Edgar Allan Poe - Historias extraordinarias


Histórias Extraordinárias - Edgar Allan Poe - resenha

O homem sempre sentiu medo, sobretudo daquilo que não pode entender,do incerto e — porque não dizer — do proibido. Talvez por isso o horror tenha algo que nos afaste, mas que também nos atraia e nos deixe fascinados.

E foi desbravando essa estranha e ambígua sensação que o contista, crítico e poeta norte-americano Edgar Allan Poe se consagrou como um dos mestres do gênero do terror e o pai da literatura policial. Ambientes sombrios, ruas desertas, esquinas escuras, mansões malditas, assassinatos misteriosos e personagens sobrenaturais compõem a atmosfera gótica que tanto marcou suas histórias de terror. Poe detém o poder de envolver o leitor desde a primeira frase. Ele nos conduz pelo conto, deixando escapar apenas o que devemos saber naquele momento, mantendo o suspense até o desfecho invariavelmente inesperado. Mas suas fina ironia, seu sarcástico humor e suas inigualáveis lógicas e sagacidade também são elementos que cunharam a obra desse homem que influenciou de forma decisiva o conto moderno de horror. Ler as histórias de Edgar Allan Poe nos faz regressar aos tempos de infância, em que os maiores medos despertavam o horror, mas também deixavam um estranho desejo de sentir o corpo arrepiar, só mais uma vez. Uma experiência inigualável.


O QUE ACHEI:
Esse foi o livro que me iniciou nas histórias chamadas "góticas". O que seriam essas, exatamente? São romances ou contos em que há todo um clima sombrio, de suspense e terror, tendo como cenários, de modo geral, um local ermo, mansão ou castelo sinistros. Exemplos típicos: "Frankenstein", de Mary Shelley, "O Castelo de Otranto", de Horace Walpole, "Drácula", de Stoker.



Edgar Allan Poe recria o mesmo clima em seus contos "extraordinários". Um que muito me chamou a atenção, foi "A Queda da Casa de Usher", em que o protagonista vai visitar um amigo, Lorde Roderick Usher , cuja esposa está enferma. A casa, uma sinistra mansão cercada por florestas e lagos, tem um clima sórdido e fantasmagórico, que aos poucos enlouquece de pavor os seus moradores. O final é estranho, esquisito, como aliás todos os finais das histórias de Poe.

"O Gato Preto" é um dos seus contos mais hediondos. Não gostei, pois amo os animais, e jamais conceberia uma história na qual um gato (ou cão) fosse vítima ou carrasco de seres humanos. Mas esse é o meu ponto de vista.

Afinal, o livro tem vários dos melhores contos, e todos valem a pena ser lidos. O autor tem predileção por determinadas situações macabras, porém em alguns dos seus escritos, apesar da morbidez, flutua uma fina névoa de poesia, como em "Beerenice", por exemplo, ou "Lady Ligeia".

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