Catherine Gaskin - A Heranca Maldita


"Em busca de peças valiosas para uma famosa casa de leilões londrina, Joanna Roswell mergulha num mundo encantado de obras de arte, quadros e mobiliário soberbos, e um diamante de valor incalculável. Mas esse mundo de contos de fadas abriga antigos escândalos e maldições que pairam há séculos sobre uma família nobre inglesa.
Um enredo emocionante, que relata a intrincada trama de um amor perturbado pelo sofrimento e pelo desconhecido, que tem como ponto culminante um desfecho imprevisível e surpreendente, com brilho e a imaginação de Catherine Gaskin."


Titulo Original: The Property of a Gentleman

Ano de copyright: 1974

Editoras no Brasil: Record e Círculo do Livro

O QUE ACHEI:
O livro é tudo isso e um pouco menos que isso... Como? Vamos tentar explicar!

É tudo o que diz na primeira parte: Joanna é uma comerciante de peças raras e antiguidades valiosas, e vai junto com seu chefe, até uma antiga mansão inglesa, no interior do país. Realmente, o cenário  - descrito com maestria pela talentosa escritora - é tudo e mais um pouco. Paisagens deslumbrantes, uma casa magnífica, quase um castelo medieval, um lago cercado por jardins idílicos, florestas sombrias, penhascos perigosos... Tudo o que você sempre imagina, quando pensa num cenário para romance e suspense. Dá até, em certos trechos, para sentir a atmosfera do local: O vento frio, a nosltalgia do bosque de bétulas, as sombrias lembranças tingindo tudo de cinzento... ou a beleza e o requinte do salão principal da mansão, seu mobiliário francês valiosíssimo, o encanto das porcelanas chinesas, os quadros e espelhos antigos.

Bem, como eu gosto de coisas antigas - tanto faz se são peças de arte ou casas - talvez eu seja suspeita para falar. Mas não dá para negar que, embora meio embolada e pouco acessível ao grande público, a linguagem de Catherine Gaskin é perfeita. Ela tem estilo.

O enredo seria perfeito, se a linguagem fosse um pouco mais simplista. Como algumas amigas comentaram, o "romance" entre Joanna e o jovem fazendeiro Nat deixa a desejar... se for comparado aos romances apimentados de hoje em dia. Oh, se deixa. A autora apenas "sugere" o único momento de intimidade e sexo entre ambos. Nada de descrições pormenorizadas ( o que, convenhamos, também é meio descabido).

Outra ponta do enredo, meio solta, é a "presença" do fantasma da Espanhola, a nobre ancestral que viveu e morreu assassinada na mansão. Quase não existe fantasma, ou seja, é apenas uma vaga presença que Joanna sente. Nada de muito espetacular, o que, se fosse um romance sobrenatural mais moderno, seria berm mais aproveitado.
E afinal, a história (bem arrepiante, por sinal) do diamante maldito, La Española, uma joia imensa, valiosíssima. Mas que traz, inevitavelmente, a morte a quem o tocar.

E ainda, pelo meio, há várias outras pontas de enredo, digamos assim, que entrelaçam gerações de nobres, leiloeiros, a mãe da personagem, os Lordes Askew, os cachorros (ora sinistros, ora fofinhos), os mordomos da mansão e a pequena Jessica, uma das netas do fiel mordomo - loira, bela e delicada. Que teria tudo para se tornar uma Super Vilã...

Bem, alguns poderiam achar que o final foi decepcionante. Que a trama foi meio enrolada. Talvez, para os gostos modernos, o desenlace tenha sido "insípido". Talvez tenha faltado mais agilidade na ação e nos momentos de suspense, se compararmos com histórias modernas, tipo os bestsellers de Dan Brown, Linda Howard, Julie Garwood.
Acontece que Catherine Gaskin, embora pouco conhecida no Brasil, fez grande sucesso na Irlanda, na Austrália e nos Estados Unidos, e alguns de seus romances plenos de suspense, escritos numa linguagem cuidadosa, se transformaram em séries de televisão. É uma autora famosa lá fora, e reconhecidamente talentosa.

No todo, A Herança Maldita foi muito bom. Consegui ler o livro todo, de 325 páginas, em quatro dias, e já estou com outro livro da autora - A Governanta - na mesa de cabeceira.

Gostei do suspense, do clima sombrio da velha Inglaterra, das descrições detalhadas do castelo e das antiguidades e principalmente, da arrepiante maldição de La Española.

Um bestseller que vale a pena ser lido, a despeito de ser diferente dos modernos livros de suspense. Lembremos que, os tempos mudam, mas os clássicos estão eternamente na moda.



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