lhe chegavam através da maldita "segunda visão" que a perseguia desde a morte de sua mãe? Então Fiona descobriu que até o seu romance com Fergus, o belo e enigmático enteado da dona da fazenda, era parte de um plano macabro ligado a um passado sinistro e secreto.

O QUE ACHEI:
Como todos os livros de Catherine Gaskin, eu gostei muito. Naturalmente, ela sempre cria tramas envolventes, a maioria com segredos de família, traições, ódios e amores secretos, desejos profundos, vinganças, remorsos e um drama profundo, tocante. Mas, todos esses sentimentos e emoções envolvidos em um clima exótico, pois a história se passa nas Antilhas, na época da escravidão.

Fiona, uma moça dotada de premonições e visões do futuro, decide aceitar o convite do velho Andrew Maxwell, parente de seu pai, pois quer fugir da vida de perseguições que leva na Escócia. Sua terceira visão é tida como uma espécie de "maldição" para o povo da pequena cidade.

 Nas Antilhas, porém, o calor é insuportável, e as pessoas da fazenda onde ela vai viver, o Sr. Maxwell, um velho doente por causa do rum e do vício do fumo, sua mulher linda e jovem, Maria - uma misteriosa e perigosa espanhola - e o filho mais velho dele, Fergus, a intrigam e deixam nervosa.



Havia mistérios e dramas ocultos profundamente na vida daquelas pessoas. Mesmo assim, Fiona não deixou de se apaixonar, perdida e dolorosamente, pelo belo e rebelde Fergus.

 
Há ainda outro homem, o escocês Allison - que mais tarde vai ter um papel importante em toda a história, pois ao contrário de Fergus, Allison é controlado, calmo e bondoso.

Mas afinal, qual a mulher que vai preferir um homem simples e bondoso, ao invés de um belo, charmoso e ardente rebelde?

Fergus revela-se dono de um gênio forte e corajoso, mas durante toda a história, paira sobre ele e sobre Fiona a sombra de um antigo mal - Maria. A madrasta já fora amante de Fergus, e Fiona teme que tudo o que ela anseia se perca. Maria é a peça-chave no grande jogo que todos eles jogam ali. Uma peça que ameaça a todos, misteriosa, cheia de paixões ardentes, segredos incofessáveis e atitudes estranhas.

Como pano de fundo, há a escravidão nas Antilhas, os negros trazidos da África em navios negreiros e que vivem em miséria e tristeza, como trabalhadores nas fazendas de açúcar, e cujo ódio paira sobre todos os brancos, ameaçadora.
Fiona também sente que os escravos (a maioria deles, pelo menos) odeia os brancos. E se aproximando a hora da emancipação, tal ameaça é ainda mais forte...

Um romance que não é nada cor de rosa, como os de banca, mas que prende e delicia o leitor. Nas últimas páginas, a tensão explode, em grandes revelações e acontecimentos dramáticos, mudando a vida de tudo e de todos, inclusive a de Fiona.

 

Se você espera apenas flores e delicadezas, mocinhas e mocinhos lindinhos e educados, salões charmosos cheios de nobres engalanados com fraques e cartolas, moçoilas de saias rodadas, fofas e românticas, como grande parte dos "clássicos históricos" de banca, esse romance não é para você.

Mas se gosta de aventura, sensualidade forte, emoções ardentes, talvez até... lágrimas, e uma história linda, comovente e realista, vai adorar esse.


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3 comentários:

Arismeire Kümmer Silva disse...

Eu amo este livro. Chorei horrores quando acabou :-)
Bj, Aris.

Amor e Livros disse...

Oi, Aris! De fato, eu quase chorei também, mas o que ficou mais forte e nítida, foi a sensação de perda. Ora, que romance profundo. Como a autora soube dosar bem as emoções, deixando para o final um suspense tremendo, em que pendiam,de cada lado da balança, o amor de Fergus por Fiona e por Maria. Juro que, até agora, não entendi bem de qual das duas ele gostava mais...

Bjs
:)

Anabela Carreira disse...

ola sou fifiguli@live.com.pt e sigo este blog a algum tempo e ainda nao sei se posso fazer pedidos de livros para me enviar, agradecia uma resposta porque tem muitos em leio a resenha e gostava de ler como estes por ex:.
obrigada
Anabela